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O Guia dos Perplexos é a obra-prima filosófica daquele que é considerado um dos maiores sábios judeus de todos os tempos: o Rabi Moshe ben Maimon - o Rambam, também conhecido como Maimônides. Escrito há mais de 800 anos e contendo 178 capítulos divididos em 3 partes, está sendo publicado na íntegra somente agora em português, com base nas mais respeitadas fontes históricas, religiosas e acadêmicas, em linguagem acessível e criteriosamente anotado pelo Dr. Yosef Flavio Horwitz - um brasileiro formado pela Universidade Hebraica de Jerusalém e pela Universidade Bar-Ilan -, após muitos anos de intensa pesquisa e dedicação.
Esta obra se destinava a guiar pessoas versadas tanto nas disciplinas filosóficas como na Bíblia e no Talmud e mostrar o caminho profundo de estudar ambas - religião e filosofia - dentro de um modo de pensar racional.
Na época de Maimônides, a filosofia aristotélica disseminava-se livremente no seio dos territórios sob domínio muçulmano, ao contrário do que ocorria naqueles sob influência cristã. Neste contexto, Maimônides se preocupou em munir os judeus de sua geração com subsídios filosóficos que lhes permitisse enfrentar o profundo desafio às suas crenças judaicas mais genuínas, oriundo do estudo da filosofia aristotélica e que gerava uma perigosa situação de perplexidade.
Concordam os judeus e Aristóteles com a necessidade de uma causa primeira e, por conseguinte, única e eterna - que para os judeus corresponde a Deus. Etéreo e afastado dos destinos do homem comum para os filósofos, o Deus dos judeus é Quem lhes provê um caminho a seguir - a Torá - que, por sua vez, regulamenta todas as ações humanas e a Quem deve o ser humano se subordinar por completo.
Porém, um Deus tão envolvido com o destino dos seres humanos, mas muitas vezes apresentado na Bíblia por meio de uma linguagem antropomórfica, gerava dificuldades para aqueles iniciados em filosofia. Maimônides resolve estas dificuldades brilhantemente, explicando as expressões antropomórficas e elucidando que os atributos atribuídos a Deus são somente negativos ou de Suas ações.
iMaimônides aborda com profundo rigor filosófico e em consonância com os ensinamentos da Bíblia, temas fundamentais para o judaísmo, como a Criação do Universo, a profecia, a Providência Divina, a ética e a natureza do bem, do mal e da virtude.
Talmudista, codificador, filósofo, matemático, médico e dono de um talento literário ímpar, Maimônides se tornou um dos maiores pensadores da Idade Média, e suas teorias exerceram influência significativa sobre filósofos e teólogos cristãos, muçulmanos e judeus de sua época, bem como em figuras como Tomás de Aquino, Espinoza, Leibniz, Newton, Kant e Emanuel Levinas, entre muitos outros, até os dias atuais, sendo estudado em universidades do mundo inteiro, e sua contribuição à humanidade de grande importância.
O leitor moderno ficará impressionado com a sabedoria de Maimônides e a profundidade de suas ideias, e lhe ficará clara a razão de os estudiosos se referirem a este grande sábio assim: "De Moisés (da Bíblia) a Moisés (filho de Maimon) não houve outro igual a Moisés."
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Prefácio do tradutor
Bibliografia
Carta de Anuência
CAPÍTULO 1 - Sobre as palavras tsêlem (imagem) e demut (semelhança)
CAPÍTULO 2 - O estado de Adão antes e depois do pecado e o significado de seu pecado
CAPÍTULO 3 - Sobre as palavras tavnit e temuná (figura)
CAPÍTULO 4 - Sobre os verbos raá, hibit e chazá
CAPÍTULO 5 - Sobre o estudo das Ciências Divinas (Metafísica)
CAPÍTULO 6 - Sobre as palavras ish e ishá (homem e mulher)
CAPÍTULO 7 - Sobre o verbo ialad (gerar, dar à luz)
CAPÍTULO 8 - Sobre a palavra macom (lugar)
CAPÍTULO 9 - Sobre a palavra kissê (trono)
CAPÍTULO 10 - Sobre os verbos alá e iarad (subir e descer)
CAPÍTULO 11 - Sobre o verbo iashav (sentar)
CAPÍTULO 12 - Sobre o verbo kom (levantar-se)
CAPÍTULO 13 - Sobre o verbo amad (ficar de pé, cessar)
CAPÍTULO 14 - Sobre a palavra Adam (o homem)
CAPÍTULO 15 - Sobre os verbos nitsav ou iatsav (ser estável, constante) e a visão da escada no sonho de Jacob
CAPÍTULO 16 - Sobre a palavra Tsur (Rocha)
CAPÍTULO 17 - Não somente a Metafísica deve ser ocultada da multidão, mas também a maioria das ciências naturais
CAPÍTULO 18 - Sobre os verbos carav, nagá e nigash (aproximar)
CAPÍTULO 19 - Sobre a palavra male (cheio)
CAPÍTULO 20 - Sobre as palavras ram e nissá (elevado)
CAPÍTULO 21 - Sobre o verbo avar, a expressão vaiaavor, o pedido de Moisés e a resposta recebida
CAPÍTULO 22 - Sobre o verbo bá (vir)
CAPÍTULO 23 - Sobre o verbo iatsá (sair)
CAPÍTULO 24 - Sobre o verbo halach (andar, ir)
CAPÍTULO 25 - Sobre o verbo shachan e seus usos, e quando ele é usado em relação à Shechiná
CAPÍTULO 26 - Explicação de conceitos que são ditos em relação a Deus, especialmente o movimento. A Torá utilizou a linguagem dos seres humanos
CAPÍTULO 27 - Os conceitos de Onkelos para evitar qualquer tipo de materialização a respeito do movimento em relação a Deus
CAPÍTULO 28 - Sobre a palavra rêguel (pé, perna)
CAPÍTULO 29 - Sobre o verbo etsev no sentido de irritar-se
CAPÍTULO 30 - Sobre o verbo achal (comer) e seus diversos significados, inclusive em relação à sabedoria e ao estudo
CAPÍTULO 31 - Os limites da inteligência humana
CAPÍTULO 32 - Assim como os sentidos se enfraquecem por meio de esforço extremo, assim também o intelecto
CAPÍTULO 33 - O estudo da Metafísica
CAPÍTULO 34 - Cinco razões que impedem uma pessoa de se dirigir de imediato ao estudo da Metafísica
CAPÍTULO 35 - Da necessidade de ensinar à multidão que Deus é incorpóreo e que transcende qualquer passibilidade
CAPÍTULO 36 - Antropomorfismos
CAPÍTULO 37 - Sobre a palavra panim (face)
CAPÍTULO 38 - Sobre a palavra achor (atrás)
CAPÍTULO 39 - Sobre a palavra lev (coração)
CAPÍTULO 40 - Sobre a palavra rúach (vento, espírito)
CAPÍTULO 41 - Sobre a palavra nêfesh (alma)
CAPÍTULO 42 - Sobre a palavra chai (vivo)
CAPÍTULO 43 - Sobre a palavra canaf (asa)
CAPÍTULO 44 - Sobre a palavra áyin (olho)
CAPÍTULO 45 - Sobre o verbo shamá (ouvir)
CAPÍTULO 46 - Sobre as metáforas usadas em relação a Deus
CAPÍTULO 47 - Sobre as metáforas dos sentidos
CAPÍTULO 48 - Como Onkelos traduz os verbos ouvir e ver em relação a Deus
CAPÍTULO 49 - Os anjos são incorpóreos e inteligências separadas
CAPÍTULO 50 - A crença deve se basear no que é concebido na mente por meio de estudo e conhecimento
CAPÍTULO 51 - Sobre a necessidade de se negar atributos em relação a Deus por constituírem materialização
CAPÍTULO 52 - As cinco classes de atributos afirmativos
CAPÍTULO 53 - O sentido literal sem a devida interpretação causou a crença nos atributos
CAPÍTULO 54 - Os pedidos de Moisés a Deus e o sentido alegórico dos atributos citados na Bíblia
CAPÍTULO 55 - A necessidade de negar qualquer traço que implique corporeidade, passibilidade e mudança, privação ou semelhança com algo criado a respeito de Deus
CAPÍTULO 56 - A negação de semelhança e dos atributos essenciais
CAPÍTULO 57 - Sobre os atributos, com mais profundidade, nem mesmo unidade e eternidade podem ser aceitas; os atributos negativos
CAPÍTULO 58 - Os atributos negativos, com mais profundidade
CAPÍTULO 59 - Quanto mais se nega de Deus qualquer atributo afirmativo, mais nos aproximamos de conhecê-Lo
CAPÍTULO 60 - Mais explicações sobre os atributos negativos
CAPÍTULO 61 - Todos os nomes de Deus nas Escrituras são derivados de Suas ações, com exceção do Tetragrama
CAPÍTULO 62 - Sobre o Tetragrama, o nome de 12 letras e o nome de 42 letras
CAPÍTULO 63 - Sobre os nomes de Deus (continuação)
CAPÍTULO 64 - Sobre o Nome de Deus e a glória de Deus
CAPÍTULO 65 - O significado da "fala" a respeito de Deus
CAPÍTULO 66 - Sobre "escrita" em relação a Deus
CAPÍTULO 67 - Sobre os verbos shavat e nach (repousar)
CAPÍTULO 68 - Explicação sobre o que dizem os filósofos de que Deus é o Intelecto, o Inteligente e o Inteligível
CAPÍTULO 69 - Em que sentido os filósofos denominam Deus como a "Causa"
CAPÍTULO 70 - Sobre a palavra rochev (montar) em relação a Deus como o Primeiro Motor ou Governador do Universo
CAPÍTULO 71 - A origem do Kalam
CAPÍTULO 72 - Descrição do Universo de modo geral e o ser humano
CAPÍTULO 73 - As doze proposições do Kalam
CAPÍTULO 74 - A Criação segundo o Kalam
CAPÍTULO 75 - A unidade de Deus segundo o Kalam
CAPÍTULO 76 - Incorporeidade segundo a doutrina dos kalamitas
Introdução
25 proposições com as quais os filósofos aristotélicos provaram demonstrativamente a existência e incorporeidade de Deus, e a 26ª, que não aceitamos
CAPÍTULO 1 - A existência, unidade e incorporeidade de Deus e o primeiro motor do Universo
CAPÍTULO 2 - A existência, incorporeidade e unidade de Deus são provadas sendo o Universo criado ou eterno
CAPÍTULO 3 - As hipóteses de Aristóteles e a tradição rabínica
CAPÍTULO 4 - As esferas e as causas de seus movimentos
CAPÍTULO 5 - Aristóteles e a tradição rabínica
CAPÍTULO 6 - Os significados da palavra “anjo”
CAPÍTULO 7 - As Inteligências e as esferas são cientes de suas ações
CAPÍTULO 8 - Os sons relacionados ao movimento das esferas
CAPÍTULO 9 - As dúvidas relativas aos números das esferas
CAPÍTULO 10 - A influência das esferas
CAPÍTULO 11 - Parte da Astronomia é baseada em hipóteses. Sobre as Inteligências, as esferas e os corpos abaixo da esfera lunar
CAPÍTULO 12 - A emanação Divina
CAPÍTULO 13 - Três teorias sobre Criação ou eternidade do Universo
CAPÍTULO 14 - Argumentos dos que sustentam a eternidade do Universo
CAPÍTULO 15 - Aristóteles sabia não haver demonstrado a eternidade do Universo
CAPÍTULO 16 - A Criação ex nihilo também não é demonstrável; o objetivo é mostrar que ela é possível
CAPÍTULO 17 - Refutação dos argumentos de Aristóteles sobre a eternidade do Universo
CAPÍTULO 18 - Refutação de três métodos pelos quais os filósofos tentam provar a eternidade do Universo
CAPÍTULO 19 - Argumentos que podem fortalecer a Teoria da Criação ex nihilo
CAPÍTULO 20 - Argumentação de Aristóteles de que o Universo não é consequência do acaso
CAPÍTULO 21 - A origem do Universo e o significado de “necessidade” segundo Aristóteles
CAPÍTULO 22 - A doutrina da necessidade está distante do entendimento e acarreta várias objeções que não são respondidas, mas que desaparecem mediante a premissa de que Deus criou o Universo do nada absoluto
CAPÍTULO 23 - Como se deve comparar duas ideias contrárias e as condições para um pensamento rigoroso
CAPÍTULO 24 - Dificuldades da Astronomia que pressupõem os epiciclos e que não estão de acordo com a Física e a Astronomia aristotélica
CAPÍTULO 25 - Não é por causa do que está escrito na Torá que acreditamos que o Universo foi criado, pois os versículos que expressam isso podem ser interpretados de forma não literal
CAPÍTULO 26 - Exame de uma passagem do Pirkê de Rabi Eliezer
CAPÍTULO 27 - A crença de que o Universo foi criado não contradiz a crença de que ele não será destruído no futuro
CAPÍTULO 28 - O Rei Salomão não pressupôs que o Universo fosse eterno, mas que permaneceria
CAPÍTULO 29 - Não há nas Escrituras nenhum versículo que fale sobre a destruição do Universo no futuro, e nem tudo que é dito no Relato da Criação deve ser entendido de forma literal
CAPÍTULO 30 - Segredos e alusões no Relato da Criação e na história de Adão e Eva
CAPÍTULO 31 - O Shabat vem estabelecer a Criação do Universo e a memória do Êxodo do Egito
CAPÍTULO 32 - Três opiniões sobre a profecia: a primeira do povo simples, a segunda dos filósofos e a terceira da Torá
CAPÍTULO 33 - A Revelação do Monte Sinai
CAPÍTULO 34 - O anjo que não é revelado ao povo e a profecia
CAPÍTULO 35 - A profecia de Moisés difere totalmente da profecia dos outros profetas
CAPÍTULO 36 - Definição geral da profecia e a diferença entre sonho justo e profecia
CAPÍTULO 37 - A emanação Divina e os níveis da profecia
CAPÍTULO 38 - As faculdades necessárias aos profetas
CAPÍTULO 39 - A Torá de Moisés é única e jamais será substituída
CAPÍTULO 40 - O ser humano é um ser social. Diferenças entre a legislação feita pelos seres humanos e a Torá transmitida pela profecia
CAPÍTULO 41 - Definição de visão profética e sonho profético
CAPÍTULO 42 - Toda vez que é dito na Bíblia Hebraica que alguém viu um anjo trata-se de um sonho profético ou visão profética
CAPÍTULO 43 - A linguagem dos profetas
CAPÍTULO 44 - As formas de recepção profética
CAPÍTULO 45 - Onze graus de percepção: dois de rúach hacódesh e nove de profecia
CAPÍTULO 46 - Os atos alegóricos que os profetas realizam numa profecia
CAPÍTULO 47 - O estilo figurado dos escritos proféticos que não podem ser entendidos literalmente
CAPÍTULO 48 - Todas as coisas do mundo têm origem numa causalidade cuja primeira causa é Deus
Introdução
CAPÍTULO 1 - As quatro faces das chaiót na visão de Ezequiel
CAPÍTULO 2 - As chaiót e os ofanim da visão de Ezequiel
CAPÍTULO 3 - Explicação de alguns versículos da segunda visão de Ezequiel
CAPÍTULO 4 - A explicação de Ionatan ben Uziel sobre os ofanim
CAPÍTULO 5 - Três percepções distintas na visão de Ezequiel
CAPÍTULO 6 - A visão de Ezequiel e a visão de Isaías
CAPÍTULO 7 - Algumas expressões dos capítulos da Mercavá
CAPÍTULO 8 - O perecimento está relacionado somente à matéria; a forma, que é a essência verdadeira, não perece
CAPÍTULO 9 - A matéria é como um véu que impede a nossa inteligência de perceber o que é possível da existência de Deus e das Inteligências Separadas (os anjos)
CAPÍTULO 10 - Sobre o mal e a privação
CAPÍTULO 11 - A origem dos males que os seres humanos causam a si e aos outros
CAPÍTULO 12 - A existência não existe para o ser humano; ela existe pela vontade do Criador
CAPÍTULO 13 - Não se pode descobrir a finalidade do Universo
CAPÍTULO 14 - O ser humano deve estar atento à sua pequenez em comparação à enormidade dos corpos celestes
CAPÍTULO 15 - Sobre a natureza do impossível
CAPÍTULO 16 - Sobre a Onisciência de Deus
CAPÍTULO 17 - Cinco teorias sobre a Providência Divina
CAPÍTULO 18 - A opinião de que a Providência ao indivíduo é conforme a sua inteligência
CAPÍTULO 19 - O que fez com que algumas pessoas duvidassem da Onisciência de Deus foi o que lhes parecia ser uma falta de justiça nas situações humanas
CAPÍTULO 20 - O significado de conhecimento de Deus e de conhecimento humano são completamente diferentes
CAPÍTULO 21 - Conhecimento e essência são o mesmo a respeito de Deus
CAPÍTULO 22 - O Livro de Jó explica as opiniões sobre a Providência
CAPÍTULO 23 - As opiniões de Jó e seus amigos são diferentes visões sobre a Providência
CAPÍTULO 24 - O significado de “prova”
CAPÍTULO 25 - Divisão das ações humanas em quatro categorias. As ações de Deus possuem uma finalidade boa e importante, mesmo que não a conheçamos
CAPÍTULO 26 - Todos os mandamentos possuem uma razão
CAPÍTULO 27 - O objetivo geral da Torá é o aperfeiçoamento da alma e do corpo
CAPÍTULO 28 - Os mandamentos possuem uma razão
CAPÍTULO 29 - Muitos mandamentos têm como objetivo erradicar as práticas idólatras
CAPÍTULO 30 - A Torá veio erradicar a idolatria
CAPÍTULO 31 - Há quem acredite na irracionalidade dos mandamentos Divinos. Esta é uma enfermidade em suas almas, pois todos os mandamentos possuem uma utilidade
CAPÍTULO 32 - Os mandamentos estão relacionados ao aprofundamento do conhecimento da existência de Deus, de Sua unidade e da Criação do Universo. Os sacrifícios vieram para cancelar a idolatria e limitar tais práticas
CAPÍTULO 33 - O domínio das paixões e o aperfeiçoamento das virtudes
CAPÍTULO 34 - A Torá está direcionada ao bem geral
CAPÍTULO 35 - Quatorze classes de mandamentos
CAPÍTULO 36 - Primeira classe: As ideias verdadeiras
CAPÍTULO 37 - Segunda classe: Mandamentos que têm por objetivo a erradicação da idolatria
CAPÍTULO 38 - Terceira classe: Mandamentos que têm por objetivo o aperfeiçoamento das virtudes e das relações sociais
CAPÍTULO 39 - Quarta classe: A caridade e outros mandamentos
CAPÍTULO 40 - Quinta classe: Danos e mandamentos relacionados
CAPÍTULO 41 - Sexta classe: Crimes e punições
CAPÍTULO 42 - Sétima classe: Legislação monetária
CAPÍTULO 43 - Oitava classe: O Shabat e as Festas
CAPÍTULO 44 - Nona classe: Amor a Deus, oração, Shemá e outros mandamentos
CAPÍTULO 45 - Décima classe: O Templo, os utensílios e mais
CAPÍTULO 46 - Décima primeira classe: Os sacrifícios
CAPÍTULO 47 - Décima segunda classe: Pureza e impureza
CAPÍTULO 48 - Décima terceira classe: Mandamentos relacionados com alimentos e outros mandamentos
CAPÍTULO 49 - Décima quarta classe: Relações proibidas e outros mandamentos
CAPÍTULO 50 - Nenhuma passagem da Torá é supérflua
CAPÍTULO 51 - O verdadeiro conhecimento e o serviço a Deus
CAPÍTULO 52 - Reverência e amor a Deus
CAPÍTULO 53 - Sobre as palavras chêssed, tsedacá e mishpat — benevolência, justiça e equidade
CAPÍTULO 54 - Chochmá — sabedoria e ética
Sobre a vida de Maimônides
Maimônides - bendita seja a sua memória! -, o RAMBAM, acrônimo de Rabi Moshe, filho de Maimon, (1138-1204), nasceu em Córdoba na Espanha e faleceu no dia 20 do mês de Tevet, e de acordo com a tradição está enterrado na cidade de Tiberíades, em Israel. Seu mestre principal foi seu pai, o Rabino Maimon, filho de Iossef Hadaián, discípulo do Rabino Iossef ibn Migash. O RAMBAM é a maior das autoridades haláchicas (poskim) de todas as gerações, um dos mais importantes filósofos da Idade Média, líder das comunidades judaicas do Egito e arredores, cientista e médico, que influenciou todas as gerações desde então.
Após Córdoba ter sido conquistada pelos almóadas, uma seita islâmica fundamentalista que invadiu a Península Ibérica a partir do ano 1148, Maimônides teve de abandonar a cidade com sua família e fugir para o Norte da África. Dezessete anos mais tarde, Maimônides foi morar na Terra de Israel. Naqueles dias, ela era governada pelos cruzados e, aparentemente, por causa do perigo, Maimônides teve de sair de Israel, indo morar em Fostat, a cidade antiga do Cairo, no Egito. Rapidamente Maimônides ocupou uma função central entre os judeus do Egito. Maimônides faleceu em 1204.
Em todos esses lugares - Espanha, Norte da África, Egito, Israel e suas vizinhanças -, o idioma usado pelos judeus era o árabe-judaico (árabe escrito com caracteres hebraicos). Apesar de os judeus falarem em cada um desses países um dialeto específico, eles escreviam na língua árabe judaica literária que era entendida por todos os judeus que viviam nos países nos quais a cultura árabe era preponderante. Nesta língua era feita a correspondência internacional e até mesmo escritos sobre o pensamento (hagut). Maimônides escreveu suas obras neste idioma, com exceção do Mishnê Torá, que foi escrito em hebraico.
Sobre o Guia dos Perplexos
Em sua introdução ao Guia dos Perplexos, o Rabino Kapach - bendita seja a sua memória! - indica que, após Maimônides haver terminado o Mishnê Torá, ele iniciou a redação do Guia, que tem 178 capítulos e se divide em três partes: a primeira contém 76 capítulos; a segunda, 48, e a terceira, 54.
Traduções
Escrito originalmente em árabe-judaico, o Guia dos Perplexos foi traduzido para o hebraico pelo Rabino Shemuel ibn Tivon - bendita seja a sua memória! - ainda durante a vida de Maimônides. Foram feitas outras traduções para o hebraico, e as modernas, de grande importância, são as do Rabino Iossef Kapach (1917-2000) e do Prof. Michael Schwartz (1929-2011) - benditas sejam suas memórias!
Já em tempos antigos esta obra foi traduzida para vários idiomas. A tradução para o francês de Salomon Munk (1803-1867) com seus comentários é datada de 1856 e é de enorme importância até os dias de hoje.
O Guia dos Perplexos foi comentado por vários sábios judeus e sua influência no pensamento judaico é incomensurável.
Sobre esta tradução
Esta é a primeira tradução integral feita para o idioma português. Os livros utilizados nesta tradução são principalmente três: (1) a tradução do Professor Michael Schwartz; (2) a tradução do Rabino Iossef Kapach; e (3) a tradução para o francês de Salomon Munk - benditas sejam suas memórias! Foi consultada também a tradução do Rabino Shemuel ibn Tivon (~1160 ~1230), bem como as traduções ao inglês de Michael Friedlander, ao espanhol de David Gonzalo Maeso e das partes traduzidas ao português por Uri Lam.
A tradução foi feita de modo a facilitar a leitura sem alterar o texto original. Às vezes foi necessário abdicar das regras estritas do português com o intuito de facilitar a fluência da leitura. As notas de rodapé têm como função facilitar ao leitor e não intentam comentar ou interpretar o livro. A maioria das notas, incluindo as referências bibliográficas a outros livros, foram tiradas das notas do Prof. Schwartz e do Rabino Kapach.
Às vezes foi colocada na nota outra possibilidade de traduzir determinada palavra, ou que ela está diferente na tradução de Munk ou em outra tradução.
A transliteração foi feita de modo a facilitar o leitor, sem usar o formato acadêmico que não é conhecido pela maioria das pessoas. A inclusão de termos hebraicos entre parênteses ao longo do texto tem caráter pedagógico e visa permitir ao leitor identificar certos conceitos para maior aprofundamento sobre eles.
Os títulos dos capítulos e seus intertítulos foram acrescentados a esta edição (e não se encontram no texto original) e baseiam-se nos textos do Rabino Kapach, do Prof. Schwartz e de Salomon Munk.
Agradecimentos
Agradeço a Deus.
Agradeço ao meu mestre e rabino, Rabino Dr. Smadja - que tenha longa vida!
Agradeço ao meu mestre e meu rabino, Rabino Dr. Arussi - que tenha longa vida!
Agradeço ao meu amigo Yonatan Smadja.
Agradeço ao amigo prof. Jairo Fridlin todo seu esforço para a publicação deste livro.
Agradeço ao Prof. Dr. Moacir Amâncio.
Agradeço a toda a minha família.
A Maimônides, dedico esta tradução.
Jerusalém, Tamuz de 5777.
Julho de 2017.
Yosef Flavio Horwitz
Yosef Flavio Horwitz nasceu no Rio de Janeiro em 1970. Imigrou para Israel em 1988 e reside desde então em Jerusalém.
Graduou-se em Filosofia Judaica e Filosofia Geral pela Universidade Hebraica de Jerusalém e concluiu seu mestrado e doutorado pela Universidade Bar-Ilan, ambas em Israel.
Seus estudos judaicos - incluindo O Guia dos Perplexos - iniciaram-se desde sua chegada a Israel, tendo se aproximado do caminho ensinado pelo Rambam por meio do Rabino Dr. Smadja, conforme transmitido a ele diretamente pela tradição dos rabinos da Tunísia, tanto em relação à halachá (lei judaica) quanto ao pensamento judaico.
"O grande desafio da série Clássicos do Pensamento Judaico chamava-se Maimônides e seu famoso e controvertido “Guia”. Não havia hipótese de que ele ficasse de fora, mas quem o traduziria?
Foi aí que o meu amigo Dr. Auro del Giglio me apresentou uma coletânea das partes principais do mesmo, e dessa forma “cumprimos a nossa obrigação”.
Quinze anos depois, quando o Dr. Yosef Flavio Horwitz me procurou para publicarmos a obra completa do “Guia”, instantaneamente disse que sim, e só depois fui me dar conta de que teríamos pelo menos dois anos de trabalho árduo pela frente para concretizar esse sonho!
De imediato, convoquei o brilhante Iossi Katri para revisar o texto e esclarecer inúmeras passagens; depois, editei e revisei cada parágrafo da obra junto com o próprio tradutor – um super catedrático na matéria – de modo a tornar o texto acessível ao maior número possível de pessoas (inclusive não acadêmicos); e por fim, junto ao saudoso amigo e mestre Carlos A. Andreotti, buscamos encontrar uma forma gráfica de apresentar o texto com muita clareza e legibilidade, levando em consideração suas centenas de notas de rodapé.
Com uma capa inspiradíssima do designer Ivo Minkovicius, creio que conseguimos atingir o objetivo de publicar uma das mais importantes obras de um dos maiores – senão o maior de todos! – pensadores do judaísmo de todos os tempos!"
Jairo Fridlin
fundador e Publisher da Editora Sêfer
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