Costumamos santificar o Shabat e as festas judaicas por meio de uma bênção sobre uma taça de vinho (ou suco de uva) no jantar e no almoço dessas datas, chamada "kidúsh" (santificação). Para tanto, é costume utilizar um cálice especial para esse fim. Esta seção oferece inúmeras sugestões de cálices de metal com ou sem pé, decorados com desenhos ou bênçãos, bem como distribuidores de vinho e conjunto de tacinhas com bandeja. Le-Chaim! (“À vida!”).


CELEBRANDO O SHABAT E O IOM TOV

(Extraído do livro  JUDAÍSMO PARA O SÉCULO 21)


(1) A alegria na prática   

A celebração do Shabat e do Iom Tóv e sua prática são dois conceitos essencialmente diferentes e, não raro, confundidos. Como vimos no capítulo 41, o Shabat é marcado pelo cessar de toda atividade criativa no mundo físico. Esta prática é simbólica. Sua função é nos conscientizar de que Deus é o Criador. É Ele quem dimensiona os objetivos da existência do universo. Este simbolismo e esta idéia constituem a própria essência do Shabat.

Mas este modo único de observância, embora absolutamente essencial ao conceito de Shabat segundo a Torá, não encerra toda a história. A Torá quer que nós desfrutemos da experiência de devotar todo um dia aos propósitos sagrados de Deus e por isto nos invoca a celebrar e honrar este dia de modo único. 
 
(2) Como honrar o Shabat e o Iom Tov

Honramos a chegada do Shabat e das Festas da Torá mostrando que as vemos como santuários do corpo, da mente e do espírito. "São convocações para a santidade", diz a Torá. "Como expres-samos a santidade destes dias?" perguntam nossos rabinos. Sua resposta: "Com boa comida e vinho, roupas limpas, residências limpas e asseadas, uma imaculada toalha de mesa branca e muita luz." Já sabemos que ser santo, de acordo com a Torá, não significa ficar em estado de tristeza e melancolia, mas de júbilo, vivacidade e alegria. Santidade significa devoção e, se uma refeição festiva contribui com nosso sentimento de dedicação aos admiráveis objetivos da Torá, esta refeição será por si só um ato de santidade.

Além disso, as refeições festivas do Shabat e Moadím são sagradas porque ajudam a fortalecer as relações familiares. A esposa é honrada como rainha do lar, as crianças recebem a atenção que buscam e merecem ter, suas faces brilham com o calor da atmosfera e das palavras de Torá e canções de louvor. Refeições como estas cultivam as sementes de um produtivo futuro espiritual.

Existe um aspecto adicional segundo o qual podemos afirmar que comer e beber são atividades sagradas e não somente atos físicos, especialmente em relação aos Moadím. Quando convidamos outras pessoas a participarem de nossas refeições festivas, certamente estamos cumprindo uma Mitsvá. Se nossos convidados são pessoas carentes - não necessariamente no plano físico, mas necessitadas de apoio emocional, estímulo e companhia - estas refeições transformam nosso deleite de um ato de tomar em um ato de dar. Estamos proporcionando alegria a outras pessoas, e isto é sagrado aos olhos de Deus.

UMA PESSOA DIFERENTE
Mostramos que valorizamos o Shabat e os Moadím com nossa aparência e conduta. Um conhecido rabino de Israel relata que em seus tempos de calouro na Ieshivá de Mir, na Polônia, antes da guerra, estava convencido que o rabino que entrava na sinagoga a cada Shabat não era o mesmo que encontrava durante os dias da semana. O brilho do Shabat transformava sua tez, sua atitude, toda a sua personalidade e era difícil acreditar que se tratava da mesma pessoa. 

HALACHÁ 
* É mandamento rabínico acender velas no lar antes do início de cada Shabat e Moêd, incluindo Iom Kipúr. Este ato santifica os dias sagrados.

* Este privilégio e dever de acender as vela pertence primordialmente à dona da casa.  

(3) Guardando nossas energias

A necessidade de não fazer Melachá (atividades produtivas, mesmo que sem esforço) no Shabat, tão intimamente relacionada com o significado conceitual desse dia, foi largamente discutida no capítulo 41. Uma proibição similar, embora não idêntica, com relação ao Iom Tóv foi examinada no capítulo anterior. Alguns tipos de atividade, no entanto, podem em teoria ser realizadas nestes dias, como por exemplo, mudar a mobília de um cômodo a outro da casa, o que de modo algum envolve o conceito de Melachá. Contudo, honramos o Shabat evitando impor-nos quaisquer esforços adicionais. A proibição de "trabalhar" no seu sentido mais usual, freqüentemente confundida com a proibição de fazer Melachá durante o Shabat, revela aqui seu significado verdadeiro. Apesar de certos tipos de atividades serem permitidos, como mudar móveis da casa de lugar, por exemplo, não devemos exaurir nossas energias no Shabat e Iom Tóv, mas reservá-las para as tarefas mentais e físicas destes dias.

Estas tarefas incluem participar do serviço Divino com a comunidade, ouvir as majestosas palavras da leitura da Torá, a retumbante voz dos profetas de Israel (veja capítulo 65/9). Isto inclui absorver o espírito do Shabat e dos Moadím com o estudo das porções relevantes de Torá, ao lado de nossas famílias e de outros membros da comunidade. Abordamos assuntos de Torá durante as refeições festivas, dando uma oportunidade a nossas crianças de repetirem o que aprenderam durante a semana. Nas comunidades religiosas, o Shabat certamente não é um dia ocioso. A mente e o espírito estão constantemente ocupados neste dia.
Nestas datas invocamos e fomentamos a paz de espírito e a alegria que herdamos da Torá.  

(4) Kidush e Havdalá

Nossos Sábios nos disseram que não é suficiente recebermos o Shabat e o Iom Tóv em silêncio. É necessário reunir nossos amigos e familiares para proclamarmos com palavras a santidade e o propósito destes dias, na cerimônia chamada Kidush, ou santificação, quando declaremos nossa fidelidade a Deus, que nos escolheu como arautos dos Seus propósitos. Para adicionar solenidade ao Kidush, a declaração é feita pelo chefe da família sobre um cálice de vinho cheio até a borda, seguida por uma refeição festiva.

À conclusão do Shabat e do Iom Tóv, após o serviço noturno (Tefilá Arvít), tem lugar a cerimônia da Havdalá (separação entre o sagrado e o secular), quando pronunciamos uma bênção sobre um copo de vinho (ou outras bebidas Casher), não necessariamente se-guida de uma refeição. Segundo um costume antigo, adicionamos à bênção pronunciada sobre o vinho durante a Havdalá, uma bênção sobre fragrâncias (para "restaurar a alma" após a partida do Shabat) - veja capítulo 41/5, "Pacto de Bênçãos") - e outra bênção sobre uma nova chama, acesa especialmente para este propósito (como significado de uma nova entrada no mundo das atividades produtivas).   

   
(5) Chol Hamoêd (dias intermediários das festas)

A Torá designa sete dias para Pêssach e oito dias para Sucót (somando seus sete dias com o dia de Sheminí Atséret), mas somente nos primeiros e últimos dias somos proibidos de fazer Melachót. Por um lado, os "dias intermediários" são sagrados, por serem parte integral destes Moadím; mas por outro, são "dias comuns", por não portarem a proibição de fazer Melachá. Daí receberem o nome de Chol Hamoêd - dias comuns pertinentes ao Moêd. Nossos Sábios decretaram que devemos torná-los mais parecidos ao Moêd do que aos dias comuns, evitando trabalhar durante estes dias. Nestes dias não devemos nos ocupar com grandes esforços físicos, exceto para impedir algum prejuízo de ordem financeira. Atividades que servem para dar mais brilho e sentido ao Moêd estão permitidas. 

(6) Aspectos sociais

"Comerás, beberás e te jubilarás na cidade sagrada, onde repousa o Nome de Deus, e com isso aprenderás a reverenciar a Deus todos os teus dias."

Aos olhos da Torá, reverenciar a Deus está intimamente associado à alegria. Em nenhuma outra ocasião este princípio tem maior aplicação do que nos Moadím. Nossos lares e nossas comu-nidades estão em estado de júbilo. As pessoas ficam felizes ao alegrarem umas às outras Um ambiente de Torá assegura que este júbilo não é um ato de diversão egoísta, mas o desdobramento do ato de espalhar alegria.

"Onde repousa o Nome de Deus" refere-se aos locais onde a Torá é estudada em profundidade e sua sabedoria está ao dispor de todo aquele que a procura. No capítulo 64/4, abordaremos a influência benéfica do estudo da Torá em todos os níveis da comunidade. Os Moadím prestam-se a difundir o estudo da Torá em escala nacional. "A Israel foram dadas as festas sagradas para que possam comer, beber e ocuparem-se com o estudo da Torá." Num Estado regido pela Torá, o lapso de tempo ocupado pelos Moadím apresenta uma oportunidade para elevar o nível intelectual e espiritual da população. O enriquecimento espiritual que vem do estudo da Torá melhora a vida dos cidadãos. 

Extraído do livro JUDAÍSMO PARA O SÉCULO 21