A observância do Shabat é um dos fundamentos do judaísmo. A santidade do sábado e o mandamento de guardá-lo e honrá-lo é enfatizados repetidas vezes na Torá. Do pôr do sol da sexta-feira ao pôr do sol do sábado, celebramos o Shabat semanalmente em nossos lares. Esta seção oferece castiçais (para acender velas ao entardecer da sexta-feira), lenços (para as mulheres cobrirem seus cabelos), toalhas de mesa, tábuas de chalá (pão trançado) e lindos panos para cobri-las, cálices para o Kidush (cerimônia de santificação da data), canecas de netilat iadáim (para a lavagem cerimonial das mãos) e jogos de Havdalá (cerimônia de encerramento do Shabat realizada após o escurecer do sábado) - tudo para tornar esta celebração muito especial.

SHABAT

Nenhum dia caracteriza os judeus melhor do que o Shabat. É a mais importante instituição da religião judaica. É a única observância ritual listada entre os Dez Mandamentos; aparece com maior frequência na Torá do que qualquer outra Mitsvá; o Talmud dedica a ele dois extensos tratados; o Shulchan Aruch, mais de 190 capítulos.

O Shabat é uma aliança separada que Deus fez com os judeus, um sinal eterno entre Ele e o povo de Israel. A correta observância de dois Shabatót consecutivos pelo povo de Israel inteiro traria o Messias. Ele é encarado como um aperitivo do mundo vindouro; a mais acalentada bênção futura é descrita como Iom SheKulô Shabat, um dia que é todo Shabat. Não é tanto um sinal eterno, disse certo rabino, quanto é um sinal da eternidade.

O Shabat é a celebração central dos judeus e estabelece o padrão para as maiores festividades; determina o tempo no judaísmo, caracteriza o estilo de vida judaico. Para determinar se uma pessoa é um judeu tradicional, não se verifica a que instituições está afiliado, mas se respeita ou não o Shabat; ela é ou não um Shomer Shabat?

Não é um Dia de Folga; é um Dia para se fazer Muitas Coisas
O Shabat não é um dia de trabalho, mas também não é um dia de descanso – se descanso significa assistir a um jogo de futebol. Não é um dia livre após uma semana cheia. Não é uma pausa que lhe permite estar pronto para correr por aí durante outros seis dias.
É um dia em que se renuncia ao domínio sobre seu mundo particular, de não carregar consigo as chaves que destravam suas posses materiais, de folga para planejar sua próxima conquista.

É um dia para pensar e crescer, para falar com as pessoas porque elas são pessoas, de cantar com a família à mesa, de orar junto com seus vizinhos, de elevar o espírito e os ideais, de ficar mais íntimo da verdade e beleza, de aproximar-se de Deus, ao inserir-se novamente no ambiente de Sua Torá. É dia de ir à sinagoga, de estudar, de concentrar-se nas questões maiores da vida. Também é dia de comidas especiais e ritmo reduzido – tudo para projetar uma nova ecologia nesta ilha sagrada de tempo.

Há motivos bons e substanciais para que os judeus “amem” o Shabat. Mas seus encantos podem ter pouco efeito sobre você caso não o ame seriamente e o preserve como ele deseja ser preservado. Não há outro modo de entendê-lo e apreciá-lo a não ser “fazendo Shabat ” fielmente. Após uma rápida leitura das leis de Shabat, observá-lo pode parecer algo difícil demais de se fazer. Mas viver o Shabat, especialmente na companhia de outros Shomrê Shabat (observantes do Shabat) pode muito bem dar-lhe uma visão da eternidade.

O conceito de Shabat é demasiadamente vasto em seu propósito, sua dimensão haláchica abrange um universo amplo e suas implicações práticas abrangem uma literatura extensa para que possamos aqui dar mais do que uma mera olhada rápida nele.

Celebração do Dia: A Ideia de Descanso, Menuchá
A celebração do Shabat exige, antes de mais nada, que compreendamos o componente espiritual do descanso e aprendamos a usá-lo.
As leis de Melachá definem o princípio fundamental do Shabat. Durante toda a semana, acreditamos, até certo ponto, que somos os donos de nosso pequeno mundo; no Shabat, declaramos descanso e percebemos que, na realidade, estamos – o melhor e o maior de nós – nas mãos de Deus.

Parar de trabalhar não é suficiente. No Shabat, Deus não criou nada exceto uma coisa: no Shabat, Ele criou o descanso, Menuchá. Só podemos perceber nosso potencial quando descansamos criativamente, deixando que pensamentos elevados, valores mais profundos, preencham o vácuo, passando as horas estudando, brincando com os filhos, falando e andando de modo pacífico, sem pressa.

O Shabat começa precisamente 18 minutos antes do pôr-do-sol; este é o último minuto possível para acender as velas. Lembre-se: o Shabat não começa quando se serve o jantar ou quando os pais voltam do trabalho, quando chegam os convidados nem quando começa o serviço religioso da sexta-feira. O horário exato pode ser encontrado nos calendários judaicos – o pôr-do-sol varia de cidade para cidade – ou, se não houver este calendário, procure a hora do pôr-do-sol nos jornais locais e subtraia 18 minutos.

Se o Shabat começa às 5:42 da tarde, tente não chegar em cima da hora – sem fôlego, suado, arranhado, procurando marcar o máximo de cestas de três pontos e gols de placa. O Shabat é uma rainha. Tudo deve estar preparado e no seus devidos lugares para a sua chegada.

DANDO AS BOAS-VINDAS AO SHABAT
“Saudar o Shabat” envolve acender as velas, participar do serviço religioso de “Kabalat Shabat” que dá as boas vindas ao Shabat, cantar Shalom Alechem à mesa de jantar e fazer o Kidush, a santificação do dia.

ACENDER AS VELAS
Acender as velas é um privilégio da dona da casa. Se ela não puder cumprir esta Mitsvá, o homem pode fazê-lo, mas as velas devem ser acesas dentro da casa. Ela acende as velas pelo menos 18 minutos antes do pôr-do-sol na sala na qual o jantar será servido. As velas simbolizam Shalom Bayit, “paz no lar”, basicamente porque fornece luz suficiente para que a família evite acidentes. Em um nível mais elevado, mais apropriado à metáfora de hoje, Shalom Bayit é uma lembrança vívida de que não descansamos somente do trabalho como descansamos também das brigas e desentendimentos.

A bênção do acendimento das velas deve ser feita, como as bênçãos das demais Mitsvót, antes de acender as velas. No entanto, após a bênção, o Shabat (quando a pessoa está proibida de acender o fogo) já começou e, então, como ela poderá acender as velas? A solução é que a mulher acenda as velas, cubra os olhos, recite a bênção e abra os olhos depois da recitação. Só então, quando ela vir as chamas acesas, é que o Shabat irá começar formalmente para ela. Algumas mães acendem uma vela para cada filho. Isto é uma decisão pessoal, contanto que no mínimo duas sejam acesas. É como um aplauso silenciosos que a família a rodeie neste belo instante.

Extraído do livro BEM-VINDO AO JUDAÍSMO.

Veja também:
O que é respeitar o Shabat?