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Abrangente coletânea de leis e costumes ligados à dieta alimentar judaica, escrita de forma clara, fácil e didática, o que torna sua leitura muito agradável. Capa brochura.
Veja também:
Casher na Teoria
Casher na Teoria e Casher na Prática - com desconto
O que é Cashrut? - Antologia do Pensamento Judaico sobre as Leis Dietéticas Judaicas
Quando o Todo-Poderoso criou o homem, como bom arquiteto, seguiu um projeto por Ele traçado, para que este homem desempenhe seu papel neste mundo da melhor maneira possível. Ao mesmo tempo, por ser seu Criador e quem melhor o conhece, forneceu-lhe um guia, um manual de instruções do fabricante, indicando-lhe que tipo de coisas lhe fazem bem e melhoram sua performance e quais lhe prejudicam e atrasam seu desenvolvimento.
Muitas mitsvót (preceitos) foram passadas ao nosso povo, no total, 613. Destas, 248 são ativas, que contribuem na elevação da pessoa, e 365 são passivas, ou seja, não faça “tal coisa”, para proteger a pessoa de situações que prejudicam seu desenvolvimento espiritual. As diversas leis de cashrut, podem encaixar-se nestas duas categorias, parte delas visa, ativamente, o desenvolvimento do judeu, determinando de que forma deve agir, e outra parte, afasta a pessoa de alimentos que prejudicam à sua alma e à realização de seu papel no mundo.
Logo no seu primeiro dia de vida, o homem recebeu uma mitsvá que estava vinculada ao alimento. Se Adão tivesse superado este desafio, teria “consertado” a si próprio e, de passagem, o mundo todo. Infelizmente, ele não venceu o único desafio que tinha. Até hoje, estamos suando para consertar os estragos causados por este ato que pode nos parecer pequeno e insignificante. Adão não seguiu o manual do fabricante. Hoje, na era da tecnologia podemos entender que, às vezes, pequenos atos fazem toda a diferença. Se não colocarmos a bateria certa num aparelho, este não funcionará. Se escrevermos um grande e complexo software e trocarmos apenas uma letra, este pode não funcionar. Se apertarmos o botão errado de um aparelho, podemos causar estragos. Por exemplo, se apertarmos, num gravador, o botão que gra-va, e dentro deste houver uma fita já gravada com algo importante, esta pode perder toda sua informação. Enfim, podemos mencionar inúmeros exemplos.
Reparar estragos sempre é mais complicado do que fazer uma boa manutenção, por isso, nós temos tantas mitsvót, para reparar os danos causados por aquele momento de tentação.
Devemos aprender disto uma grande lição: a de seguir todas as mitsvót, e, principalmente, àquelas que estão ligadas com o alimento, pois estes entram em nosso corpo. Isto, para que consigamos reparar os danos causados por Adão e Eva, ao comerem da fruta, e para que não causemos mais dano.
Muitas das regras de cashrut não nos são compreensíveis, e mesmo aquelas que nos são compreensíveis, muito provavelmente possuem motivos e objetivos mais profundos que não conseguimos enxergar. O Criador nos deu uma série de decretos, os quais, aos Seus olhos, são capazes de nos elevar e ajudar a desempenhar nosso papel na criação. Consequentemente, aquele que ingere alimentos proibidos, está prejudicando a si mesmo e ao mundo, pois acaba causando estragos em sua alma e no mundo todo, sem levar em conta o fato de ter perdido a oportunidade de se elevar e estar mais próximo de sua meta.
Nossos sábios comentam que, aquele que ingere alimentos proibidos, cria uma crosta em torno de seu coração, isolando-o de boas influências e de bons ensinamentos.
Se prestarmos atenção, verificaremos um interessante fenômeno: uma pessoa que deixa de comer, morre. Isto significa, que a alma deixa o corpo e se vai, contudo, o corpo fica. Alguém poderia deduzir disto que quem precisa do alimento não é o corpo, mas sim a alma, já que é esta que se vai. Porém, sabemos que a alma é espiritual e o corpo é material, de forma que a lógica diz que quem precisa do alimento é o corpo. Li uma interessante resposta para isto: o alimento é o responsável pela união entre o corpo e a alma. Sem este, esta união se torna impossível.
Este fenômeno se apresenta também no caso dos corbanót (oferendas) os quais são chamados pelo Criador como “meu pão”, e todos sabemos que não faz sentido dizer que Ele tenha necessidade de pão. A resposta é a mesma: os corbanót possibilitam a ligação da Shechiná (Presença Divina) com nosso mundo material. Isto explica por que a Torá se estendeu tanto nos detalhes das leis dos corbanót, o que não acon-tece em outras mitsvót, pois, sua prática é responsável pela conexão do Criador com nosso mundo material.
Creio que isto explica também por que há tantas leis relacionadas aos alimentos, pois estes possibilitam a união de nosso corpo com nossa alma, que é algo espiritual. O alimento material, quando utilizado seguindo as normas do manual, pode beneficiar também nosso lado espiritual. Quando utilizados apenas segundo nossos instintos materiais, pode até ser que beneficiam nossa parte material, contudo, causam grande prejuízo à nossa parte espiritual, nossa alma, fechando-a e reprimindo-a, até que, em certo momento, não a sintamos mais dentro de nós. Talvez, isto explique também o que mencionamos acima, que nossos sábios nos ensinam que aquele que ingere alimentos proibidos, acaba fechando seu coração. Resumindo, uma união corpo e alma de forma sadia, só será alcançada quando a pessoa se alimentar de acordo com as leis de cashrut.
Outro enfoque interessante sobre a importância de seguir as leis de cashrut pode ser observado na seguinte história:
Conta-se que, no auge do império romano, quando dominava muitos povos, fora proibida a entrada de judeus em Roma. Ao transgressor caberia pena de morte.
Havia um comerciante judeu chamado Hilel que encontrou meios de continuar fazendo seus negócios na cidade de Roma, sem ser pego ao entrar nela.
Certa vez, ficou retido em Roma na véspera de Pessach, pois não conseguiu voltar para seu lar. Ficou apavorado com a ideia de ter que passar a festa lá. Onde encontraria matsót (pão ázimo), como faria para não comer chamets (massas fermentadas)?
O tempo ia se esgotando e Hilel ainda não sabia como passaria a festa. De repente, teve uma brilhante ideia. Com certeza, há muitos judeus clandestinos em Roma, apesar do decreto, e com certeza estão se preparando para a festa secretamente - disse consigo mesmo. Devo ir imediatamente à feira e ver quem anda comprando alimentos necessários para o seder. Se alguém estiver comprando o maror (alface), deve ser judeu, pois por que algum não judeu estaria comprando neste momento maror? Pensou e foi para a feira rapidamente. Num cantinho, ficou observando os transeuntes. De repente, uma imponente carruagem passa pela feira, para e de dentro dela sai o governador de Roma em pessoa!
Hilel percebeu que este sussurrou algo aos ouvidos de seu ajudante, o qual, em seguida, correu às mesas da feira e comprou um pé de alface. Enquanto isto, as pessoas rodearam o governador para vê-lo e cumprimentá-lo. Este lhes disse que veio ver o que se pode melhorar na região da feira.
O ajudante, com a alface na mão, entrou discretamente na carruagem, e em seguida, o governador.
Hilel não tinha dúvidas de que o governador era judeu, e não só isso, era observador dos preceitos da Torá! Prova disto é que veio pessoalmente comprar a alface para o seder.
Havia ainda um pequeno problema: como chegar até ele e revelar seu segredo?
O sol já estava se pondo e o tempo se esgotando. Hilel começou a se mexer e rapidamente se encontrou na entrada do palácio do governador.
Tenho um segredo para revelar ao governador - disse aos soldados na entrada do palácio - Algo urgente e de extrema importância.
Ele foi levado rapidamente ao escritório do governador, enquanto rezava ao criador que o ajudasse.
Preciso de sua ajuda – disse ao governador. Que precisa? – perguntou-lhe.
Sou judeu – disse sussurrando – hoje é Pessach e percebi que o senhor é judeu também, pois estava comprando alface na feira. Meu pedido é que me deixe passar a festa com vocês. Pago qualquer quantia de dinheiro que quiser.
Silêncio absoluto no escritório. O governador estava atônito. De repente, levantou-se e levou Hilel até uma porta secreta. Abriu-a e entrou num grande salão. Hilel o acompanhou. Hilel ficou espantado ao descobrir um aposento secreto, onde havia mesas servidas com matsót, vinho e tudo o que é necessário para o seder.
Bem-vindo, judeu! – disse-lhe o governador – serás minha visita durante toda a festa. No horário da reza de minchá um servente acompanhou o governador à sinagoga secreta, no palácio.
Após rezarem, o grande público se reuniu no salão onde estavam as mesas servidas, para poder realizar o seder. A refeição se estendeu por um bom tempo, e Hilel aproveitou cada momento.
De repente, Hilel ficou pálido. Percebeu algo muito estranho. Algo que o abalou profundamente. Um dos serventes serviu aos convidados bolo de queijo, e estes, sem pestanejar, aceitaram e comeram com muito apetite.
Será que são realmente judeus? – perguntou-se Hilel. – Como não conhecem a proibição de comer queijo após a carne?
Ele não conseguiu calar-se perante esta cena e, furiosamente, dirigiu-se ao governador:
Pensei que vocês eram pessoas que cumprem a Torá e, agora, vejo que estava enganado, já que vocês não se cuidam de não comer carne com leite – e, com lágrimas correndo de seus olhos, terminou – nem posso ter certeza de que não comi chamets...
No início, o governador tentou acalmá-lo, dizendo que esta falta não era tão grave, porém isto deixou Hilel ainda mais irritado. Quando o governador viu o quanto isto era sério para Hilel, mudou o tom de voz, dizendo: Saiba que este bolo não contém leite e que nós cuidamos das leis da Torá exatamente como você.
Se é assim – disse Hilel – por que não me disseram isto imediatamente? Por que me deixaram sofrer tanto nestes momentos?
O governador lhe disse que há uma expressão que diz: “honre-o e suspeite dele”. Realmente, te honramos e te recebemos bem – disse o governador – contudo, havia uma suspeita de que você fosse um espião do reinado, tentando descobrir nosso segredo. Não tínhamos outra alternativa que não fosse testar-te, e isto fizemos através do bolo de queijo.
Desta interessante história aprendemos dois pontos importantes: primeiro, a importância que os judeus davam à preservação das leis da cashrut, chegando ao ponto de arriscar suas vidas para segui-las. Vemos também que estavam dispostos a gastar grandes quantias de dinheiro e passar por situações complicadas para isto.
Segundo, vemos que um judeu pode ser reconhecido por outro em qualquer lugar do mundo quando este mantém as leis da cashrut, mesmo que secretamente. No início, o governador foi reconhecido por Hilel e, no final, Hilel foi reconhecido pelo governador.
A dieta alimentar judaica não só preserva o corpo e a alma do judeu, mas também lhe serve como documento de identidade. A cashrut é algo que une o povo. Todo judeu observante, ao viajar pelo mundo, já passou pela situação de chegar numa cidade nova e procurar um restaurante casher onde possa comer. Lá, ele aproveita para conhecer alguns judeus locais, perguntar onde fica a sinagoga e, quem sabe, com um pouco de sorte, já é convidado para passar o shabat na casa de alguma família da cidade.
Como veremos mais adiante, no livro, certas coisas nos foram proibidas, para evitar que nos casemos com indivíduos de povos idólatras, seguindo assim suas crenças. Vemos, novamente, que o alimento é algo que une as pessoas. Ao comer casher, estaremos unindo os integrantes do povo judeu e, quem sabe, aproximando a vinda do Mashiach.
Cartas de anuência e recomendação
Agradecimentos
Sobre o livro
A importância do alimento casher
Capítulo 1 - Peixe Casher
Que peixe é permitido
Capítulo 2 - Dam - sangue
Sua proibição
Sangue em ovos
Capítulo 3 - Bassar bechalav - Carne e leite
Definição
Outras leis sobre mistura de carne e leite com peixe
Separação entre carne e leite
Espera entre refeições de carne e leite
Espera após leite ou queijo
Leis referentes ao estômago e às mamas do animal
Contato e mistura entre carne e leite
Panelas de carne e de leite
Respingos de leite sobre a panela de carne
Vapor quente
Cozinhar ou colocar alimentos neutros em utensílios de carne ou de leite
Alimentos picantes
Massas que contém leite ou carne
Capítulo 4 - "Bishul Acu'm" - cozido por um não-judeu
Definição
Alimentos que são consumidos crus
Alimentos que não são servidos em mesas de reis
Definição de "cozido"
Definindo o "não-judeu"
Quando o cozimento é relacionado ao não-judeu
Utensílios usados por não-judeus
Outras leis relacionadas ao cozimento por não-judeus
Capítulo 5 - Pão assado por um não-judeu
Sua proibição
A diferença entre pão caseiro e pão de padaria (pat palter)
Quando o pão é considerado feito por um judeu
Outras leis referentes ao pão
Capítulo 6 - Leite e derivados
Leite permitido
Leite ordenhado por não-judeus- "Chalav acum"
Derivados do leite
Leite materno
Capítulo 7 - "Tevilat kelim" - imersão de utensílios no "mikve"
A obrigação
Que utensílio deve ser mergulhado no mikve
Utensílios de que material devem ser mergulhados
Utensílios adquiridos de um não-judeu
Como e por quem os utensílios devem ser mergulhados
Outros detalhes sobre tevilat kelim
Mergulhar utensílios no shabat
Capítulo 8 - Vinho
Vinho de não-judeus ? suas leis e quando se torna proibido
Como o vinho se torna proibido
Judeus que profanam o shabat ou renegam sua religião
Capítulo 9 - Comércio de comida não casher e sua compra para alimentar animais
Comércio de alimentos proibidos
Ração para animais
Capítulo 10 - "Chadash"
Sua proibição
Capítulo 11 - "Orlá"
Sua proibição
Contagem dos anos de "orlá" e "neta revai"
Capítulo 12 - "Chalá"
Sua obrigação em Israel e na diáspora
De que massa separamos chalá
Quando e como devemos separar chalá
Quem pode separar chalá
Índice Remissivo
Como muitos devem imaginar, escrever um livro que trata de halachá (lei judaica), é uma tarefa nada fácil, principalmente, tratando-se de um assunto tão polêmico como é o da cashrut (dieta alimentar judaica).
Ao ler este livro, devemos levar em conta que é quase impos-sível abordar todos os assuntos com todos os detalhes e segundo todas as opiniões. Costuma-se dizer que a resposta para qualquer pergunta de halachá, é: isto é machloket (discussão). Apesar de ser uma anedota, é muito comum encontrar discussões e costumes diversos no que se refe-re à halachá.
Investi tempo e esforço para trazer a fonte de cada lei citada nesta obra, para que seja possível ao leitor investigar melhor cada as-sunto, ou mesmo, ter a possibilidade de criticar minha interpretação. Por sua vez, me esforcei ao máximo para não mencionar nada que não conste explicitamente em nossos livros sagrados, evitando trazer idéias ou comentários próprios, anulando assim minha opinião perante a opi-nião de nossos sábios, que nos iluminam geração após geração.
Esforcei-me também para poder citar, em diversos lugares, di-ferenças de costumes entre sefaradim e ashkenazim, ampliando, assim, o benefício desta obra.
Sabemos que ninguém se tornará um legislador rabínico lendo esta obra, mas, com certeza, o leitor obterá uma grande carga de infor-mação que lhe possibilitará saber: o que, e quando, perguntar ao rabi-no. Inclusive, por existirem, várias vezes, mais de uma opinião, seria aconselhável que o leitor consultasse seu rabino, a respeito de que ca-minho deve seguir.
É muito importante que, antes de extrair qualquer conclusão deste livro, o leitor leia todos os capítulos relacionados ao assunto com atenção, pois, muitas vezes, a imagem só se completa depois da leitura destes.
Creio também que este livro pode servir como fonte de estudo para aulas de cashrut em grupos ou mesmo em salas de aula em esco-las.
Neste livro, abordei os assuntos que considerei de maior ur-gência e que tive a possibilidade de estudar. Estou ciente de que ainda faltam assuntos importantes que devem ser expostos ao público de forma clara e prática; queira o Todo-Poderoso que eu continue tendo força e inspiração para ampliar esta obra e escrever futuras edições.
Alguns dos assuntos não abordados nesta obra são: as leis rela-cionadas à carne, explicando quais os animais permitidos, como são abatidos, que partes são permitidas, como salgamos a carne etc...; leis que determinam que aves e ovos são permitidos; algumas leis ligadas à cozinha moderna e seus acessórios; leis que explicam que tipo de ali-mento proibido pode ser dado a um doente; leis que determinam como transformamos um utensílio proibido em permitido; leis relacionadas com os alimentos de Pessach e aos tolayim (vermes e insetos). Na rea-lidade, estes dois últimos assuntos já foram abordados em outras obras em português. O leitor poderá suprir a falta destas informações, através destas importantes obras: “Pessach e suas leis”, de autoria do Rabino Isaac Dichi shlit’a, e “A verificação dos alimentos segundo a Torá”, compilado pela Sra Haia Steinbruch.
Desejo a todos uma ótima leitura e espero sinceramente ter contribuído para que todos possam conhecer e entender melhor o que é casher, podendo assim praticá-lo.
Rabino Ezra Dayan
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