Newsletter
Cadastre-se para receber ofertas e novidades exclusivas da Livraria Sêfer
BEM-VINDO(A) AO NOSSO NOVO SITE
PRIMEIROS 1000 PEDIDOS REALIZADOS NESTE SITE RECEBERÃO BRINDE ESPECIAL
BEM-VINDO(A) AO NOSSO NOVO SITE
PRIMEIROS 1000 PEDIDOS REALIZADOS NESTE SITE RECEBERÃO BRINDE ESPECIAL
BEM-VINDO(A) AO NOSSO NOVO SITE
PRIMEIROS 1000 PEDIDOS REALIZADOS NESTE SITE RECEBERÃO BRINDE ESPECIAL
BEM-VINDO(A) AO NOSSO NOVO SITE
PRIMEIROS 1000 PEDIDOS REALIZADOS NESTE SITE RECEBERÃO BRINDE ESPECIAL
BEM-VINDO(A) AO NOSSO NOVO SITE
PRIMEIROS 1000 PEDIDOS REALIZADOS NESTE SITE RECEBERÃO BRINDE ESPECIAL
BEM-VINDO(A) AO NOSSO NOVO SITE
PRIMEIROS 1000 PEDIDOS REALIZADOS NESTE SITE RECEBERÃO BRINDE ESPECIAL
BEM-VINDO(A) AO NOSSO NOVO SITE
PRIMEIROS 1000 PEDIDOS REALIZADOS NESTE SITE RECEBERÃO BRINDE ESPECIAL
BEM-VINDO(A) AO NOSSO NOVO SITE
PRIMEIROS 1000 PEDIDOS REALIZADOS NESTE SITE RECEBERÃO BRINDE ESPECIAL
BEM-VINDO(A) AO NOSSO NOVO SITE
PRIMEIROS 1000 PEDIDOS REALIZADOS NESTE SITE RECEBERÃO BRINDE ESPECIAL
BEM-VINDO(A) AO NOSSO NOVO SITE
PRIMEIROS 1000 PEDIDOS REALIZADOS NESTE SITE RECEBERÃO BRINDE ESPECIAL
BEM-VINDO(A) AO NOSSO NOVO SITE
PRIMEIROS 1000 PEDIDOS REALIZADOS NESTE SITE RECEBERÃO BRINDE ESPECIAL





Simule seu frete:
Esta preciosa obra apresenta o texto hebraico da Torá ao lado de sua tradução para o português.
Mantendo intactas as interpretações dos comentaristas clássicos, e inspirada no Talmud e no Midrash, foi editada segundo as porções semanais de leitura e por capítulos e versículos, complementada por interessantes comentários e ilustrações.
Apresenta ainda todas as Haftarot e as 5 Meguilot.
Sem dúvida, uma joia que deve estar presente em todos os lares.

Em 2001, a Editora Sêfer realizou o lançamento da sua edição da Torá - A Lei de Moisés. Comparada à edição de 1962, tudo era novo: o formato, o texto hebraico, a disposição dos textos em português, a uniformização dos termos, as ilustrações, os novos comentários - enfim, praticamente tudo!
Agora estamos lançando a versão revisada e atualizada, e todos me perguntam, com razão: o que mudou?
Bem, para entender o que mudou é importante nos situarmos no tempo: em 2001 usava-se o Windows 95 ou 98, a diagramação era realizada no programa Pagemaker 6.5 e usar um ThinkPad da IBM era o máximo da sofisticação!
A versão que estamos lançando agora foi atualizada em conformidade ao novo acordo ortográfico da língua portuguesa. A revisão, realizada pelo prof. Vitor Fridlin, encontrou várias falhas na citação de versículos e fontes talmúdicas, que foram corrigidas e complementadas.
A dificílima diagramação foi refeita no moderno programa InDesign pela competente equipe de profissionais da empresa LCT que conseguiu dar mais leveza aos textos, porém, mantendo rigorosamente a paginação original.
A impressão foi realizada agora a partir de arquivos digitais. Adeus, fotolitos.
Não há novos comentários. O que há é mais clareza, menos falhas e mais precisão gráfica. O que não é pouco.
Esperamos que você aprecie essa nova edição!
VEJA TAMBÉM
Torá e Tanah Completo
por Bernardo Lerer
O Jairo Fridlin me ligou outro dia e me pediu para escrever a respeito da nova edição da Torá. Em outras condições ficaria constrangido. Afinal, tive participação na obra. No entanto, "Cavod" maior não poderia haver. Primeiro, constar do expediente como editor de texto. Segundo, me engajar, desde o início, numa proposta de trabalho que é um pouco parte do projeto de vida de Jairo e um dos seus maiores desafios profissionais como editor.
Bem que meu amado pai Menachem Mendel HaCohen z"l sempre perguntava em idish - porque em idish tinha mais sabor - a mim e aos meus irmãos David e Isaac quando teimávamos com alguma coisa: "Onde é que está escrito? Respondam-me, onde é que se lê isso". A referência óbvia era: se não está escrito na Torá, não havia por que insistir. Até hoje valho-me desta pergunta e abuso da resposta.
De fato, a Torá encerra o principal que são os ensinamentos sobre a vida, o relacionamento entre os homens, os princípios da Verdade, os conceitos de Justiça, os valores da Liberdade, a questão da honra, da dignidade, não necessariamente nessa ordem. As gerações se encarregaram de construir o acessório.
Jairo colocou tudo isso nessa edição da Torá com cerca de 1400 páginas de grande apuro gráfico, uma feliz distribuição do texto bíblico que facilita sua leitura e a compreensão de seu significado pelo destaque dado a exegese. A obra foi impressa em um papel especial, pouca coisa mais espesso que o conhecido papel bíblia e cujo manuseio contínuo não vai danificá-lo. O texto em hebraico foi composto em Israel a partir de uma nova família de fontes desenvolvida por artistas gráficos israelenses e adquirida à renomada Editora Vagshal.
Esta edição da Torá é uma edição revista, ampliada e melhorada da Lei de Moisés, de autoria do rabino Meir Matzliah Melamed z"l, primeira e única tradução judaica literal do Pentateuco editada no Brasil, em 1962. A Torá da Editora Sêfer incorpora os comentários originais do rabino Matzliah, tanto da edição brasileira como da espanhola, e ainda as interpretações do rabino Menachem Diesendruck z"l publicadas nos seus famosos "Sermões", além de comentários elaborados pelo próprio Jairo, baseados nos clássicos de Rashi, Maimônides, Nachmânides e outros. O livro apresenta didáticas ilustrações dos utensílios do Tabernáculo e um mapa da região no período bíblico.
Embora suspeito, posso garantir que o resultado alcançado é magnífico e capaz de impressionar leigos e estudiosos pela forma e principalmente pelo conteúdo. Isso talvez explique os três anos de trabalho para fazer chegar às mãos de leitores ávidos, ansiosos por conhecer e se aproximar da fonte primeira e original da sabedoria judaica. Ao contrário: acho mesmo que valeu a pena esperar por este livro que a modéstia de Jairo Fridlin não o impede de querer transformá-lo num monumento da cultura judaica no Brasil, fruto de uma paixão genuína pela Torá e seus ensinamentos.
Para não cometer erros, li e reli cada linha várias vezes. Aprendi e reaprendi nas lembranças das aulas de "Tanach" e me convenci de duas certezas: 1) mais uma vez meu honrado pai tinha razão; e 2) a leitura da Torá explica por que as coisas são do jeito que são.
por Sheila L. Fridlin
Quem, como eu, acompanhou este projeto passo a passo, desde a concepção inicial, as reuniões, os incontáveis interurbanos para o Rio, Belém, Porto Alegre, e principalmente as muitas noites insones, madrugadas e fins de semana dedicados a elaboração deste trabalho, agora preciso dizer com muita alegria - e por que não, orgulho! - que a Sêfer acaba de lançar o seu projeto mais ousado: a Torá. Ousado porque é inovador em tudo o que lhe permite ser.
Quem já conhece os trabalhos do Jairo sabe que esta não é apenas mais uma tradução da Torá; ela brinda o leitor com um texto envolvente e repleto de comentários enriquecedores, coletados a partir dos textos dos rabinos Matzliah e Diesendruck e de dezenas de outros livros que amanheciam espalhados em sua mesa de trabalho.
Gostaria de dividir com vocês a emoção que sentia quando Jairo, empolgado, lia para mim diversos trechos, pedindo a minha opinião, e posso lhes afirmar que os bastidores desta obra são uma história a parte, digna de um novo livro.
É isso aí, Jairo, parabéns pelo resultado e pela missão cumprida!
É com imensa satisfação que a Editora Sêfer apresenta ao público brasileiro, judeus e não judeus, "a Torá que pôs Moisés diante dos filhos de Israel "!
1 No princípio criou Deus os céus e a terra. 2 E a terra era vã e vazia, e (havia) escuridão sobre a face do abismo, e o espírito de Deus se movia sobre a face das águas. 3 E disse Deus: "Seja luz!" E foi luz. 4 E viu Deus a luz que (era) boa; e separou Deus entre a luz e a escuridão. 5 E chamou Deus à luz, dia, e à escuridão chamou noite; e foi tarde e foi manhã, dia um. 6 E disse Deus: "Haja expansão no meio das águas e que separe entre águas e águas!" 7 E fez Deus a expansão; e separou entre as águas debaixo da expansão e entre as águas de cima da expansão. E foi assim. 8 E chamou Deus à expansão, céus. E foi tarde e foi manhã, dia segundo.
COMENTÁRIO
1. No princípio - Os primeiros capítulos do Gênesis narram os primórdios da Criação. Por serem muito profundos, é difícil compreender todo seu conteúdo sem um conhecimento prévio dos ensinamentos da Torá, conforme foram revelados no Talmud e na Cabalá.
No princípio - Bereshit (por causa de Reshit): O Talmud proclama que o Universo não teria sido criado se não fosse pelo mundo espiritual, pela palavra Divina, pela Torá, chamada Reshit, princípio de tudo (Pessachim 68).
criou Deus -Elohim (Deus) tem, em hebraico, a forma plural, para indicar que Deus compreende e unifica todas as forças infinitas e eternas. E para que não se pense que são muitos deuses, o verbo Bará (criou) foi empregado no singular, imediatamente depois de Elohim.
O exegeta Abraham Ibn Ezra (1089~1164) argumenta que esta palavra não é nada além de um plural majestático concebido pelo homem devido às múltiplas e ilimitadas manifestações de Deus. (E)
os céus e a terra - No primeiro versículo do Gênesis, vemos uma intenção evidente, que é a de dar ao homem a consciência de que tudo se deve à Criação Divina. Os antigos mitos atribuem a existência do mundo ao resultado das lutas dos múltiplos deuses, ou como nascido da casualidade e do capricho. Porém, a Torá quer nos mostrar o Universo como expressão da vontade Divina (na linguagem da Cabalá, Tsimtsum); a Criação como princípio de tudo, e não a Criação em si, mas a Providência - isto é, Deus - como Criador, Legislador e Condutor do Universo.
2. vã - Assim é interpretado pela tradução aramaica de Onkelos, enquanto o exegeta Rashi (Rabi Shelomo Yits'chaki, 1040-1105) explica que a palavra Tôhu (vã) significa assombro e consternação pela vacuidade (vazio) em que se encontrava a terra.
e o espírito de Deus se movia -A maioria dos tradutores têm dificuldade em traduzir estas palavras, que têm um sentido difícil de captar por nosso limitado entendimento. Segundo o exegeta Rashi, significam que o trono Divino movia-se por ordem de Deus e por meio de alento (Rúach) exalado por Sua boca, sobre a face das águas, aparentemente com a finalidade de dar o alento de vida à matéria inanimada (cf. Gênesis 2:7 e Isaías 42:5). Por outro lado, a tradução aramaica de Ionatan ben Uziel diz: "... e o espírito de misericórdia procedente de Deus soprava sobre a face das águas."
sobre a face das águas - O exegeta Rashi quer que o primeiro versículo do Gênesis seja traduzido da seguinte maneira: "No princípio, ao criar Deus os céus e a terra, a terra era vã etc.", pois a Escritura Sagrada não quer mostrar aqui a ordem da Criação; a prova disso é que o fim do segundo versículo dá a entender que as águas já existiam antes dos céus e da terra.
5. dia um - Inúmeros doutores da Lei tratavam de conciliar a data da era hebraica com as últimas descobertas científicas, que revelam, baseadas no "relógio de Urânio", ou seja, na desintegração das substâncias radioativas das rochas, que a Terra tem, aproximadamente, 4 bilhões de anos. Seus esforços resultaram inúteis. Por conseguinte, a fim de conciliar a Escritura Sagrada com a ciência, podemos até admitir que um dia da Criação não equivale a um dia ordinário, e sim a um longo período de tempo, conforme descreve o rei David no salmo 90: "Pois mil anos em Teus olhos são como o dia de ontem, que passou, e como uma vigília noturna." Não obstante, os judeus religiosos atêm-se à fé nas Escrituras Sagradas e contam os anos a partir dos dados bíblicos. Estes dão conta de estarmos hoje no ano 5760 (2000).
8. dia segundo - Segundo Rashi, a expressão "E viu Deus que era bom" foi omitida ao término da criação do segundo dia, pois ela só foi concluída no terceiro dia. Assim, uma obra inacabada não podia ser qualificada de "boa". Por outro lado, no terceiro dia, quando ela é terminada e outra é iniciada e concluída, o versículo repete esta frase duas vezes. (E)
dia segundo - Segundo Rashi, os céus - criados no primeiro dia - estavam em estado fluido. No segundo dia, os céus se solidificaram, criando uma divisão entre as águas de cima e as águas de baixo. De acordo com Nachmânides, a separação foi entre os aspectos totalmente espirituais da Criação e o mundo material que circunda o homem, inclusive os mais distantes pontos do sistema solar. Ele diz ainda que o firmamento e as águas de cima e de baixo estão entre os mistérios da Criação que não podem ser conhecidos pelo homem ou cuja explicação deve ser limitada àqueles qualificados a conhecê-la. Já outros exegetas comentam que o termo "firmamento" se refere à atmosfera que envolve a terra.
VII Prefácio à Primeira Edição
VIII A Tradução do Pentateuco
IX Prefácio à Nova Edição
XIII A Lei de Moisés (Introdução)
XIV Haftará (Introdução)
XV Índice
XVI Preces para a Leitura da Torá
Bereshit / Gênesis
1 Bereshit
16 Nôach
29 Lech Lechá
42 Vaierá
58 Chaiê Sará
68 Toledot
78 Vaietsê
92 Vayishlach
106 Vaieshev
118 Mikêts
131 Vayigásh
141 Vaichi
Shemot / Êxodo
153 Shemot
167 Vaerá
180 Bó
193 Beshalách
208 Yitró
218 Mishpatim
232 Terumá
243 Tetsavê
255 Ki Tissá
271 Vaiac’hel
280 Pecudê
Vayicrá / Levítico
288 Vayicrá
301 Tsav
310 Shemini
321 Tazría
328 Metsorá
337 Acharê
346 Kedoshím
354 Emór
366 Behar
373 Bechucotai
Bamidbar / Números
383 Bamidbar
395 Nassó
410 Behaalotechá
425 Shelách
436 Côrach
446 Chucat
457 Balac
468 Pinechás
482 Matót
492 Mas’ê
Devarim / Deuteronômio
503 Devarim
515 Vaetchanán
528 Ékev
540 Reê
555 Shofetim
566 Ki Tetsê
578 Ki Tavô
590 Nitsavim
595 Vaiêlech
599 Haazínu
606 Vezot Haberacha
613 Haftarót Especiais
633 Meguilót
685 Bibliografia
Em todas as épocas, a Torá - fonte essencial da religião judaica - tem sido a base da unidade espiritual de Israel, e esta unidade é que tem dado a este, a força necessária para a sua sobrevivência. Por conseguinte, o estudo da Torá foi sempre um dever primordial para os adeptos da nossa religião.
Analisando a literatura judaica em português, verifiquei que faltava a tradução da LEI DE MOISÉS neste idioma, isto é, uma tradução fiel às interpretações dos nossos exegetas, os quais se inspiraram na Tradição, no Talmud e no Midrash.
Esta obra, posso afirmá-lo, é única em seu gênero, pois que as traduções da Bíblia em português que examinei, quase todas se limitam a traduzir as palavras etimologicamente, deixando de lado o mais importante: o sentido que lhes deram os nossos doutores da Lei.
Esta tradução e os comentários que a acompanham têm como base as opiniões dos exegetas, tais como: Rabi Shelomo Yits?chaki (Rashi), Onkelos (Targum), Rashbam, Baal Haturim, Daat Zekenim Mibaale Hatossafot, as do Talmud e as do Midrash; também foram consultadas obras modernas de alguns comentaristas, escritas em vários idiomas, tais como "Varietés Homilétiques", do Rabino M. Wolff, e outras; por fim, a opinião, explicações e comentários do próprio autor, em sua qualidade de rabino ortodoxo e conservador.
A extrema dificuldade deste trabalho, assim realizado, e sua grande importância não passarão despercebidas aos que possuem o conhecimento profundo do texto original. Em suma, esta é uma obra de fé, baseada nos ensinamentos dos grandes mestres do judaísmo.
Hoje, mais do que nunca, me parece necessário divulgar, especialmente à nova geração, que só utiliza o idioma do país, o conteúdo da nossa mais Sagrada Escritura, para que saiba alguma coisa do que o judaísmo tem dado espiritualmente ao mundo, da sua história e da sua missão, como descendente do povo de Israel.
Conforme a Tradição, o profeta Moisés explicou a Torá em setenta idiomas (Rashi, Deuteronômio 1:5 e 27:28); e o Talmud (Sotá 35) nos diz a razão: "Para que as nações do mundo possam copiá-la", pois que, além de nós mesmos, todos devem conhecer a verdade sobre o conteúdo da LEI DE MOISÉS e a sua moral elevada. Se homens como mulheres, jovens como adultos, pessoas imparciais de todos os credos e amigos da verdade tirarem proveito deste livro, elaborado com boa fé, isto será minha recompensa.
Rio, Tishri 5723 - setembro 1962
Rabino Meir Matzliah Melamed
* * *
Tem havido grande número de traduções totais ou parciais da Bíblia: desde o famoso Codex de Alcobaça até, em nossos dias, a tradução brasileira. Algumas com extensos comentários, como a de Figueiredo. Dentre as traduções parciais convém destacar a dos Salmos de Santos Saraiva, com o título A Harpa d'lsrael. Esta tradução foi feita diretamente do hebraico acompanhada de excelentes comentários. O certo, porém, é que todas elas padecem das dificuldades decorrentes da natureza desse famoso livro. Escrito em várias épocas, apresenta arcaísmos no seu contexto, por vezes tão obscuros que têm dado margem até a interpretações cerebrinas, e mais de uma vez, provocaram sérias controvérsias.
A obra do Rabino Matzliah, A Lei de Moisés, é a tradução dos cinco livros de Moisés, ou Pentateuco. Os pontos obscuros foram cuidadosamente estudados à luz da Tradição, quando a gramática e significado não correspondiam a um sentido perfeito do assunto explanado.
A palavra hebraica, como em todas as línguas, sofreu no correr dos séculos modificações semânticas de tal porte que, em certos trechos, seria um contra-senso traduzi-las pelo seu sentido da época da redação definitiva do livro. Das quatro formas de tradução cuja sigla é "PaRDeS", ele preferiu o pexat, isto é, o sentido literal. Mas aí é que se revela o tradutor, porquanto o significado das palavras varia. O Rabino Matzliah conseguiu encontrar nesses casos o verdadeiro significado como deve ser compreendido na estrutura da frase, desatando assim as inúmeras dificuldades que comumente se deparam ao tradutor.
Naturalmente o ilustre Rabi recorreu não só à língua hebraica, de que é excelente conhecedor, como também aos grandes Mestres do Talmud e da Tradição, assim como da vastíssima literatura rabínica para conseguir afinal esclarecer as dúvidas ocorrentes em tais trechos.
Os Profetas que se leem na Sinagoga depois da Parashá aí estão representados nos excertos para esse fim selecionados, também foram traduzidos com esmero. Entre esses trechos se encontram as chamadas Haftarot de Consolação, extraídas de lsaías, as quais apresentam dificuldades que são, por vezes, insuperáveis. Contudo, o Rabino Matzliah soube ultrapassar os escolhos e apresentar uma tradução certa e compreensível. Agora, o israelita brasileiro pode com segurança acompanhar na Lei de Moisés a leitura das Parashiot, e também das Haftarot que se recitam aos sábados nas Sinagogas.
Em suma, este trabalho está destinado a representar no Brasil e para a língua portuguesa o que a tradução do Pentateuco do Grão Rabino L. Wogue representou para a língua francesa no século passado, ainda hoje consultada com proveito.
Rio de Janeiro, setembro de 1962
David José Pérez
* * *
“Lembrai-vos da LEI DE MOISÉS, Meu servo,
a quem ordenei, em Horeb, estatutos e leis para todo o Israel.” (Malaquias 3:22)
Eis que havia um reino muito próspero, vizinho de um outro muito pobre. Enquanto no primeiro o solo era generoso e proporcionava fartas colheitas sem grandes esforços dos lavradores, o segundo tinha um solo árido que obrigava seu povo a uma árdua labuta para se alimentar e sobreviver.
Os reis do primeiro, no entanto, sofriam de profunda tristeza por não terem herdeiros. Até que um dia, após muitos anos, divulgou-se a feliz notícia de que um herdeiro ou herdeira nasceria dentro de alguns meses. Uma imensa alegria inundou o coração de todos os súditos, deixando os futuros pais radiantes de felicidade.
Convocados pelos soberanos, os sábios do reino se puseram a elaborar previsões para o futuro do herdeiro real, e todos aguardavam ansiosamente seu pronunciamento. Os sábios, no entanto, hesitavam em apresentá-lo, mas, instados pelo casal real, relataram finalmente as tristes conclusões a que haviam chegado.
Os sábios fizeram a seguinte declaração: “A rainha dará a luz uma menina e prevemos que ela não será feliz, porque há de casar com alguém que não lhe dedicará amor algum. O interesse de seu esposo estará totalmente voltado para o trono, do qual ele logo procurará apoderar-se.”
O rei, então, decidido a evitar que tal previsão se tornasse realidade, conclamou os sábios a buscar meios para evitar sua realização. Ouvindo atentamente seus conselhos e colocando-os em prática, o rei fez construir, ao lado do palácio real, aposentos isolados de todos os demais. Assim que a princesa nasceu, ela foi levada a estes aposentos, aos quais só tinham acesso seus preceptores e seus pais.
Conseqüentemente, a princesa cresceu sem que ninguém pudesse vê-la e, ao atingir a idade em que deveria se casar, uma proclamação foi enviada a todos os reinos, informando que a mão da princesa seria dada em casamento àquele que aceitasse duas condições: a princesa só poderia ser vista após o casamento e ela seria deserdada imediatamente após a cerimônia.
A princípio, ninguém se interessou por tal casamento, pois todos imaginavam que a princesa era tão feia que o rei tinha receio de que qualquer pretendente desistisse do casamento ao contemplá-la. Também era uma crença geral de que a princesa deveria ser uma filha desobediente que irritou seu pai de tal forma que este decidiu deserdá-la.
O príncipe do reino vizinho, no entanto, analisava a situação de forma diferente. “Esta princesa”, pensava ele , “deve ter sofrido muito por ser tão feia e tão pouco amada por seus pais. Este sofrimento deve ter sensibilizado seu coração, tornando-a capaz de compreender e amar meu povo, que é também tão sofrido.” Então, ele resolveu aceitar o casamento, o qual se realizou sem nenhum festejo.
Os súditos do príncipe pensavam: “Coitado, vai se casar com uma princesa tão feia!” Os súditos da princesa ponderavam: “Quem sucederá ao nosso rei?”
Após a cerimônia, o príncipe teve a mais grata das surpresas ao conduzir a princesa para seu novo lar. Ela era bela, inteligente, meiga e instruída. Logo mostrou-se capaz de dialogar com cada um dos súditos, tornando-se amada por todos. A princesa também soube aplicar a ciência que seus preceptores lhe haviam transmitido para orientar os ministros, os quais, utilizando-se de seus conselhos, conseguiram encontrar novas formas de tratar o solo e alcançar colheitas tão boas como jamais haviam ousado pensar.
A alegria e a felicidade do príncipe cresciam a cada dia e, após algum tempo, levaram o príncipe a realizar a festa que não fora celebrada na ocasião do casamento. Dessa forma, ele permitiu que todo o povo participasse e manifestasse sua satisfação pela maravilhosa transformação que a vinda da princesa provocara.
* * *
Esta história baseia-se em uma parábola contada pelo Maguid de Dubno para explicar porque recebemos a Torá em Shavuót e somente seis meses depois, em Sucót, é que realizamos uma festa de imensa alegria – Simchat Torá – para expressar toda a felicidade que sentimos pela sua outorga.
Quando recebemos a Torá, não conhecíamos seu conteúdo. Sabíamos apenas que era uma dádiva divina e ante isso proclamamos Naassê Venishmá – cumpriremos e escutaremos. Com reverência e respeito, recebemos os mandamentos transmitidos por Hacadosh Baruch Hú, por meio de Moisés, sempre dispostos a cumprir todas as suas determinações.
No entanto, à medida que as leis eram explicadas ao povo, este percebeu que elas forneciam a chave não para alcançar a grandeza material dos impérios pagãos existentes na época, mas sim para dar significado a todos os momentos de sua existência, proporcionando a este mesmo povo a incomparável felicidade de se viver segundo os preceitos da Torá. Diante desta percepção, surgiu a necessidade de dar vazão à alegria que contagiou a todos, o que foi feito na festa de Simchat Torá, onde todos dançam e cantam com entusiasmo e agradecem ao Eterno sua dádiva incomparável.
A Torá tornou-se a base legislativa de todos os povos do mundo ocidental. Mesmo as religiões derivadas do judaísmo continuaram a cultuá-la. Ela foi traduzida para quase todas as línguas, embora algumas traduções não tenham mantido o sentido correto das palavras hebraicas do texto original.
A primeira tradução portuguesa verdadeiramente judaica, elaborada por um rabino de conhecida erudição, é a que reeditamos neste volume, acrescida de comentários do tradutor, dos editores e do saudoso rabino Diesendruck. Esta tradução manteve-se fiel ao texto hebraico, ainda que algumas vezes a formação das frases em português possa parecer estranha.
Nassê Venishmá. Nassê – cumpriremos. Através de séculos de penosos caminhos de sua história, o povo judeu dedicou-se a cumprir os mandamentos Divinos acima de qualquer outra coisa. Nishmá – escutaremos. Na realidade o sentido aqui é mais de “estudaremos” do que de “ouviremos”. Temos, portanto, a missão de buscarmos, dentro do limitado nível da percepção humana, a compreensão dos textos Divinos a nós transmitidos pelo maior profeta e líder que já viveu – Moisés, nosso mestre.
Em cada geração, foram escritos dezenas e dezenas de livros de comentários que objetivavam uma melhor compreensão da Torá. Muitos foram os que dedicaram toda a sua vida ao estudo desta obra divina. Em nossa edição procuramos selecionar um pequeno número de comentários entre os muitos existentes. Acreditamos que esta pequena seleção de comentários poderá trazer esclarecimentos aos leitores, assim como motivá-los a aprofundar seu conhecimento por meio de grandes autores, tais como Rashi, Maimônides, Nachmanides, Sforno, Nechma Leibowitz, Cassuto, Malbim e muitos outros.
Que o Eterno inspire cada componente de Am Israel a reafirmar através de sua vida o lema de Nassê Venishmá: “cumprirei os mandamentos do Eterno e buscarei iluminar minha vida através de sua compreensão.”
* * *
Os Editores ativeram-se à tradução original e precisa do rabino Matzliah Z"L dos textos sagrados (mas não dos comentários), resistindo à tentação de modificar e simplificá-la em nome da modernização. Sem dúvida poderiam ter substituído, por exemplo, “E falou o Eterno a Moisés” por “O Eterno [sujeito] falou [verbo] a Moisés [objeto indireto]”. O texto ficaria mais claro, direto e moderno. Mas, além do fator subjetivo – o de se sacrificar o “sabor hebraico” que impregna o texto de forma tão marcante –, decidiram mantê-la por ser a única no mercado editorial brasileiro realizada diretamente do hebraico e de acordo com a milenar interpretação dos mestres do Talmud. Mas foi preciso atualizá-la, atendendo às transformações sofridas pela língua portuguesa desde sua publicação, há 39 anos, quanto à gramática, acentuação, regência, concordância e pontuação.
Além disso, determinadas palavras de compreensão mais difícil, ou arcaicas, foram substituídas por outras, mais conhecidas e modernas. Para os nomes próprios, foi adotada a sua forma hebraica, exceto os “consagrados”, mantidos em sua forma latina já conhecida. Quando necessário, a forma hebraica (ou latina) dos mesmos é citada entre colchetes. Todavia, em alguns casos, em que se comprometia a compreensão, não hesitaram em inverter o sujeito com o predicado ou alterar uma complicada forma verbal por outra mais simples. Foram também corrigidas imprecisões e antigas falhas de editoração apontadas por leitores atentos. Esperamos que se dê a mesma atenção a esta nova edição. Assim, cada vez mais, esta obra se aproximará da perfeição.
Tendo ao lado o moderno texto hebraico da famosa Editora Vagshal, de Jerusalém, os leitores poderão constatar como o saudoso rabino Matzliah se manteve fiel ao texto bíblico e aos exegetas clássicos, especialmente Onkelos (a tradução aramaica da Torá) e Rashi. Ou mesmo aperfeiçoar seu estudo do hebraico, pois há uma perfeita sincronia entre os textos hebraico e português.
Nesta edição, os Editores também consideraram os Teamê Hamicrá (sinais de vocalização musical) para fins de pontuação, e deixaram certos “espaços” no texto, de acordo, aliás, com os “espaços” em branco (Parashá Petuchá e Setumá) de um rolo da Torá convencional, segundo a tradição massorética. Ainda colocaram entre aspas as orações diretas de Deus, embora toda a Torá seja a expressão da palavra de Deus Altíssimo.
A compilação e redação dos comentários acrescentados a esta edição seguiram o mesmo critério do saudoso rabino Menahem M. Diesendruck Z”L para elaborar as mensagens, extraídas de sua obra Sermões e citadas neste livro sob a abreviatura MD. Como esta, por exemplo: “O objetivo elevado e sagrado das nossas interpretações das Parashiot é ilustrar e comentar os eternos ensinamentos da sagrada Torá à luz do pensamento moderno, mas fiéis às eternas e velhas prescrições da Torá escrita e oral, transmitindo-as às novas gerações em roupagem atualizada, demonstrando assim aos jovens que nos leem a veracidade, perpetuidade e imutabilidade da Torá que consideramos Torat Chayím, doutrina de vida.”
Os Editores também apresentam comentários sobre passagens consideradas “controvertidas” e “nebulosas”, e foram além de uma única linha interpretativa, dentre as muitas possíveis. Procuram trazer aos leitores informações e sínteses exegéticas dos grandes mestres do judaísmo de várias épocas. Em vez do detalhe técnico e específico, que pode ser encontrado em obras mais profundas e destinadas ao público interessado, priorizam a atualidade dos eternos ensinamentos da Torá. Os Editores esforçaram-se em revelar, principalmente para a sociedade contemporânea em busca de ideais e valores em que possa pautar sua conduta e convivência harmoniosa, o sentido de esperança que emana dos ensinamentos bíblicos.
As observações com a letra E (de Editores) entre parênteses diferencia-as das análises sutis do rabino Matzliah Z"L (sem abreviatura) e das do rabino Diesendruck (MD). Além disso, as fontes consultadas compõem a bibliografia deste livro.
* * *
Se, por intermédio desta obra, conseguirmos irradiar para a Humanidade um pouco da imensa luz da Torá e, assim, banir um pouco a escuridão, o ódio e a intolerância que ainda existem em nosso planeta, nosso esforço terá sido compensado, e nossa missão, cumprida.
São Paulo/Rio de Janeiro/Porto Alegre/Belém, Tevet 5761 - janeiro 2001.
Os Editores
Há alguns anos, essa pergunta seria impensável, mas, hoje, o público leitor já dispõe de 7 versões judaicas da TORÁ em português! Cada uma delas tem seus atrativos e caberá ao leitor, a partir de agora, decidir qual ou quais versões ele deseja consultar e estudar.
Para tentar facilitar essa tarefa, elaboramos uma tabela que destaca alguns aspectos técnicos e objetivos de cada uma delas. Porém, aqueles relacionados ao estilo são muito subjetivos e difíceis de explicar. Por isso, decidimos oferecer aos leitores a oportunidade de as avaliarem por si mesmos, a fim de descobrirem qual ou quais delas são as que mais os agrada e atendem às suas necessidades e expectativas.
Dessa forma, o leitor poderá perceber as nuances de cada uma e qual delas contribui mais para seu enriquecimento pessoal.
Boa avaliação a todos!
Clique AQUI e veja a tabela.
Cadastre-se para receber ofertas e novidades exclusivas da Livraria Sêfer