Durante todo o ano, ao servir-se o pão ou a chalá, costuma-se colocar neles uma pitada de sal antes de ingeri-los. Em Rosh Hashaná – e durante todo o período das Grandes Festas –, o sal é substituído por mel, para que o novo ano seja doce e feliz. Daí o uso de meleiras na mesa festiva do Ano Novo.

Por que se serve mel em Rosh Hashaná?
O costume de comer coisas doces em Rosh Hashaná tem mais de 1500 anos. Ele expressa a esperança de que a doçura permeie a vida dos judeus no ano vindouro. O costume se espalhou rapidamente e hoje, em praticamente todas as mesas de Rosh Hashaná, podemos encontrar um prato de mel.

Por que se serve torta de mel em Rosh Hashaná?
A torta de mel, denominada lêcach (ou leicach), é um prato tradicional da Europa Oriental. Lêcach é uma palavra hebraica que significa “porção”. Serve-se torta de mel com a esperança de que, quem observar as tradições judaicas, será abençoado com “uma boa porção”, um conceito expresso no Livro dos Provérbios (4:2): ”Eu vos dou uma boa doutrina (lêcach), não abandoneis Minha instrução ”.

Por que se serve tsimes de cenoura em Rosh Hashaná?
Tsimes de cenoura é um prato quente de cenoura adoçado com mel, servido em Rosh Hashaná como uma expressão da esperança de que o ano será doce. Outro motivo para a escolha das cenouras é que a palavra em iídiche para cenoura é meiren, que também significa “multiplicar”, expressando assim a esperança de que o ano novo multiplicará as bênçãos do ser humano.

Outra explicação para esta tradição é que, quando as cenouras são fatiadas, elas adquirem a forma de moedas douradas e, assim, são um símbolo de prosperidade.

Por que se serve cabeça de peixe em Rosh Hashaná?
Muitas culturas primitivas acreditavam que aquilo que se comia no começo do ano influenciava o que iria acontecer durante todo o ano. Na tradição judaica, o peixe era um prato popular, porque estava associado com a fertilidade. A cabeça do peixe é servida em Rosh Hashaná com a esperança de que a grandeza e a liderança possam ser a sorte de uma pessoa no ano vindouro.

Quando o peixe é saboreado pela primeira vez, o Shulchán Arúch (Código de Lei Judaica) sugere que estas palavras sejam recitadas: “Queira Deus que o ano que vem nos ajude a alcançar a liderança entre nossos semelhantes; queira Deus que sejamos a cabeça e não a cauda”.

Os judeus da Suíça introduziram pratos à base de peixe adoçados com passas de uva e mel, que eles chamam de lebcuchen ou leibcuchen.

Os judeus do Iraque não comem peixe, porque a palavra hebraica para peixe (dag) soa muito parecida com deagá, a palavra hebraica que significa “preocupação, ansiedade”.

Por que se serve beterraba em Rosh Hashaná?
A base deste costume se encontra no Talmud (Araiót 12a), onde o estudioso Abaiê diz que, no começo do ano, a pessoa deve comer abóbora-moranga, alho-poró, beterraba, tâmaras etc., pois estes crescem em abundância e são de bom agouro.

Os chassidim servem beterraba em Rosh Hashaná, porque a palavra hebraica para beterraba, sélec, tem o som semelhante à palavra hebraica sheyistalcú da frase sheyistalcú oivênu (“Que nos livremos de nossos inimigos”), uma expressão usada em Rosh Hashaná.

Trecho extraído do LIVRO JUDAICO DOS PORQUÊS