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Este livro foi escrito inicialmente há cerca de 50 anos. A presente edição foi revista e ampliada para atender ao estilo e às normas do século 21. Nele, foram incluídas histórias da nossa literatura, para mostrar como os princípios apresentados aqui afetaram a vida dos judeus em todas as eras.
Este singelo livro foi a estreia literária do Daian (juiz) Grunfeld. Ele foi considerado "a melhor exposição disponível em inglês sobre o Shabat", sendo traduzido para vários idiomas, inclusive para o hebraico sob o título de Mataná Guenuzá, e agora é publicado também em português, numa tradução de David Gorodovits, que também assina o posfácio, e ricamente ilustrado por Ivo Minkovicius.
* * *
A particularidade deste livro sobre todos os outros que dissertam sobre o Shabat é que ele destaca seu significado haláchico, demonstrando que a abstenção de melachá ("atividade") em qualquer de suas ramificações é o coração pulsante e o núcleo de sua observância. Esse é um aspecto do Shabat judaico classificado frequentemente pelos ignorantes como "uma ênfase sem sentido sobre detalhes triviais".
Com muita profundidade, o Rabino Hirsch apresentou um conceito majestoso sobre issur melachá, a proibição de executar determinadas atividades. Ele a explica como sendo a abstenção de toda atividade criativa por um dia em cada sete, o que, por meio dessa atitude, presta um testemunho eloquente da necessidade de vivermos no mundo do Criador como uma de suas criaturas e de usar toda a potencialidade humana a Seu serviço.
Esse conceito, tão bem apresentado neste livro, deve pôr um fim a esse tipo de incompreensão de uma vez por todas. Seguramente, alguém que tenha lido esta obra não poderá, honestamente, voltar a argumentar que, por exemplo, a lei do Shabat contra acender fogo aplicava-se apenas na época em que isso envolvia o árduo trabalho de atritar pesadas pedras...
O quarto de século decorrido desde o lançamento deste livro, durante o qual houve uma crescente desumanização e despersonalização do ser humano, assim como uma grave erosão dos padrões morais, serviu apenas para reforçar a mensagem com a qual o Daian Grunfeld estava tão apaixonadamente comprometido - a eterna relevância das leis da Torá, especialmente aquelas referentes ao Shabat, e a regeneração espiritual do povo judeu e de toda a humanidade.
Rabino Aryeh Carmell
autor de Judaísmo para o Século 21
e editor de Em busca da verdade
*
PROMOÇÃO ESPECIAL:
Bem-vindo ao Judaísmo e O que é respeitar o Shabat
O que é Cashrut? e O que é respeitar o Shabat?
*
Sobre o significado do Shabat, veja também:
O Schabat - Seu significado para o homem moderno
Shabat - A alma da semana
Shabat - Dia de Eternidade
“O trem prosseguia com sua carga humana. Nos vagões totalmente lotados, espremidos uns contra os outros, numa atmosfera sufocante, seus infelizes ocupantes mal conseguiam se mexer.
Isso aconteceu numa sexta-feira à tarde; os judeus, homens e mulheres, que se espremiam naquele transporte nazista, afundavam-se mais e mais em sua miséria e desespero.
Subitamente, uma senhora idosa conseguiu, com grande esforço, fazer os movimentos necessários para abrir sua trouxa e dela retirar dois castiçais e duas chalot (pães trançados). Ela as tinha recém-preparado para seu Shabat, quando foi arrancada de seu lar, naquela manhã. Junto com os castiçais e as velas, elas foram as únicas coisas que conseguira trazer.
Logo a chama da velas iluminou as faces dos torturados judeus e se fez ouvir a melodia de Lechá Dodi (canção com que se saúda o Shabat que vai começar), o que transformou totalmente a cena.
Apesar de tudo, o Shabat, com sua atmosfera de paz, tinha chegado ali.”
Essa passagem, relatada ao autor por uma testemunha ocular que sobreviveu, não se constitui em fato isolado em nossa história. Episódios sem conta, similares a este, poderiam ser citados por judeus que se apegaram ao Shabat, mesmo em face da morte ou de sua ameaça.
Qual o segredo do apego do coração judeu ao Shabat?
Meros sentimentos não explicariam isso.
Talvez, consciente ou inconscientemente, seja a realização da antiga afirmação, relatada no versículo 17 do capítulo 31 do Livro do Êxodo: “Este é um sinal eterno entre Mim e os filhos de Israel...”
Pois o Shabat expressa todas as ânsias da alma judaica e cada uma de suas facetas reflete algo da Presença Divina.
Introdução à 5ª Edição em Inglês
In Memoriam ao autor
In Memoriam ao editor
Prefácio do Autor
Capítulo 1 - O ESPÍRITO DO SHABAT
O significado do Shabat
O Shabat e a vida
Capítulo 2 - O CONCEITO DE MELACHÁ
O que é melachá?
A idéia contida no conceito de melachá
Classificação por objetivos
Significado especial de "transportar"
Capítulo 3 - OBSERVÂNCIA DO SHABAT NA PRÁTICA
Salvaguardas do Shabat
Visão prática das categorias de melachá
Trabalho executado por um não-judeu
Doenças no Shabat
Descanso dos animais
Capítulo 4 - A CELEBRAÇÃO DO SHABAT
1. O espírito de Menuchá
2. Recebendo o Shabat
3. As velas do Shabat
4. O início do Shabat
5. A santificação (Kidush)
6. Os dois pães do Shabat
7. A alegria do Shabat
8. A despedida do Shabat (Havdalá)
9. Atividades no Shabat e nos dias de semana
10. Viagens durante o Shabat
11. As crianças e o Shabat
Capítulo 5 - O SHABAT E O MUNDO MODERNO
1. Os aspectos econômicos da observância do Shabat
2. O Shabat e o Estado de Israel
Posfácio à Edição Brasileira
Assista a uma verdadeira "aula" de judaísmo sobre o SHABAT com David Gorodovits clicando AQUI.
Este pequeno volume tem um propósito bastante prático: servir de guia para a compreensão adequada da observância do Shabat como fundamento da nossa fé.
Embora não seja extenso, muito tempo, trabalho e reflexão foram despendidos nele.
Inicialmente, gostaria de expressar minha profunda gratidão ao Rabino Aryeh Carmell, que me ajudou durante a preparação e publicação deste livro, contribuindo em várias seções dele.
Qualquer texto que apresente o Shabat como a instituição fundamental do judaísmo deve, necessariamente, ser dividido em duas partes: uma agádica, expondo as idéias fundamentais do Shabat, e outra haláchica, explicando as leis de sua observância prática. Tentei mesclar as duas.
As bases para a primeira foram principalmente a agadá contida no Tratado de Shabat, do Talmud Babilônico, na literatura midráshica e, entre as obras modernas, nos escritos do Rabino Samson Raphael Hircsh, um dos mais destacados pensadores judeus do século passado.
Na parte de halachá, além dos códigos e trabalhos mais conhecidos sobre Lei Judaica, usei o livro Sabbath-Vorschriften, do Rabino E. Biberfeld, publicado na Alemanha há cerca de 50 anos, o qual se tornou muito popular. Expresso meus agradecimentos à sra. Fanny Kahn, que pôs à minha disposição a tradução desse pequeno livro.
Devo esclarecer que as regras haláchicas seguem a prática ashkenazi.
Sou grato também ao Daian A. Rapoport e ao Rabino Dr. S. Mannes, por sua assistência em relação a essa parte.
Agradecimentos são devidos também a Norman Solomons M.A., por suas muitas sugestões.
Arrisco dizer que este livro aprofundará a compreensão sobre nosso sagrado Shabat, servirá como uma introdução ao conhecimento de suas leis e, eventualmente, conduzirá o leitor a estudar as fontes haláchicas e agádicas. Acredito também que servirá de ajuda aos educadores judeus.
Finalmente, rogo ao Eterno que, com Sua ajuda, possa este livro oferecer assistência àqueles que, infelizmente, perderam o Shabat, para que possam reencontrar a paz e as bênçãos que provêm de sua observância.
Isidor Grunfeld
Londres
5714/1954
Ele dedicou toda a sua vida à interpretação das idéias e dos trabalhos de seu mestre, tornando-os acessíveis à nossa geração. Foi um advogado eloqüente da aplicação dos pontos de vista Hirschianos aos problemas correntes do século 20. Herdou do Rabino Hirsch a amplitude de visão que o imortalizou. Ele tinha amplo conhecimento das correntes do pensamento secular e considerava bem-vinda cada oportunidade que se lhe deparava para demonstrar a relevância da Torá na solução dos problemas mais complexos da humanidade.
Ele lutou conta a mentalidade estreita do shtiebel (pequenas casas de oração características das cidadezinhas da Europa) que consideravam que a posse e o interesse da Torá eram apanágio apenas de uma pequena porção do povo. Entretanto, manteve-se sempre em bons termos com os participantes desses círculos, conquistando sua admiração, afeto e respeito.
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