O término do Shabat é celebrado com a cerimônia de Havdalá (“separação”), para distinguir o dia sagrado do Shabat do restante da semana. Usa-se uma taça e vinho, algum tipo de erva aromática e uma vela trançada, que é apagada por meio do vinho ao fim da mesma, quando as pessoas se abençoam com votos de "Shavúa Tov" – Boa semana!

TUDO QUE É BOM DURA POUCO

O fim do Shabat é traumático. Os judeus têm que deixar o sagrado e voltar ao secular. Esta transformação é marcada por um ritual muito bonito conhecido como havdalá (“separação”). Além de uma bênção de agradecimento a Deus pela capacidade de fazer distinções, o serviço de havdalá faz uso de uma série de belos simbolismos:

Assim como a chegada do Shabat foi marcada com o acendimento das velas, sua partida também é sinalizada por uma chama, mas por uma razão completamente diferente. O Midrásh descreve como Adão ficou assustado ao ver que o sol do seu primeiro dia de vida havia ido embora. Então Deus ensinou-o a fazer fogo para iluminar a escuridão à sua volta e aquecê-lo no frio da noite. Com o fogo, o homem pôde cozinhar, forjar metais e começar a controlar a natureza. Os gregos têm uma lenda sobre Prometeu, que foi condenado pelos deuses pagãos por ensinar às pessoas a arte de fazer fogo. Os judeus agradecem a Deus por ter lhes permitido partilhar do Seu segredo e, ao longo da semana, serem parceiros Dele no ato da Criação.

Os participantes da cerimônia de havdalá aproveitam a luz da chama para olharem as unhas dos dedos. As unhas são uma parte do corpo que cresce a olhos vistos. Observá-las à luz da vela acesa imediatamente após o Shabat é uma forma simbólica de nos perguntarmos se crescemos espiritualmente nesse dia, enquanto nos preparamos para encarar novamente o mundo secular.

Fazemos uma bênção sobre especiarias para dissipar a tristeza pela partida do Shabat. Quando a noite traz um novo dia, sentimo-nos mais fracos devido ao desaparecimento da nossa “alma extra” e precisamos ser reanimados por uma fragrância forte como a dos temperos.

Um copo de vinho simboliza que, do mesmo modo que nos alegramos durante o Shabat, devemos nos sentir felizes pela oportunidade de iniciarmos mais uma semana de trabalho e contribuirmos com a sociedade e com o progresso do mundo.

havdalá nos propicia levar um pouco do Shabat para os dias da semana. Na cerimônia, ativamos todos os cinco sentidos de percepção: a visão, ao vermos a luz da vela; o olfato, ao inalarmos o aroma das especiarias; o paladar, ao bebermos o vinho; a audição, ao ouvirmos as bênçãos; e o tato, quando, segundo o costume, estendemos os dedos por sobre a chama. Por fim, deixamos partir esse dia que nos renovou e agradecemos a Deus por nos permitir que utilizemos nossos cinco sentidos com sabedoria ao longo da semana que está apenas se iniciando.

Extraído de O MAIS COMPLETO GUIA SOBRE JUDAÍSMO, de Benjamin Blech