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Apresentação esmerada da história do povo judeu, desde o patriarca Abraão até a expulsão dos judeus da Espanha, utilizando rica iconografia, mapas, tabelas e linhas cronológicas, que facilitam a compreensão do leitor.
"Não existe objetividade na história. O historiador é um artista que, baseado em fontes e documentos, relata sua impressão pessoal do passado de forma completamente subjetiva. Objetividade? Peça a um alemão e a um inglês para escreverem objetivamente sobre a Segunda Guerra Mundial. Você terá dois fantásticos e objetivos relatos completamente diferentes!"
Assim Hans Borger, um historiador amador, apaixonado pela história do povo judeu, define o seu trabalho. Ele foi um autodidata, e desde a juventude estudou e pesquioua sobre a história de seu povo.
De acordo com o Prof. Dr. Nachman Falbel, titular de História Medieval da USP, "um dos méritos, entre outros, da obra de Hans Borger é o de apresentar a matéria em questão à luz das novas descobertas arqueológicas e da pesquisa mais recente numa síntese amena e atraente... escrita com honestidade intelectual, isenção de espírito e conhecimento dos fatos".
"As obras disponíveis no mercado brasileiro são boas, mas esbarram em dois pontos: são maçantes - na forma e na linguagem - e falam, geralmente na 3ª pessoa" - argumenta o editor Jairo Fridlin - "A visão de um judeu sobre a história de seu povo, numa linguagem clara e moderna, consubstanciada por mapas, ilustrações e didáticas cronologias - este é o nosso diferencial."
*
Discorrendo sobre o judaísmo europeu a partir do século 11, Hans Borger - um historiador amador, apaixonado pela história do povo judeu - nos leva pelos guetos da Polônia e da Rússia e pelos salões da Alemanha e Áustria iluministas, nos mostra a imigração rumo à América, onde começa a brotar uma nova diáspora, e o início do desastre judaico com a chegada do nazismo.
Discorre também sobre o despertar do nacionalismo judaico e o início da restauração da antiga pátria em Israel.
* * *
Os dois volumes são vendidos juntos, sob nenhuma hipótese separadamente.
Os volumes desta edição vêm em capa mole com orelhas largas (para garantir maior rigidez da capa).
PROMOÇÃO ESPECIAL:
Uma História do Povo Judeu (1 e 2) e Breve História do Judaísmo
1. Introdução
Todas as nações têm sua data nacional. O Brasil até poderia escolher entre várias: o dia da Proclamação da República, o da Independência, ou mesmo o do Descobrimento. A França comemora o 14 de julho, em que aconteceu a queda da Bastilha, e os Estados Unidos, o 4 de julho, dia em que festejam a sua Declaração de Independência.
E os judeus? A maioria provavelmente indicará a festa de Pessach em que recordam a libertação dos seus antepassados do cativeiro no Egito, o Êxodo, ocorrido por volta do ano 1250 a.e.c. (Todas as datas serão assinaladas: a.e.c. quando antes da Era Comum, ou e.c. para a Era Comum) Curiosamente, os judeus não atribuem sua origem a uma família de nobres ou a um rei mitológico. Reivindicam tendo sido seu ancestral mais remoto um pastor seminômade que decidiu peregrinar da Mesopotâmia a Canaã e derivam a criação de sua identidade nacional não de uma heróica guerra de independência, mas da bem sucedida fuga de um bando de escravos oprimidos.
Uma vez libertados do cativeiro egípcio, os judeus retornam à Terra Prometida por Deus aos seus patriarcas para lá se constituir numa nação vigorosa. Nesta terra, proclamam um reino que posteriormente se dividiria em dois – num são derrotados por uma das grandes potências imperiais da Antiguidade, os assírios, no ano 722 antes da era comum; noutro, em 586, são batidos por outra superpotência, os babilônicos. Depois de exilados pelos vitoriosos, voltam à terra ancestral, reconstroem sua pátria, proclamam um segundo Estado, e são novamente subjugados, desta feita pelos romanos, no ano 70 da era comum.
Contrariando todos os precedentes, os vencidos sobrevivem em comunidades dispersas. Ressurgem depois de 2.000 anos para resgatar sua vida nacional e criar, pela terceira vez, seu Estado próprio, Israel, cuja independência proclamam em 14 de maio de 1948.
Não só esta tenacidade é ímpar na História Universal. Não menos extraordinário é o fato de que o livro que narra a primeira fase da história dos judeus – ou israelitas, como eram chamados na Antiguidade – foi adotado por mais duas religiões como Livro Sagrado: o cristianismo e o islã. Tornou-se, assim, o livro mais vendido no mundo. Todos o têm, poucos o leem. Esse livro, a Bíblia, é o principal acesso à história de Israel antiga, para alguns períodos até mesmo o único.
Até o século XVIII, a credibilidade da Bíblia era incontestada. Tudo o que nela estava escrito era palavra de Deus e não podia ser colocado em dúvida. Além disso, seu conteúdo não era assunto para historiadores e sim para teólogos. Mas com a chegada do Iluminismo, a razão invadiu o terreno até então reservado à fé, e a história de Israel foi secularizada. A Crítica Bíblica tornou-se uma verdadeira ciência. Os eruditos começaram a dissecar os textos sagrados, especialmente o Pentateuco – os Cinco Livros de Moisés –, chegando à conclusão de que não poderia ter sido escrito por uma só pessoa, mas sim que nele desaguaram várias fontes de diferentes épocas, cada uma identificável por seu próprio vocabulário, estilo, linguagem e outras peculiaridades. As teorias altamente complicadas dos eruditos sobre quem, quando e onde escreveu o quê não só ocuparam as mentes de filólogos e teólogos, mas contagiaram inclusive os historiadores de tal modo que, para muitos, a Bíblia ficou desacreditada como registro fidedigno de eventos históricos e, em consequência, reduzida a uma coletânea de edificantes lendas.
Mas com o passar do tempo, um número cada vez maior de pesquisadores começou a rever suas posições, concluindo que talvez tenha havido um excesso de generalizações e posturas demasiadamente céticas. Contribuiu para isso, especialmente a partir do século XX, o surgimento de ramos do saber humano como a Antropologia e a Psicanálise, que lançavam novas luzes sobre velhos problemas. E especialmente elucidativas foram as descobertas feitas pela Arqueologia, que de mero hobby se transformou numa ciência altamente sofisticada. Assim, maravilhou a todos o fato de que leis, normas e modo de vida da era patriarcal conforme descritas na Bíblia, nada tinham de meramente lendário, pois correspondiam fielmente aos retratos dessa mesma época, surgidos através de cada vez mais surpreendentes escavações e decifrações de textos antigos de outros povos em lugares com nomes estranhos como Tel el Amarna, Ugarit, Mari ou Nuzi, em países hoje chamados de Egito, Síria ou Iraque.
Tudo isso, enfim, resultou numa reviravolta bastante grande, fazendo prevalecer, mesmo entre os estudiosos mais críticos, uma reavaliação de sua postura cética quanto à autenticidade da historiografia bíblica, pelo menos até prova em contrário. De fato, atualmente, muitos eruditos de peso defendem vigorosamente a perfeição e a harmonia dos textos bíblicos, já não duvidando de que mesmo as figuras remotas dos patriarcas e das matriarcas representem personalidades históricas. Os retratos desses homens e dessas mulheres são tão nítidos e a narração de suas vidas possui tamanha riqueza de detalhes e teor de autenticidade – dissimilar dos mitos orientais, gregos ou nórdicos –, que seria uma temeridade não atribuir valor histórico à descrição de suas idas e vindas, de como se vestiam e comiam, amavam e odiavam, brigavam e lutavam, casavam e morriam.
Um acaso qualquer, uma cabra extraviada numa caverna, o tropeço de um beduíno ou de um turista, poderá proporcionar descobertas maravilhosas, quem sabe mesmo mencionando nomes como Abrahão e Jacob, Sarah, Rebeca, Raquel e Léah. Fica-se então à espera de um afortunado acidente, que revolucione a semitologia de modo tão profundo como o achado da Roseta por Champollion revolucionou a egiptologia. Enquanto isso, a questão da descendência física do povo de Israel, dos patriarcas e das matriarcas, empalidece em importância ante o significado fundamental desses homens e dessas mulheres terem sido seus precursores espirituais.
2. O Ambiente
Traçando um arco a partir do que é hoje o Egito, passando ao norte de Israel e do Líbano, adentrando a Síria e atravessando o Iraque, desembocando finalmente via Kuwait no Golfo Pérsico, tem-se o desenho de uma meia-lua geográfica, imagem que ficou conhecida como o Crescente Fértil. É uma região que, desde a Idade da Pedra, constituiu o berço de inúmeras civilizações altamente desenvolvidas. Assim foi especialmente no Egito e na Mesopotâmia onde, lá o Nilo, nesta o Eufrates e o Tigre, despejam em abundância a bênção das suas águas, elemento vital sem o qual não haveria subsistência para o homem. Entre esses dois berços de civilizações – o Nilo e o Eufrates – há uma ponte estreita de terras férteis, a diminuta faixa entre o Mediterrâneo e o pequenino Rio Jordão, conhecida na Antiguidade pelo nome de Canaã. O resto é deserto, um fascinante deserto que não produziu civilizações, mas se mostrou um convite para as visões de profetas.
Canaã é o cenário da parte inicial da história de Israel. Ao norte, o país faceia montanhas cobertas por neve no inverno; ao sul, deserto causticante, que se estende sob um sol implacável até o Mar Vermelho; a oeste, as ondas e a brisa do Mediterrâneo; a leste, o Rio Jordão, antes uma minúscula barreira frente a outro deserto do que potente meio de comunicação como o são os rios navegáveis. Ele se forma no Lago de Tiberíades, antigamente chamado Mar da Galileia, e desemboca no Mar Morto, 400 metros abaixo do nível do mar, ponto mais baixo do planeta Terra. Do Mediterrâneo ao Jordão são aproximadamente 80 quilômetros (São Paulo-Santos), e uns 450 quilômetros vão do sul ao norte (São Paulo-Rio). No meio, morros aprazíveis e vales verdejantes, desde que a chuva ajude e os habitantes não negligenciem o trabalho.
O país é habitado desde tempos pré-históricos. Perto do Lago de Tiberíades e em cavernas próximas a Haifa, arqueólogos encontraram fragmentos de crânios – o “homem de Carmelo” – datados da Era Paleolítica (c.15.000 a.e.c.). Mas a cortina da História propriamente só se abre sobre Canaã por volta do terceiro milênio. A partir daí, as superpotências da época brigam pelo domínio sobre a pequena faixa de terra. Ela é a ponte cobiçada para o trânsito de mercadores e exércitos. Incessantemente, confrontam-se pelo domínio dessa região, os impérios egípcio de um lado e os de Sumer, Acad, Assíria e Babilônia do outro. Sem contar as ondas de invasores que periodicamente brotam através dos desertos e do mar. Terra estratégica, até hoje.
Perto do fim do segundo milênio antes da era comum, chegam a Canaã os Povos Marítimos, vindos das Ilhas Gregas ou da Ásia Menor, superiormente armados, entre eles os filisteus. Só dominam o país por pouco tempo, menos de dois séculos, quando são expulsos ou reduzidos. Quer a ironia da História que, não obstante o curto prevalecimento dos filisteus em Canaã, gregos e romanos mais tarde chamassem a pequena faixa costeira do extremo leste do Mediterrâneo de Palestina, nome que se perpetuou.
O nome Canaã não identifica propriamente uma nação, mas uma entidade geográfica; tanto assim que na realidade nunca existiu um Estado cananeu. Inclusive, talvez, por razões topográficas. Havia, isto sim, numerosas cidades-Estado habitadas por uma população idiomaticamente afim, miscigenada e de múltiplas origens, que durante algum tempo foi de grande importância cultural dentro do ambiente semita do Crescente Fértil. Na ausência de coesão política, o país foi governado por dezenas de “reis” e “príncipes”, geralmente sob a suserania de uma ou outra das superpotências e permanentemente vulnerável às incursões de tribos dos desertos limítrofes.
1ª Parte - Das Origens de Israel à abolição do patriarcado
I. FORMAÇÃO DE UM POVO
1. Introdução
2. O Ambiente
3. A Era dos Patriarcas
4. No Egito
5. A Sarça Ardente
6. Êxodo
7. Sinai
8. No Deserto
II. O POVO TORNA-SE NAÇÃO
9. Tomando Posse de Canaã
10. A Época dos Juízes
11. Samuel
III. A MONARQUIA
12. O reinado de Saul
13. Saul e David
14. David, rei de Judá
15. Um Império Israelita
16. Intrigas e Sucessão
17. Salomão
IV. SAMÁRIA E JUDÁ
18. Novos rumos na Samária: Do Cisma a Jeroboam II
19. No Reino de Judá: De Reoboam a Uzias
20. Miscelânea dos séculos VIII e VII
21. O Profetismo
22. Amós e Oseias
23. A Queda da Samária: De Menahém a Oseias
V. A ERA DAS REFORMAS
24. Judá ao Tempo de Isaías: De Acas a Manassés
25. A Reforma de Josias
26. Judá entre os Impérios
27. De Josias a Jeremias
28. O Jugo de Nabucodonosor
29. Miscelânea dos séculos VI e V
VI. EXÍLIO E RESTAURAÇÃO
30. Junto aos rios da Babilônia
31. O Grande Desconhecido
32. O Primeiro Retorno
33. Ezra, o Escriba
34. A Missão de Neemias
35. Séculos de Silêncio
VII. O DESAFIO HELENISTA
36. A Grécia invade o Oriente
37. Judá sob o Helenismo
38. Confrontação
39. Os Macabeus
VIII. O SÉCULO DOS HASMONEUS
40. Independência e Expansão da Judeia
41. Política e Religião sob os Hasmoneus
IX. ROMA E JERUSALÉM
42. Os últimos Hasmoneus
43. Herodes
44. Os Primeiros Procuradores
45. Anseio Messiânico
46. Jesus de Nazaré
47. Nascimento de uma nova religião
48. Calígula
49. Agripa I
50. Nas Garras de Roma
51. Miscelânea dos séculos I a.e.c. a I e.c.
X. A GUERRA CONTRA ROMA
52. O Início da Revolta
53. Um Governo de Coalizão
54. Campanha da Galileia. Josefo
55. Ódio Gratuito
56. A Queda de Jerusalém
57. Epílogo
XI. A NAÇÃO SOBRE AS RUÍNAS DO ESTADO
58. "Capta mas não devicta"
59. Paz e Guerra na Diáspora
60. De Iabne a Bar Kokhba
61. Reconstrução. A Mishnah
62. Triunfo do Cristianismo
63. Despedida da Terra Prometida
2ª Parte - DE ERETZ ISRAEL À BABILÔNIA E ESPANHA
I. DO FIM DO PATRIARCADO EM ERETZ ISRAEL AO ADVENTO DO ISLÃ
1. Transmissão de Liderança
2. O Talmud Bavli
3. Dois Séculos Sassânidas
4. Eretz Israel sob bizantinos e árabes
5. "Idade Média" na Europa Emergente
II. SOB O ISLÃ ORIENTAL
6. Os Judeus na Arábia
7. O Advento do Islã
8. Os Primeiros Califas
9. Midrash e Massorah
10. Gueonim e Exilarcas
11. Movimentos Sectários e o Cisma Karaita
12. Saadia Gaon
13. Da Vida Econômica no Califado Oriental
III. NA ESPANHA MUÇULMANA
14. Conquista
15. Simbiose
16. Transição
IV. LUZES DA CULTURA JUDEU-ÁRABE
17. Salomão ibn Gabirol
18. Bahya ibn Pakuda
19. A Família ibn Ezra
20. Judah Halevi
V. FÉ E RAZÃO
21. Maimônides
22. Os Tradutores da Provença
23. A Controvérsia Maimonidiana
24. Misticismo
VI. NA ESPANHA CRISTÃ
25. Reconquista
26. Disputas e Sermões
27. Tensões Internas
28. O Desastre de 1391
29. Tentativas de Restauração
30. Os Conversos
31. A Inquisição Espanhola
32. Êxodo Hispânico
33. Epílogo Lusitano
POSFÁCIO
OBRAS CITADAS
GLOSSÁRIO
BIBLIOGRAFIA GERAL
ÍNDICE DE MAPAS
ÍNDICE DE CRONOLOGIAS
ÍNDICE REMISSIVO
1ª Parte - DE RASHI À RENASCENÇA
I. DOS CAROLÍNGIOS AOS CRUZADOS
1. Sefaradim e Ashquenazim
2. Sob os Carolíngios
3. Rabênu Guershom e Rashi
4. Na Inglaterra
5. As Cruzadas
6. Por quê?
II. HEROÍSMO E INFÂMIAS
7. Kidush Hashem
8. Usura
9. Assassinato Ritual e Profanação da Hóstia
III. DO MEDIEVO SOCIAL E CULTURAL
10. A Kehilah
11. Órgãos Comunitários
12. A Sinagoga
13. A Mulher na Sociedade Judaica
14. Os Tossafistas
15. Os Hassidei Ashquenaz
16. Miscelânea Medieval
IV. DESALENTO ASHQUENAZI
17. O Distintivo Amarelo
18. As Queimas do Talmud
19. A Peste Negra
20. Expulsões
V. NA EUROPA ORIENTAL
21. Crescimento
22. Vida Econômica e Social
23. Organização Comunitária
24. Vida Cultural
25. 1648: Antecedentes e Consequências
VI. NA ROTA DOS SEFARADIM
26. Introdução
27. Primeiros Desembarques
28. Evolução na Argélia
29. Tunísia
30. Marrocos
31. Na Líbia
VII. EM TORNO DO MEDITERRÂNEO ORIENTAL
32. Egito
33. Síria
34. Salônica
35. Istambul
36. A Família Mendes-Nassi
37. Eretz Israel
VIII. MOVIMENTOS MESSIÂNICOS
38. David Alroy
39. Reuveni e Molkho
40. Shabatai Tzevi
IX. DA RENASCENÇA AO GUETO
41. Da Arte Judaica
42. Livros
43. Na Itália Renascentista
44. De Judeus e Papas
45. O Gueto
2ª Parte: DO ILUMINISMO AO ANTISSEMITISMO
I. OS SÉCULOS XVI E XVII NA EUROPA CENTRAL E OCIDENTAL
1. Da Reforma Protestante
2. Na Boêmia. O Maharal
3. Os Marranos de Amsterdã
4. Os Rebeldes de Amsterdã
5. Manassés ben Israel e o Retorno à Inglaterra
6. Os Judeus da Corte
II. NO CAMINHO PARA A MODERNIDADE
7. Iluminismo e Haskalah
8. A Luta pela Emancipação
9. A Revolução Americana
10. A Revolução Francesa
11. Napoleão Bonaparte e o Sanedrin
III. OS JUDEUS NO LESTE EUROPEU
12. A Polônia após 1648
13. O Hassidismo
14. Oposição ao Hassidismo
15. Na Rússia Czarista (1795-1880)
IV. TRIUNFOS E DERROTAS
16. O Congresso de Viena
17. Assimilação
18. A Revolução de 1848
19. Na Inglaterra do Século XIX
20. Reformas
21. Wissenschaft - A Ciência da Judaísmo
22. Antissemitismo Alemão, Austríaco, Francês
V. RUMOS NOVOS
23. Pogrom
24. Auf nach Amerika!
25. Judeus na Argentina
26. A Comunidade Judaica no Brasil - por Prof. Nachman Falbel
VI. SIONISMO: "O POVO A CAMINHO"
27. Precursores
28. Os "Amantes de Sion"
29. Theodor Herzl
30. O Judenstaat
31. Congresso Sionista
32. Oposição. Uganda
33. Os Pioneiros 1880-1914
VII. DECÊNIOS CRUCIAIS
34. O Socialismo Judaico (1880-1914)
35. Novas Fronteiras no Leste Europeu (1918-1939)
a) Hungria
b) Romênia
c) União Soviética
d) Polônia
36. A Comunidade Norte-Americana (1914-1939)
VIII. DA DECLARAÇÃO BALFOUR AO LIVRO BRANCO
37. A Palestina Durante a I Guerra Mundial
38. A Declaração Balfour e o Mandato
39. A Evolução do Yishuv (1917-1930)
40. Confrontos com o Nacionalismo Árabe
41. O Livro Branco de 1931
42. A Agência Judaica Ampliada
43. Jabotinsky e o Revisionismo
44. A Caminho do Livro Branco de 1939
XIX. A EUROPA SOB O NAZISMO
45. A República de Weimar
46. Simbiose Judeu-Alemão
47. Os Nazistas no Poder
48. Rumo à Catástrofe
49. Kristallnacht
50. O Drama dos Refugiados
51. Epílogo 1939
À GUISA DE POSFÁCIO
OBRAS CITADAS
GLOSSÁRIO
ÍNDICE DE MAPAS
ÍNDICE DE CRONOLOGIAS
ÍNDICE REMISSIVO
Este livro foi escrito por um leigo para leigos, sem pretensões acadêmicas.
Seu propósito é convidar o leitor para uma viagem através da saga de um povo que há quatro mil anos perambula pela História e, estranhamente, continua a despertar quase que diariamente uma atenção muito desproporcional a seu pequeno número, sua limitada geografia ou seu modesto PIB.
Fascinado pela incomum trajetória do povo a que pertence, o autor tentou, no decurso de um longo tempo, aprender algo sobre os porquês e os comos do passado e, a certa altura, empolgou-se com a ideia de contagiar outros com a sua curiosidade e a ânsia de satisfazê-la.
Se conseguir estimular um ou outro leitor a ir além do que este modesto livro proporciona, sentir-se-á ricamente recompensado.
*
No primeiro volume de Uma História do Povo Judeu foi possível criar uma narrativa em linha mais ou menos reta, tanto cronológica como geograficamente. Já no segundo volume, esse método mostrou-se impraticável.
Contribui para isso o fato de que dois êxodos, um da Península Ibérica e outro do Leste europeu, um coincidindo com as Grandes Descobertas e o outro com os avanços do transporte em massa pela navegação de longo curso, ampliaram extraordinariamente as dimensões da Diáspora judaica.
A grande variedade de acontecimentos, simultâneos mas em lugares diferentes, em clima gélido ou escaldante, em situações econômicas e políticas distintas, sob regime muçulmano ou cristão, católico, ortodoxo ou protestante, exigiu a substituição da narrativa em linha reta por certo número de vaivéns. Contudo, a fim de resguardar a fluência da narrativa, preocupei-me em limitar os saltos no tempo e no espaço ao mínimo necessário.
Desejo uma leitura proveitosa aos que já me acompanharam na primeira viagem, e saúdo com alegria os que embarcam agora. Obrigado a todos que me estimularam a prosseguir no meu trabalho, e agradeço especialmente ao Prof. Dr. Nachman Falbel, cuja orientação em mais de uma ocasião foi de inestimável valor e que gentilmente contribuiu para este livro com o capítulo “A Comunidade Judaica no Brasil”.
* * *

Hans Borger nasceu em Berlim, Alemanha, em 15 de novembro de 1921. Em 1936, diante da ameaça nazista que se apresentava no horizonte, seus pais decidiram transferir residência para o Brasil, e Hans, então com quinze anos, foi obrigado a abandonar os estudos formais para trabalhar, ajudando seus pais e irmão no comércio.
Integrou-se rapidamente na comunidade judaica paulistana, participando ativamente de vários movimentos juvenis e, adulto, ocupou cargos importantes na vida comunitária.
Em 1946, casou-se, em primeiras núpcias com Lieselotte Kahn (falecida em 1963), com quem teve três filhos – Daniel, Ruth e Edgar – e, em 1964, com Suzanne Florsheim, com quem teve outros dois filhos – David (falecido em 1985) e Ari.
Ávido leitor e historiador apaixonado, a par de alguns cursos extracurriculares, compensou a falta de instrução formal completando sua formação essencialmente como autodidata. De aguçada curiosidade intelectual e natureza detalhista e persistente, especialmente após sua aposentadoria passou a dedicar-se com afinco à pesquisa do tema que mais lhe tocava o coração: a história do povo judeu.
Os dois volumes da obra Uma História do Povo Judeu são o resultado de dezenas de anos de convivência com acadêmicos e de estudo e pesquisa próprios.
Nas proximidades de seu nonagésimo aniversário, quando perguntado sobre os momentos mais marcantes de sua vida, sua resposta foi imediata: “Ah, ter tido o prazer e a honra de ter trocado correspondências com Martin Buber, foi inesquecível.”
Faleceu em São Paulo, Brasil, em 22 de dezembro de 2011, deixando aos netos Fábio, Verônica, Sharon, Karen, Gabriel, Alan, Roberta, Rafael e Bernardo, e aos bisnetos, Estrella, Moises, Bernardo, Paulina, Natalia, Victor, Bernardo, Samuel, Davi, Stefanie, Artur, Marina, Gabriela, Benjamin, e outros que, esperamos, ainda virão, um legado de amor à nossa cultura e tradição.
Creio que o público leitor interessado na temática terá, pela primeira vez, a oportunidade de manusear uma história judaica, abrangendo desde o período bíblico a do Segundo Templo até a expulsão os judeus da Espanha e de Portugal, escrito com honestidade intelectual, isenção de espírito e conhecimento dos fatos.
Na verdade, desde que foram publicados em língua portuguesa os resumos da história judaica do clássico Simon Dubnov e de Cecil Roth, nas décadas de 40 e de 50, pouco se fez para atualizar o nosso conhecimento sobre o assunto. Portanto, um dos méritos, entre outros, da obra de Hans Borger é o de apresentar a matéria em questão sob a luz das novas descobertas arqueológicas e da pesquisa mais recente numa síntese amena e atraente, enriquecida de farto material ilustrativo e cartográfico.
Prof. Dr. Nachman Falbel
Titular de História Medieval da Universidade de São Paulo
*
O texto a seguir, de autoria do Professor Nachman Falbel, é um excerto do cap. 26 do vol. 2 de UMA HISTÓRIA DO POVO JUDEU:
Para compreendermos a situação, o caráter do judaísmo brasileiro e sua diversidade, devemos nos reportar ao seu passado mais longínquo, uma vez que os judeus estiveram presentes no território efetivamente desde sua descoberta.
O papel exercido pelos judeus na expansão e nas descobertas marítimas de Portugal é bastante conhecido, sendo que uma múltipla bibliografia encontra-se à disposição dos interessados no tema. A grande mudança deu-se no tempo de D. Henrique, cognominado o Navegador, quando este monarca, interessado pelas ciências cosmográficas, resolveu reunir em Sagres peritos e sábios que associassem seus conhecimentos à arte da navegação. Entre eles, destacava-se um mestre, Jacome, maiorquino, conhecido como "el judio de las brujulas" e sobre o qual pouco sabemos. O desenvolvimento do astrolábio, o aperfeiçoamento da bússola, das cartas marítimas e dos instrumentos náuticos foi um primeiro passo, ao qual se seguiu a criação da Junta dos Matemáticos, no tempo de D. João II, que incluía os nomes de José Vizinho e mestre Rodrigo, ambos físicos da Real Câmara, o alemão Martim Behaim e o cartógrafo Moisés. Vários destes sábios eram judeus, que se empenharam em descobrir um novo cálculo para as latitudes, pois os navegantes que naquela época se guiavam pela estrela Polar, somente podiam fazê-lo até a linha do Equador, pois após transposta esta última, a estrela perdia-se de vista e mergulhava no horizonte. Ao simplificar o astrolábio planisférico, eles produziram o astrolábio náutico e logo mais teriam as tabelas do Almanach Perpetuum que possibilitavam o cálculo das latitudes pela declinação solar, que por sua vez permitia uma orientação também para os navegantes que se dirigiam ao hemisfério sul.
O aperfeiçoamento dos instrumentos náuticos e o preparo de navegantes como Bartolomeu Dias, Duarte Pacheco e outros capitães, que integravam a frota de Pedro Alvares Cabral, permitiu a descoberta deliberada e não fortuita, de acordo com os historiadores, da terra brasileira. O fato dos judeus desempenharem um papel ativo na ciência náutica ibérica, como cartógrafos, astrônomos, ou então intérpretes, conselheiros e financistas no período no qual efetivamente se dá a formação do império português, ou seja, no século XV, permite compreender também a sua presença, agora como cristãos-novos, no Brasil. O decreto de expulsão e a conversão forçada de 1496-7 dispersaram os judeus de Portugal, levando-os para além da península ibérica, a outros reinos, acompanhando o movimento de colonização e intercâmbio marítimo que se deu com a descoberta das novas rotas para a Ásia e a instalação de entrepostos na África.
A instalação oficial do Santo Ofício em Portugal, em 1536, estimulou a saída dos conversos e seus familiares para outros lugares, mais seguros, longe dos olhos da Inquisição, como o recém-descoberto Brasil. A necessidade urgente do elemento colonizador favorecia certa tolerância para com aqueles que pretendiam continuar na fé judaica, conquanto esta não fosse manifestamente visível. O primeiro cristão-novo veio com a frota do descobrimento, em 1500. Era o notável intérprete Gaspar da Gama, que recebera o batismo daquele que lhe dera o nome, Vasco da Gama, o famoso navegador das Índias.
Desse modo, podemos dizer que judeus, ou melhor, cristão-novos, e entre eles judaizantes, encontram-se entre as primeiras levas de colonizadores no Brasil. Logo após a descoberta, o comércio é arrendado a um grupo de mercadores interessados no pau-brasil, utilizado na tinturaria, e outros produtos da terra. Este grupo, liderado por Fernando de Noronha, ou Loronha, tende a ser indicado pelos historiadores como composto em parte por cristãos-novos, sem que se possa ter provas maiores de tal origem, a não ser por documentos, como a carta de Piero Rondinelli, escrita em Sevilha em 3 de outubro de 1502, e a Relação de Lunardo da Chá Masser, de 1506, no qual o autor transcreve o nome "Firnando dalla Rogna, cristian novo".
A divisão do Brasil em capitanias hereditárias, doadas aos ilustres fidalgos e capitães portugueses, permitiu uma colonização mais sistemática da terra que recebia, entre outros, também os cristãos-novos. Estes últimos passaram a ser um elemento importante na economia açucareira introduzida no território brasileiro na região do nordeste do país, provavelmente pelas ilhas de S. Tomé ou da Madeira.
A introdução da Inquisição em Portugal em 1536 provocou a saída dos cristãos-novos daquele reino também em direção ao Brasil, geograficamente muito distante e, junto a degredados comuns, eles passam a ser exilados no imenso território que demandava gente para assegurar ao império colonial português, então em formação, a posse da colônia. Em vista da necessidade de povoamento do Brasil como uma política obrigatória para garantir o domínio do reino português em sua colônia, há boas razões para crer que o Santo Ofício teria que fazer vista grossa ao que aqui se passava, o que também explica o fato da Visitação inquisitorial ter chegado somente mais tarde em território brasileiro.
O rigor persecutório da Inquisição tornou-se maior devido à unificação de Portugal e Espanha em 1580, sendo que onze anos após, a aparente frouxidão que caracterizava a vida religiosa no Brasil modificou-se inteiramente. Em 26 de março de 1591 era nomeado o licenciado Heitor Furtado de Mendonça como visitador de São Tomé, Cabo Verde, Brasil, incluindo as capitanias da Bahia, Pernambuco, Itamaracá e Parahiba, e a administração de S. Vicente e do Rio de Janeiro. Pouco após chegar à Bahia, em junho de 1591, começou sua atividade inquisitorial publicando uma carta Monitória e um Termo de Graça, no qual davam-se trinta dias para a população fazer confissões e denunciar outras pessoas. Exigia, especialmente, a delação de hábitos sexuais condenados pela Igreja, exercício de bruxaria, ofensas à instituição eclesiástica, bem como o culto de outras religiões, ou seja, a luterana ou a judaica, visando assim aos judaizantes cristãos-novos que já deveriam ser objeto de queixas das autoridades pela prática do judaísmo em segredo bem antes da Visitação.
Quais eram essas práticas? Pelo conteúdo da Carta Monitória redigida em 1536 por Dom Diogo da Silva, por ocasião da instalação da Inquisição em Portugal, sabemos que se referia a:
1) observância do sábado, que se revelava pelo descanso, o uso de roupa limpa ou festiva ou de joias, limpeza da casa na véspera, preparo da comida para o dia seguinte, acendimento de velas novas na sexta-feira, deixando-as queimar até o fim da noite, e a realização de qualquer rito referente ao dia de Sábado;
2) matança de aves e animais de acordo com o ritual judaico, ou seja, testar e experimentar o fio da faca na unha, incisão no pescoço dos animais, sangramento e cobertura do sangue com terra;
3) não comer carne de certos animais e peixes, toucinho, lebres, coelhos, aves doentes, enguias, polípodes, congros, raias, qualquer peixe sem escamas e outros alimentos proibidos aos judeus;
4) observância dos dias de jejum judaicos, incluindo o mais importante no mês de setembro, no qual a abstenção é total até que as estrelas surjam no céu, andar sempre descalço nesse dia, observar o jejum da rainha Esther, bem como jejuar o dia inteiro todas as segundas e quintas-feiras;
5) celebrar os dias de festa judaicos, ou seja, a do pão ázimo, dos tabernáculos e do shofar, ingestão de pão ázimo e o uso de panelas e tigelas novas na Páscoa;
6) recitar preces judaicas, voltar-se para a parede durante a recitação das preces, baixar e levantar a cabeça durante a prece, de acordo com a tradição judaica, o uso dos filactérios;
7) recitar os salmos de penitência omitindo o Gloria Patri, et Filio, et Spiritu Sancto;
8) tratar e sepultar cadáveres guardando luto segundo o costume judaico, comer em mesas baixas durante o luto, banhar e vestir defuntos com roupa de linho, vestindo-os com camisolas e cobrindo-os com mortalhas dobradas à guisa de capas, enterrar o falecido em solo virgem e em sepultura bem funda, cantar a litania de acordo com a tradição judaica como parte do ritual de luto, colocar uma pérola ou uma moeda de prata ou ouro na boca do defunto destinados ao pagamento de sua primeira pousada, cortar as unhas do defunto, esvaziar moringas, potes de barro e demais vasilhas de água, após a morte de uma pessoa como expressão da crença de que a alma do defunto viria ali se banhar, ou que o anjo da morte ali estivesse lavando a espada com que a golpeara;
9) colocar ferro, pão ou vinho em jarros ou cântaros na véspera de S. João e na noite de Natal, simbolizando a crença de que, nessas ocasiões, a água se transformava em vinho;
10) dar a bênção às crianças de acordo com a tradição judaica, impondo as mãos sobre suas cabeças, passando-as sobre suas faces sem entretanto, fazer o sinal da cruz;
11) circuncidar os meninos e atribuir-lhes, em segredo, nomes judaicos;
12) raspar o óleo e o crisma após o batismo das crianças.
Além dessas referências, a Carta Monitória exigia que fosse denunciada qualquer pessoa, judeu ou mouro, que tentasse converter cristãos velhos ou novos ao islamismo ou judaísmo, assim como aqueles que possuíam bíblias em vernáculo, as quais deveriam ser entregues ao visitador para exame.
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