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Torá Hoje

Um encontro renovado com a Escritura Sagrada

R$ 70,00
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Autor(es): Pinchas H. Peli
Editora: Sêfer
SKU: 10542
Páginas: 252
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Compilação de 54 criativas análises sobre cada uma das porções semanais da Torá, em estilo claro e moderno, de modo a aproximar o leitor do precioso mundo da Torá e da forma como o judaísmo encara e enfrenta os desafios da sociedade moderna.
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Torá Hoje

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Um dos elementos centrais da liturgia judaica é a leitura semanal de uma das 54 porções (trechos) da Torá - os cinco primeiros livros da Bíblia, também conhecidos como a Lei de Moisés. Esta obra é a compilação de 54 criativas análises sobre cada uma delas, publicadas originalmente na coluna de Pinchás H. Peli no jornal israelense Jerusalem Post durante a década de 1980.

Escritos em estilo claro e moderno, cada um desses ensaios aproxima o leitor do precioso mundo da Torá e da forma como o judaísmo encara e enfrenta os desafios da sociedade moderna. Esse tipo de comentários é leitura essencial para judeus em todo o mundo - tanto na hora em que suas famílias se reúnem ao redor da mesa do Shabat, como para rabinos e seus alunos, ou professores e catedráticos da Bíblia. Os hermeneutas cristãos também são devotos e interessados leitores do Rabino Peli.

Esta reedição de Torá Hoje permitirá à nova geração de estudiosos e amantes da Bíblia o acesso a este grande clássico da literatura judaica do século 20.

* * *

"Torá Hoje é um modo efetivo e memorável de se apresentar ao leitor secular contemporâneo as antigas e sagradas tradições da Bíblia, de forma edi cante e inspiradora. Nessa obra, o Rabino Peli expressa sua alma judaica e mente pensadora por meio de sua preciosa habilidade poética."
Rabino Dr. Norman Lamm
ex-presidente da Yeshiva University

* * *

Clique AQUI e leia um texto super interessante do Rabino Peli sobre Moisés - o mais humilde dos homens.


Veja também:
Par Torá Hoje (Torá Hoje e Os Porquês da Torá)
Par Parashá da Semana (Torá Hoje e Reflexões sobre a Torá)

Par Parashá da Semana II (Torá Hoje e Ecos do Sinai)

Shelach / Números 13:1-15:41

Delegação Pomposa, Fim Trágico

"E o Eterno falou a Moisés, dizendo: “Envia para ti homens, para que espiem a terra de Canaã, que Eu hei de dar aos filhos de Israel.”  (Números 13:1) 

Segundo relata a Torá (ibid. 13:2-22), essa expedição não somente teve resultados desastrosos, como também foi inteiramente mal planejada e pessimamente preparada. A ideia de enviar espiões para explorar a Terra Prometida não veio de Deus. Quando Moisés conta a história novamente aos israelitas (Deuteronômio 1:22-40), relembra que foram eles que O pressionaram a formar uma comissão de investigação para espiar a terra. Sua insegurança quanto ao lugar a que se dirigiam era um sinal de descrença em Deus.

O trabalho dos serviços de inteligência e reconhecimento é pré-requisito para o sucesso de uma batalha. Os israelitas, em um estágio posterior, quando Josué está prestes a atacar Jericó, também mandaram homens para espionar o território inimigo (Josué 2), mesmo depois de terem tristemente falhado em seu primeiro projeto de espionagem. 

Quais as razões do fracasso da primeira e do sucesso da segunda?

Parece que a exigência de enviar homens para explorar a terra, no tempo de Moisés, não fazia parte dos preparativos de guerra. Eles não estavam interessados – como no tempo de Josué – no melhor meio de invadir a terra. Queriam, sim, saber se valia a pena ir para lá – se realmente era a Terra do Leite e do Mel, como lhes fora prometido. Como se a ida para a Terra de Israel pudesse ser condicionada a imposições: “Eu irei, mas primeiro preciso saber se gosto de lá...”

A diferença entre as duas expedições está, também, na maneira pela qual foram constituídas. Josué mandou dois agentes secretos que camuflaram sua identidade, escondendo-se na casa de uma prostituta. O número de homens enviados por Moisés chegava a doze. Cada tribo deve ter exigido ser representada numa missão de tamanha importância. Não eram agentes anônimos disfarçados, mas os “líderes de Israel”. Seus nomes foram relacionados por grau de importância – nome e nome do pai – como convinha a tão ilustre missão de liderança. Se a Torá contivesse ilustrações, certamente teríamos sido presenteados inclusive com suas fotos.
Sem dúvida, estaria abaixo de sua dignidade alojar-se na casa de uma pobre meretriz. Por acaso, eminentes líderes, em missão pública, não merecem ficar em um hotel 5 estrelas?

O Keli Iacar, popular comentário sobre a Torá do Rabino Efráim de Luntschitsz (1550-1619), encontra mais uma causa do inevitável fracasso da missão. A missão fracassou, sugere o Keli Iacar, porque era composta apenas de homens e, a despeito de seus numerosos integrantes, não incluiu sequer uma mulher. Se tivessem feito a vontade de Deus, teriam enviado, nessa missão, mulheres “que sabem amar a Terra de Israel muito mais do que os homens”.

Seja como for, o episódio dos Meraglim (espiões) permaneceu como uma experiência traumática nos anais da história de Israel. Selou o destino de toda uma geração com a morte no deserto, sem alcançar a terra a ela destinada. Sem deixar, também, de afetar profundamente as futuras gerações.

Os “espiões” foram solicitados a ir para a terra e voltar com um relatório sobre o que tivessem visto. Assim o fizeram. Não mentiram ou distorceram os fatos observados. Apresentaram um relatório verdadeiro que ninguém contestou. Qual foi a terrível razão, dentre seus atos, para tão severa condenação?

Foi a de que os espiões ultrapassaram os limites de suas atribuições. Foram encarregados da missão de apurar fatos e receberam tarefas específicas (versículos 17-20). Na realidade, não pouparam esforços para cumprir suas atribuições: percorreram o país de cima a baixo, mantiveram-se atentos e registraram tudo que viram e ouviram. Ao regressar, relataram tudo em detalhes. Tudo certo, até aqui. A nefasta tragédia foi causada pelo acréscimo em seu relatório – que, quanto ao restante, era objetivo – de uma única palavra a mais!

“Fomos à terra que nos enviaste”, relataram a Moisés, “e dela também emana leite e mel, e este é o seu fruto.” (ibid. 13:27) Eles reforçaram seu testemunho com evidências concretas. E então acrescentaram uma palavra: “Porém” – e continuaram o seu testemunho dos fatos – “o povo que habita na terra é forte, e as cidades são muito fortificadas e grandes.”

Tivessem omitido a palavra “porém” e teriam ficado dentro dos limites de um relatório factual. Uma terra repleta de leite e mel, um povo forte, cidades muito fortificadas e grandes etc. Ao adicionarem a conjunção “porém” – não era mais o relato verdadeiro, mas quiçá uma tentativa de influenciar a opinião pública. Sim, porém...

As acaloradas discussões que se seguiram entre dez dos espiões e os dissidentes Caleb [Calev ben Iefuné] e Josué [Iehoshúa bin Nun] não se referiam aos fatos, que ninguém contestava, mas às conclusões que foram tiradas desses fatos.


O dramático debate público revelou a tendência sutil dos espiões de disseminar medo e pânico entre o povo, enquanto Caleb e Josué procuravam combater tal tendência.

Na sua campanha desmoralizadora, os espiões continuam a mencionar os anakim, a terrível raça de gigantes, cuja presença na terra de Canaã tornaria impossível a sua conquista pelos israelitas. A repetida menção dos anakim desencoraja o povo, “arrancando e derretendo” seus corações.

“Nos consideramos a nossos olhos como gafanhotos, e assim éramos aos seus olhos” dizem os espiões (13:33). Quando uma pessoa se subestima e se vê como “nada”, comenta um rabino moderno, assim se parecerá aos olhos dos outros.

Josué e Caleb não contradisseram os fatos à medida que foram apresentados pelo relatório da maioria. Em sua discordância, recusaram-se a assumir a atitude covarde relativa à habilidade do povo de conquistar a terra.

“A terra pela qual caminhamos para a explorar”, asseveram eles, “é uma terra excelente!” As cidades são realmente grandes e fortificadas, no entanto, não há motivos para temê-las ou aos gigantes, anakim, “e não temais o povo da terra pois ele é lachmênu” – “sua força lhe foi tirada”. A palavra lachmênu, geralmente, é traduzida como “nosso pão”, significando que vamos engoli-los tão facilmente como se engole um pedaço de pão (Rashi).

Uma interpretação mais surpreendente é que esta palavra – lachmênu – vem da mesma raiz de milchamá – guerra. Assim, Josué e Caleb não apenas incentivaram o povo a reconquistar a autoconfiança em suas forças, mas foram além, ao declarar que os gigantes anakim, a quem tanto temem, são lachmênu – nossa guerra, nós pessoalmente cuidaremos deles. Não estamos apenas argumentando – também agiremos e assumiremos pessoalmente a responsabilidade de provar nosso ponto-de-vista.

E o mais espantoso é ver que, 45 anos mais tarde, quando da conquista da terra pelos filhos de Israel, Josué e Caleb – este com 85 anos de idade –, não se esqueceram de seu compromisso e, de fato, cuidaram pessoalmente dos anakim. A história é contada em detalhes no Livro de Josué, no fim do capítulo 11, e em uma das narrativas mais comoventes da Bíblia, no capítulo 14 do mesmo livro.

 

Gênesis - Bereshit 

Bereshit Uma Renovação Semanal
Nôach As Leis de Noé
Lech Lechá Em Busca de um Ideal
Vaierá O Importante é o Estilo
Chaiê Sara O Teste
Toledot São Águas Passadas
Vaietsê Entre Dois Sonhos
Vaishlach Preparando-se para um Confronto
Vaieshev Cada Geração e Seus Sonhadores
Mikêtz A Volta do Primeiro Judeu Assimilado
Vaigásh O Paraíso dos Malandros
Vaichi Netos e Judeus

Êxodo - Shemot 

Shemot O Princípio do Fim
Vaerá A Estrada da Liberdade
Tentativa e Erro
Beshalach A Linguagem da Fé
Itró Aceitar Conselhos de Estranhos
Mishpatim Obediência Cega Não Basta
Terumá Proposta de Sociedade
Tetsavê O Coração que Carrega
Ki Tissá Uma Lição Política
Vaiac'hel Os Dois Santuários
Pecudê Aberto a Escrutínio Público

Levítico - Vaicrá

Vaicrá O Significado do Sacrifício
Tsav Equilibrando o Fogo e a Luz
Sheminí O Porquê da Cashrut
Tazría O Mistério do Nascimento
Metsorá A Má Língua
Acharê Mot Vida e Morte
Kedoshim Amar é Fundamental
Emór No Fim da Estrada
Behar O Encontro entre a Torá e a Terra
Bechucotai Força e Paz

Números - Bamidbar 

Bamidbar O Verdadeiro Exército do Povo - clique aqui e leia esse capítulo
Nassó Que Bênção Maravilhosa!
Behaalotechá Das Queixas
Shelach Delegação Pomposa, Fim Trágico
Côrach Rebelião Desastrosa
Chucát Tempo para Mudanças
Balac Os Sete Livros de Moisés
Pinchás A Escolha de um Líder - clique aqui e leia esse capítulo
Matot Compartilhando a Responsabilidade
Mas'ê Encarando a Realidade

Deuteronômio - Devarim 

Devarim Um Tempo para Ação, Outro para Palavras
Vaetchanan O Primeiro Refusenik
Ékev Os Peregrinos
Reê A Arte de Dar
Shofetim A Busca da Justiça
Ki Tetsê Abismo entre Gerações
Ki Tavô A Dádiva da Alegria
Nitsavim Escolherás a Vida
Vaiêlech Força e Coragem
Haazínu Orgulho e Preconceito
Vezot Haberachá A Última Bênção

Quando um colega sugeriu o subtítulo de "Um Midrash Contemporâneo" para este livro, achei que seria muita presunção apropriar-me de um conceito tão venerado, originário de outra época, de outro mundo. O Midrash constitui um dos pontos altos na formação da herança literária judaica clássica. Ninguém pode escrever uma "Bíblia", criar um Talmud ou um Midrash sem correr o risco de cometer o pecado da paródia ou, na melhor das hipóteses, de uma imitação medíocre. Os capítulos reunidos nesta obra representam, contudo, um esforço consciente de seguir e refletir o Midrash tradicional, não apenas como literatura específica do gênero, mas pela correlação do método do Midrash com o encontro sempre renovado com a Torá.

Há numerosas conotações na palavra "Torá" no hebraico bíblico, no pós-bíblico e até mesmo no hebraico moderno. Aqui, é usada tanto para se referir ao Pentateuco (os primeiros Cinco Livros da Escritura Sagrada) quanto à somatória total do "ensinamento" (que é a verdadeira derivação etimológica da palavra) do judaísmo sobre a essência da vida e de como vivê-la.

Esse ensinamento, que se identifica como o teor da palavra do Eterno - o Mestre Supremo (Hamelamed Torá, "Aquele que ensina a Torá", é um epíteto de Deus na liturgia judaica) - aliado a todos os outros colhidos da Torá, é o "ensinamento" que os sábios discípulos de cada geração "ouviram" e apreenderam do "Mestre", no mais íntimo de seu ser.

A Torá foi legada à posteridade, não como sabedoria fechada, hermética, mas como uma conversa aberta e contínua, originando o eterno encontro da vontade e da palavra de Deus com o povo de Israel (e, por meio dele, com toda a humanidade), durante todas as suas históricas vicissitudes.

O evento do Sinai pode ter sido um acontecimento histórico único, mas o ato da Revelação, a exposição das verdades da Torá, nunca para.

Com nossa sintonia e receptividade nos encontros com a Torá recriamos a experiência de "ouvir" a Voz Divina. A tradição judaica garantiu esse encontro permanente, ao instituir a leitura semanal cíclica de uma porção da Torá, a chamada Parashat Hashavúa, "a porção semanal". Cada semana e sua "porção". Todo Shabat, a congregação inteira é convocada, e não apenas os eruditos religiosos e os sábios, para um encontro com o Mestre, que surge nas palavras da Escritura Sagrada.

Esse encontro semanal não é uma atuação unilateral para uma audiência que comparece, ouve passivamente e volta para casa. O primeiro ato da Revelação no Sinai tampouco foi assim. Deus não entregou seus mandamentos aos filhos de Israel, no deserto, sem antes ter um extenso diálogo com eles (ver capítulo "Obediência cega não basta"). Para esse encontro semanal com a palavra de Deus, a comunidade (e cada um de seus membros) não comparece de mãos vazias, intimidada ou calada diante da Onipresença Divina. Não é o cenário de um poderoso rei dando ordens aos seus súditos, através de um solene decreto real, e, sim, o de um Mestre sábio e carinhoso, que espera que seus pupilos estejam sempre atentos, questionando, investigando e discutindo cada palavra e ideia. É precisamente esse encontro que transforma a palavra de Deus em "Torá".

O vocábulo "Torá", como já foi dito, vem da mesma raiz dos termos morê ou morá (professor ou professora, em hebraico). Deus, o Doador da Torá, é o Mestre Supremo; nós somos seus pupilos. Essa interação entre professor e alunos faz com que a Torá seja constantemente recriada e revitalizada.

Trazemos para essa "sala de aula", que brota sempre e onde quer que se estude Torá, a dimensão plena de todo o nosso ser. Fazemos perguntas e buscamos respostas. Todas as perguntas são permitidas e até mesmo incentivadas. Novos entendimentos surgem desse encontro com o texto, que contém mais de uma resposta a qualquer pergunta. Segundo os rabinos antigos, "a Torá tem 70 faces". Se procurarmos com afinco, encontraremos a face que buscamos.

Deus falou uma vez, mas essa "única vez" significa sempre. Com a ajuda da metodologia do Midrash somos capazes de ouvi-la novamente, hoje. Todos os dias. É por isso que o Midrash se tornou uma das expressões mais importantes do vocabulário da vida e da religião judaica - ele ensina a "ouvir" sempre "sons" novos dentro da única Voz Eterna.

Os sábios que criaram o Midrash não foram ao encontro com a Torá de mãos vazias. Ao contrário, trouxeram toda sua experiência humana e sabedoria acumulada, suas dúvidas e sofrimentos, suas divagações e considerações. O encontro resultou numa compreensão revigorada, em novas interpretações que surgiram como respostas diretas a perguntas imediatas. A arte do Midrash está na habilidade de servir vinho envelhecido em embalagens novas e modernas, para transplantar alguns antigos segredos Divinamente inspirados - de luta e alegria, de celebração do tempo e da vida - para as nossas próprias vidas, limitadas e muitas vezes melancólicas.

O Midrash é o elo que unifica a corrente da existência, inicialmente intuída na Bíblia e que permanece atual até hoje. O que teria sido do mundo sem o Midrash? Em certas ocasiões, parece que se a corrente fosse quebrada, no mesmo instante o mundo deixaria de existir; que a continuidade em ouvir esse diálogo Divino-humano - que começou com o pronunciamento das palavras "No princípio, ao criar Deus os céus e a terra" - é vital para nossa própria existência, hoje. Uma existência assaz necessitada de um "princípio" e de um "fim", de um destino e uma destinação, de um significado superior ao paradoxal.

Uma contribuição modesta, para essa forma de ouvir a Torá, é oferecida nos capítulos seguintes. A nossa geração talvez não seja de gigantes elevados no estudo da Torá, mas continuamos a ser um elo da mesma corrente. Seria falsa-modéstia definir nossa geração como desprovida de espiritualidade, nada tendo a acrescentar ao eterno e contínuo diálogo com a Torá. De fato, podemos ser "anões" se comparados aos "gigantes" das gerações anteriores, mas, por sermos "anões carregados nos ombros de gigantes", nossos horizontes são ilimitados. Embora amedrontados, temos o privilégio de viver numa época em que podemos colher o fruto do trabalho dos grandes gênios das ciências físicas, bem como daquelas ligadas ao espírito humano e à visão social.

Também no mundo judaico, como nunca antes, possuímos muitos dos maiores tesouros da sabedoria dos nossos ancestrais. Bibliotecas e livrarias estão repletas de obras que costumavam ser classificadas de "edições raras"? e que eram privilégio de poucos. Preciosos tesouros espirituais e intelectuais estão agora ao alcance de todos.

Somos os herdeiros diretos de alguns dos períodos mais estimulantes da vida e da criatividade espiritual judaica. Do ponto de vista cronológico, vivemos na era pós-maskilismo material, centrada no Iluminismo; do pós-chassidismo místico, centrada na caridade; e do pós-mitnagdismo racional, centrada nos estudos. Historicamente, somos os sobreviventes imediatos do Holocausto e testemunhas do milagre vivo do renascimento de Israel.

Raramente houve época de tensão histórica e espiritual tão extraordinária.

Sendo o que somos, nossa geração encontra novamente a Torá. Alguns estão fascinados por ela, não apenas como forma de conhecer o passado, por curiosidade cultural ou aspirações nostálgicas, mas principalmente como forma de perguntar, com toda a franqueza: o que a Torá tem a nos dizer hoje?

Seguimos para esse encontro como pessoas modernas e receptivas, plenamente conscientes, contudo, de que não nascemos hoje, ou que subitamente caímos de paraquedas do nada numa ilha deserta. Sabemos que nos antecedem 3.000 anos de convivência com a Torá e seus ensinamentos, e que existem fontes insondáveis de meditação e sabedoria, realizações culturais fascinantes e orientação moral esclarecedora, das quais podemos usufruir nessa preciosa herança.

Estantes e mais estantes repletas de comentários sobre a Torá, frutos das melhores mentes judaicas de muitas gerações, aguardam nossa consideração, mas, lamentavelmente, com suas lombadas voltadas para nós. Que segredos contêm? Que tipo de calor irradiam? Será que devemos tentar descobrir? E se tentarmos, seria possível aplicar alguma coisa às nossas próprias vidas?

Os sábios do Midrash buscaram as respostas para essas questões naquela época; gostaríamos de tentar fazê-lo, do nosso jeito modesto, agora, na nossa época. Continuamos a tentar, cientes e não obstante a enorme lacuna existente entre nossos esforços e possíveis resultados.

Nossos esforços podem ser classificados tanto como exegese (comentário ao texto) quanto eixegese ("violência" ao texto) - isto é, tanto as interpretações extrínsecas ao texto como as intrínsecas a ele -, ao pesquisarmos todas as fontes à nossa disposição: antigas, medievais e modernas. Nosso objetivo, contudo, é claro: referir-nos à Torá da forma como ela fala conosco, hoje.

Os capítulos deste livro baseiam-se na coluna semanal do mesmo título, Tora Today, publicada em 1984-5, na edição local e internacional do Jerusalem Post. As centenas de cartas que chegaram ao Post e ao autor, vindas de todos os cantos do mundo, tanto de judeus quanto de não judeus, são prova de que a palavra da Torá é atualmente procurada em toda parte, por pessoas de todas as classes sociais. 

O encargo semanal de estudar meticulosamente a Parashá, consultando inúmeros comentários; a seleção do tópico para a semana e a tentativa de compartilhá-lo com outros; a redação do texto em forma de "leitura leve" como convém a um jornal diário, não foi tarefa fácil. Não posso dizer, contudo, que não tenha sido tarefa prazerosa. As cartas e telefonemas de tantos leitores foram muito animadores e gostaria de aproveitar o ensejo para agradecer a todos pela bondade e interesse. Desejo também desculpar-me pela impossibilidade de responder pessoalmente à correspondência tão apreciada.

 especialmente agradável a incumbência de agradecer a participação ativa e a contribuição de ideias que surgiram durante as discussões sobre a Torá, com minha esposa e família, e diversos convidados judeus e não-judeus, ao redor da nossa mesa de Shabat. Agradeço a meu argumentador filho Avraham Deuel, às minhas talentosas e cultas filhas e seus maridos, Bitha e Dov Harshefi, Emuna e Benyamin Elon, Batsheva e Gilead Seri e meus maravilhosos netos.

Este trabalho não poderia ter sido completado sem a participação vital de minha querida esposa e companheira Penina Peli, revisora e editora dos capítulos deste livro. Seus comentários sobre as porções semanais da Torá foram veiculados, toda sexta-feira, no programa de rádio em língua inglesa da Voice of Israel (Voz de Israel), de Jerusalém.

Os editores do The Jerusalem Post, Erwin Frankel e Ari Rath, e sua equipe de edição, especialmente Joe Blumberg, Douglas Davis, David Gross, Sasha Sadan e Hanan Sher merecem especiais agradecimentos pela valiosa e cordial cooperação em levar Torah Today a dezenas de milhares de leitores do mundo inteiro. Robert Bleiweiss, presidente da Bleiweiss Communications, em Calabassas, na Califórnia, Aliza Yunick e Cybil Kaehimker da Universidade Ben Gurion, e Raihanna Zaman da Universidade Cornell, todos merecem agradecimentos por sua ajuda durante as várias etapas da preparação do manuscrito desta publicação. Agradeço, também, pelas correções cuidadosas e acuradas, ao Rabino Israel C. Stein, de Bridgeport, Connecticut, e ao Dr. Faezeh Foroutan, de Washington, D.C.

Sou grato ao Todo-Poderoso por assegurar-me uma parte de Sua Torá, quando me permitiu escrever aquelas colunas, numa época muito significativa de minha vida. Escrever Torah Today semanalmente alertou-me, forçando-me, até, a definir - apesar de muitos obstáculos - um tempo para estudar. Devido a Torah Today, ganhei novos amigos maravilhosos, que contribuíram para a publicação deste livro. Dentre eles, cito o Dr. Michael Neiditch, o competente diretor da Comissão para a Continuidade da Educação Judaica da B'nai B'rith International. Para Robert Teitler, presidente da Information Dynamics, que não considera a publicação de importantes livros judaicos um empreendimento meramente comercial, mas um trabalho de amor. A amizade e colaboração do renomado artista Phillip Ratner também surgiu graças à sua reação entusiasmada a Torah Today.  

Agradecimentos especiais são devidos a Ernesto Strauss, da Editora B'nai B'rith do Brasil, por sua sábia e amiga persistência e paciência em providenciar a primeira tradução e publicação de Torah Today em português (nos idos de 1987), a primeira de uma série de traduções do livro. 

Pinchás Hacohen Peli
Jerusalém, Sivan de 5746 - Julho de 1986

O Rabino Pinchás Hacohen Peli (1930-1989) ocupou lugar de destaque na vida intelectual e religiosa de Israel. Foi amigo e discípulo do Rabino Joseph B. Soloveitchik e de Abraham Joshua Heschel, bem como chefe do Departamento de Literatura Hebraica e da cátedra de Valores Judaicos da Universidade Ben Gurion, em Beer Shéva.

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