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A obra reflete acerca da sobrevivência milenar do povo judeu e do judaísmo na ausência de um Estado nacional e imerso numa maioria muitas vezes hostil à sua existência.
Será que a forte ligação dos judeus com o estudo das tradições associada a um antissemitismo perene que lhe circunscreveu e até os isolou do convívio dos não judeus explicam esse fenômeno?
Será que sentir-se judeu ou identificar-se como tal é suficiente para a perpetuação do judaísmo?
O autor procura entender esse fenômeno pelo lado intelectual e emocional, e apresenta uma explicação multifatorial para esse fato histórico singular, por meio de ensaios e crônicas, e convida os leitores a ouvir e refletir, pensar e sentir.
* * *
"Se as estatísticas estiverem corretas, os judeus constituem apenas um por cento da raça humana. Isso sugere um nebuloso grãozinho de pó de estrela perdido na imensidão da Via Láctea.
De acordo com isso, jamais deveríamos ouvir falar dos judeus, porém se fala e sempre se ouviu falar deles. Eles são tão proeminentes no planeta quanto qualquer outro povo, e a importância comercial deles é bastante fora de proporção em relação ao tamanho de seu grupo. Seus grandes nomes no mundo da Literatura, Ciência, Arte, Música, Finanças e Medicina e suas contribuições também estão fora de proporção com seu pequeno número. Eles têm lutado maravilhosamente no mundo, em todas as épocas, e o têm feito com as mãos atadas às costas.
Os egípcios, os babilônicos e os persas surgiram, encheram o planeta com som e esplendor, depois evaporaram como num sonho e sumiram. Também os gregos e os romanos fizeram muito barulho, e agora estão acabados. Outros povos brotaram e levantaram sua tocha bem alto por um tempo, mas ela se inflamou, e agora tais povos jazem na obscuridade ou simplesmente desapareceram. Os judeus viram todos eles, venceram todos, sem enfraquecer seus flancos, sem esmorecer suas energias, sem embotar suas mentes alertas. Todas as coisas são mortais, mas as outras forças passam e eles permanecem.
Qual é o segredo da imortalidade deles?"
Mark Twain
"Concerning the Jews", Harper's Monthly, 1899
* * *
Livros do autor publicados pela Editora Sêfer:
Iniciação ao Talmud - disponível também no formato e-Book
Iniciação ao Talmud - disponível também no formato e-Book: Iniciação ao Talmud
Iniciação ao Estudo da Torá - disponível também no formato e-Book: Iniciação ao Estudo da Torá
Medicina, Judaísmo e Humanismo - disponível apenas no formato e-Book: Medicina, Judaísmo e Humanismo
Medicina e Judaísmo: Encontro e Sinergia
A Milenar Sobrevivência do Judaísmo
Introdução
Primeira Parte - Ensaios
Educação e judaísmo
Uma educação judaica para adultos autodidatas:
por onde começar?
Os judeus de Roma
Os judeus e o dinheiro
Reflexões sobre o antissemitismo
Segunda Parte - Crônicas
A quarta fase
A última bênção do meu avô
Uma carta como antigamente
Dois caminhos
Israel e Diáspora
Cadish para o meu pai
Lechá Dodi em Berlim
Ma Nishtaná
Na sinagoga do meu avô
O que eu aprendi com Shtisel?
Pais e filhos
Desespero numa delegacia
Para quê?
Shalom, Uber!
Um marrano moderno
Uma nação de líderes anônimos
Jacó, o Escritor
Há muitos anos reflito acerca da sobrevivência milenar do judaísmo. Muitos creem que seja um milagre o fato de um povo minoritário ter sobrevivido séculos na ausência de um Estado nacional, imerso numa maioria muitas vezes hostil à sua existência.
Milagre ou não, trata-se de um fato histórico singular e que deve ter uma explicação multifatorial.
Pensamentos, teorias e discussões históricas devem ser conduzidas, pois a ciência resultante dessa reflexão com certeza é pertinente e nos ajudará, pelo menos em parte, a entender esse fenômeno. Será que a forte ligação dos judeus com o estudo das tradições associada a um antissemitismo perene que lhe circunscreveu e até os isolou do convívio dos não judeus explicam esse fenômeno? Será que "sentir-se judeu" ou identificar-se como tal é suficiente para a perpetuação do judaísmo?
Afinal, não podemos nos eximir de considerar todas essas justificativas como pelo menos tendo um papel para explicar essa sobrevivência milenar do povo judeu.
Neste livro, procurei entender esse fenômeno pelo lado intelectual e emocional. Fala-se com frequência que, para sentir o gosto de uma iguaria judaica como o Gefilte Fish, precisamos saboreá-lo. Não há explicação que substitua prová-lo. Da mesma forma, para entender a sobrevivência milenar judaica, não basta a reflexão; é preciso vivenciá-la, senti-la e emocionar-se por fazer parte dela.
Sempre escrevi para melhor entender a realidade em que vivo. Mas confesso que, aqui, esbarrei em um obstáculo. A prosa do ensaio intelectual não conseguiu penetrar na essência do que eu sinto acerca do judaísmo. Foi necessário trocar de veículo, por assim dizer, e embarcar na arte da crônica para poder cristalizar alguns momentos da minha vida nos quais realmente, por ser judeu, eu vivenciei por meio de novas e desconhecidas emoções.
Portanto, caro(a) leitor(a), você encontrará neste livro alguns ensaios em que tentei refletir acerca do milagre da nossa sobrevivência e crônicas nas quais trago emoções de momentos que vivi como judeu.
Espero que aquilo que não seja transmissível pelo ensaio o seja pela crônica e vice-versa. Assim, espero dar ao(à) leitor(a) a sensação da multifatorial que implica ser judeu: pensar e sentir.
Auro del Giglio
Há 25 anos, quando o Dr. Auro me mostrou seu primeiro livro, percebi de imediato que se tratava de alguém que entendia do que estava falando e gostei muito da forma didática e precisa com que ele escrevia. Notei, sobretudo, que seus olhos brilhavam, porque ele gostava do que estava fazendo, e nisso éramos e permanecemos parecidos.
Esse anseio de "aprender e ensinar", precedido pela capacidade de "compreender, considerar e ouvir", consta da prece que antecede a recitação matinal do Shemá e prossegue com a finalidade precípua desse processo: "para observar e fazer cumprir com amor todas as palavras de ensinamento da Tua Torá".
É isso o que o Dr. Auro faz com maestria em todos os seus livros: nos convida a ouvir e refletir, para que nos tornemos pessoas melhores e mais conscientes - como judeus e, principalmente, como seres humanos que buscam curar esse nosso mundo tão fraturado.
Jairo Fridlin
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