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Nesta obra - cujo subtítulo é: Diálogo simbólico entre a Alma (sentimento) e o Intelecto (razão) para compreender as ações pelas quais o Eterno rege o universo -, o Rabino Moshe Chaim Luzzatto revela sua profunda sabedoria.
Conceitos básicos sobre o judaísmo são tratados de forma concisa e, ao mesmo tempo, profunda.
O autor explica por que um mais um é igual a dois, e após sua leitura, o leitor verá o mundo por um prisma completamente renovado, como se estivesse apreciando uma obra de arte mas entendendo realmente o que é arte! O autor traz à tona a verdadeira forma de apreciar a maior de todas as obras de arte - o nosso Universo.
Do mesmo autor:
O Caminho dos Justos
O Caminho de Deus
Veja também:
Par Luzzatto (O Caminho dos Justos e A Sabedoria da Alma)
* * *
Conheça a série Clássicos do Pensamento Judaico:
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Demais ePubs da Editora Sêfer:
Bíblia Hebraica
A Arte de Amar o Bem
Medicina, Judaísmo e Humanismo
Iniciação ao Estudo da Torá
Iniciação ao Talmud
A incomum história de uma homem comum
1. ALMA: Está escrito na Torá: “E saberás hoje, e gravarás em teu coração, que o Eterno, Ele é Deus, em cima, nos céus e embaixo, na terra; não nenhum outro.” (Deuteronômio 4:39) Sendo este um princípio fundamental da nossa fé, quero, dentro das minhas possibilidades, alcançar sua compreensão da forma mais completa possível.
2. INTELECTO: Treze são os princípios da nossa fé. Você quer analisar todos eles?
3. ALMA: Não tenho dúvidas sobre a veracidade de qualquer um deles, mas há alguns que não estão bastante claros para mim.
4. INTELECTO: Quais são os que lhe parecem difíceis de compreender?
5. ALMA: Deixe-me antes enumerar o que para mim está sufi-cientemente claro: a existência de um só Deus, eterno e indefinível em termos humanos, que entregou a Moisés, o maior de nossos profetas, nossa sagrada, eterna e imutável Torá. Entretanto, não consigo compreender como Ele supervisiona constantemente o mundo que Ele criou; como nossas ações provocam, em consequência delas, castigos ou recompensas; quando ocorrerá a vinda do Mashíach (Messias) e como será possível realizar-se a ressurreição dos mortos.
6. INTELECTO: Quais são suas dificuldades específicas?
7. ALMA: O caos que reina no mundo me faz pensar que, a princípio, não há supervisão Divina na sucessão dos acontecimentos. Mas, se é assim, como compreender o que Ele deseja de Suas criaturas e a que desfecho nos quer conduzir? Tão grandiosos são Seus feitos, que o coração não consegue compreendê-los. Ensina-me o caminho certo para a compreensão de Seus desígnios.
8. INTELECTO: Não é tão simples assim... Ocorrem fatos que, às vezes, são de compreensão complexa e difícil. Por exemplo, por que coisas ruins acontecem às pessoas boas e coisas boas acontecem às pessoas ruins? Mesmo grandes sábios, como nossos profetas, e até mesmo nosso mestre Moisés não os compreenderam com clareza.
9. ALMA: Não precisa se ater a detalhes. Quero somente conhecer os princípios gerais que me permitam alcançar uma visão correta dos acontecimentos, no âmbito de minha limitada compreensão.
10. INTELECTO: Para ter certeza de que o Criador conduz continuamente o mundo, com justiça e fidelidade, basta recordar a afirmação de Moisés, nosso mestre: “Ele é nossa rocha e perfeitas são Suas obras, porque de justiça estão repletos todos os Seus caminhos; justo e reto, fiel e sem iniquidade é nosso Deus.” (Deuteronômio 32:4)
11. ALMA: O conceito da integridade dos caminhos por Ele traçados e os objetivos por Ele estabelecidos são os temas que desejo compreender com clareza, e é isto que eu peço que me explique.
12. INTELECTO: Para podermos compreender qual é o objetivo de toda a Criação, precisamos primeiro esclarecer a nós mesmos sobre a própria razão da existência do homem e sobre as obrigações que lhe foram atribuídas em relação ao mundo.
Por que Deus nos criou?
13. ALMA: Com certeza, esse é um assunto em que precisamos nos aprofundar para tentar alcançar, em detalhe, sua plena compreensão.
14. INTELECTO: O princípio fundamental de tudo é o desejo do Eterno de que todo ser humano busque alcançar não somente o seu aperfeiçoamento, mas também o de tudo que foi criado para ele. Seu sucesso nesse empreendimento será, simultaneamente, seu mérito e sua recompensa. Seu mérito, por se dedicar ao trabalho e buscar, por meio dele, alcançar a perfeição; e sua recompensa, porque, ao alcançá-la com o fruto de seu labor, atingirá uma plenitude que o acompanhará por toda a eternidade (uma vez que a recompensa espiritual é eterna).
15. ALMA: Percebo que este é um princípio que se divide em múltiplas ramificações e estou ansiosa para ouvir mais sobre este assunto e, assim, compreender todo o seu significado. O primeiro esclarecimento que desejo é a resposta à pergunta: Por que razão o Eterno tem esse desejo?
16. INTELECTO: O motivo é simples e está ligado à resposta de outra pergunta crucial: Por que Deus nos criou?
17. ALMA: Muito bem! Dê-me então uma resposta a ambas as perguntas.
18. INTELECTO: A resposta se baseia no Atributo de Misericórdia do Eterno. Como Ele é totalmente bom, Ele, em Sua infinita bondade, deseja que haja criaturas para que lhes possa fazer o bem, ou seja, para lhes transmitir Sua bondade, pois, se não há alguém para recebê-la, o bem nem sequer tem existência.
Então, em Sua infinita sabedoria, Ele fez com que buscássemos tornar-nos merecedores dessa bondade, por meio de nossos esforços. Desse modo, quem a recebe se sente proprietário desse bem e não se envergonha de recebê-lo, como ocorre com aquele que recebe caridade de outra pessoa, como está escrito: “Aquele que se alimenta do que não lhe pertence tem vergonha de olhar, de frente, para a face daquele que lhe fez a caridade.” (Talmud de Jerusalém, Orlá 1:3)
19. ALMA: Compreendi agora o motivo. Continue, agora, e complete sua explicação.
20. INTELECTO: Após essa introdução, é preciso explicar o que realmente significa um defeito e como pode ser reparado. Devemos compreender a natureza de uma imperfeição e as consequências dela, para que possamos nos aprimorar, aprendendo a escolher os caminhos certos a fim de alcançar a realização de nossos objetivos neste mundo.
21. ALMA: Creio que, primeiro, precisamos entender a natureza da perfeição que é alcançada quando alguém completa sua tarefa. Só assim poderemos entender tudo o que já foi mencionado, uma vez que o objetivo do homem é suprir o que falta para a reparação de suas falhas para, assim, poder alcançar sua compleição.
22. INTELECTO: Estou de acordo, mas creio que somos capazes de entender a perfeição apenas de uma forma geral e não em todos os seus detalhes. De qualquer forma, mesmo que só a entendamos dessa forma geral, isso nos permitirá compreender nossos defeitos em detalhe, pois cada um deles nada mais é do que uma falta de perfeição.
23. ALMA: Explique-me, então, o que você sabe sobre a perfeição.
24. INTELECTO: A perfeição à qual me refiro está implícita nos versículos da nossa Tora, desde que possamos compreendê-los. Ela significa a aproximação do ser humano à santidade do Criador, beneficiando-se de seu esplendor sem que nada o impeça desse proveito. Aprendemos isso dos versículos: “Deleite-se, então, com o resplendor do Criador...” (Isaías 58:14); “... em Tua Presença hão de viver os íntegros” (Salmos 140:14); “... em Tua presença a alegria se torna plena...” (Salmos 16:11) e de muitos outros com o mesmo sentido. Os profetas e as escrituras estão repletos de versículos como esses, para quem os quiser ver.
Nas interpretações dos nossos sábios encontramos: “No mundo vindouro não há comida nem bebida, somente pessoas justas, ornadas com suas coroas, usufruindo a Presença Divina.” (Berachot 17a)
Podemos também, por meio da lógica, elaborar o seguinte raciocínio: a alma provém do Eterno e Dele nada mais é do que uma pequena parcela. Sendo assim, sua tendência é se reencontrar com Ele, e não há descanso para ela enquanto isso não ocorrer.
Enquanto estivermos poluídos por nossos defeitos, não poderemos compreender essa conexão, a não ser que os consertemos e consigamos nos aprimorar. Entretanto, podemos perceber que, da mesma forma que a perfeição leva a essa conexão com o Criador, a imperfeição conduz ao afastamento, como se estabelecesse uma barreira entre nós e o Criador, impedindo que possamos nos unir a Ele. Esse é o defeito do qual precisamos nos livrar para atingir a perfeição. Neste ponto é preciso fazer uma importante observação.
25. ALMA: E qual é?
26. INTELECTO: O Criador poderia, indubitavelmente, ter feito o ser humano e toda a Sua Criação absolutamente perfeitos, sem qualquer sombra de defeito. Na verdade, seria de se esperar que, sendo Ele perfeito, também o seriam todos os Seus atos. Porém, tendo Sua sabedoria decretado que deveria ser permitido ao homem buscar sua própria perfeição, Ele o criou imperfeito. Contrariando Sua própria perfeição, Ele criou o homem de tal forma que lhe fosse permitido trabalhar para conseguir alcançar o fim desejado por Sua sabedoria.
27. ALMA: Sim. Tudo isso é verdadeiro, pois, sendo o Criador perfeito, nada Lhe é impossível e não há delimitações para Ele. Compreendo que não foram limites inalcançáveis por Ele que deram margem aos defeitos, mas, sim, o reflexo de Sua vontade.
28. INTELECTO: Para concluir o assunto: não foi por incapacidade que o Eterno não fez Sua Criação perfeita, mas, sim, porque foi de Seu desejo que pudéssemos, por meio de nosso próprio esforço, desenvolver nosso aperfeiçoamento. Foi numa expressão de Sua bondade que resolveu nos dar a possibilidade de alcançar e conquistar méritos.
29. ALMA: Muito bem. Mas como podemos nos aperfeiçoar e consertar nossos defeitos?
30. INTELECTO: Para isso, é preciso entender como encontramos forças para realizar tal feito, uma vez que fomos criados imperfeitos. Este é um assunto muito vasto e várias explicações precisam ser dadas antes de responder a sua pergunta. O caminho da sabedoria indica que devemos desenvolver uma ideia após a outra, em sequência, para adquirirmos uma compreensão do todo.
31. ALMA: Está bem. Enuncie suas explicações na sequência que você considera adequada e escutarei com toda a paciência necessária.
Originalmente, esta obra não tem capítulos, títulos, subtítulos ou índice. O que segue é uma proposta de índice baseada no trabalho do Rabino Chaim Friedlander Z”L em sua edição em hebraico desta obra e na edição em espanhol da Ediciones Obelisco (Colección Alef):
parágrafos
1-13 A forma Divina de conduzir o mundo
14-31 O Criador quis que o homem se aperfeiçoasse
32-40 A revelação da unicidade, a base da Criação
41-67 O período de ocultamento da unicidade Divina
68-77 Ressurreição: purificação do corpo por meio da alma
78-79 Ocultamento e presença Divina: a raiz do corpo e da alma
80-94 Distintos períodos da relação do corpo e da alma
95-123 A criação do mal e seus limites
124-129 A existência do homem e sua missão
130-134 A criação e a função de Israel
135-141 Justiça e amor – a forma Divina de conduzir o mundo
142-159 Os distintos modos de receber a influência Divina
160-176 Sobre o tempo e sua influência
177-192 A profecia
193-194 A criação a partir do nada – ex nihilo
O assunto da constante presença Divina neste mundo é de suma importância para o cotidiano da vida judaica, pois o cumprimento das mitsvót só atinge o seu ponto sublime se estamos ligados a este conceito.
Da mesma forma que existem vários níveis de como se cumprir os mandamentos da Torá, também com relação à consciência da presença Divina há vários níveis até que realmente seja possível se sentir a presença Divina em tudo o que fazemos, desde o levantar até o deitar.
No Shulchan Aruch, o código judaico de leis, o Rabino Moshe Isserlis, conhecido como Remá, inicia seu comentário com este assunto, e diz: "Shiviti Hashem lenegdi tamid" - "E habitarei com Deus em todos os momentos da minha vida" é um conceito básico da nossa Torá."
Em geral, as pessoas buscam em suas ações o objetivo das mesmas. "Por que estou agindo dessa forma e não de outra?" "Por que devo acender as velas de Shabat?" Ou "Por que devo colocar os Tefilin?", mas o principal de todos os motivos é: o que você realmente está buscando com suas perguntas? Devemos questionar, mas devemos também aprender a ouvir e a respeitar as respostas.
O Criador nos brindou com um alto nível de senso crítico, e isso não foi por acaso. Cada um deve usá-lo para realmente investigar dentro do seu coração o objetivo de suas ações e feitos.
Encontramos na Torá mandamentos que não possuem motivos racionais, como, por exemplo, a mitsvá de Shaatnez, na qual somos ordenados a não misturar lã e linho numa mesma trama de tecido. Mesmo nesses casos em que, aparentemente, não há um motivo, não somos proibidos de questionar. Pelo contrário! Essa busca representa exatamente o trabalho espiritual que cada judeu deve fazer, ou seja, de enfrentar suas questões e buscar o entendimento pleno de cada mitsvá, sempre respeitando os limites intelectuais que a Torá estipulou para cada uma delas.
Aparentemente, não podemos comparar a mitsvá de salvar uma vida com a mitsvá de Shaatnez, pois salvar uma vida faz parte das nossas atribuições como ser humano e de ter compaixão pelo próximo, algo que dificilmente é questionável. Mas saiba que até mesmo estes valores universais também são questionáveis quando estão em conflito com os nossos sentimentos. Por exemplo, você salvaria a vida de um assassino? Certamente não há unanimidade na resposta.
Tudo é questionável, mesmo as coisas mais óbvias. Outro exemplo disso é o nazismo, quando valores “inquestionáveis”, como o respeito ao ser humano, foram violados e justificados por milhões de pessoas. Eu pergunto a mim mesmo: como pode ser que pessoas matem pessoas?
Por isso, a importância da consciência Divina ou a consciência plena da presença do Criador no universo é a base fundamental para que um ser humano saudável possa medir todas as suas ações na balança da Justiça e da Verdade. A Torá revela no homem o seu potencial maior como ser humano, como alguém que possa coexistir e respeitar o próximo e, ao mesmo tempo, sustentar o mundo.
Esse é o motivo de todas as mitsvót: estar sempre na presença Divina, como disse o rei David: "Em toda a minha vida pedi somente uma coisa: habitar na casa de Deus!"
Suportar a dor e o sofrimento
Para tanto, o primeiro passo é ter plena consciência de que tudo vem do Criador; mesmo um pequeno espetar de alfinete vem dos Céus. Mas, por que a dor? A dor, de acordo à medicina, é um ótimo sinal que o corpo possui para nos avisar de que algo não está bem. Por exemplo: alguém que sente dor de dente deve estar com alguma cárie. É graças a essa dor que podemos tratar o problema o quanto antes. Imagine que, se as pessoas não sentissem dor ao se cortar, talvez corressem perigo de vida num simples corte no dedo! Aliás, existem algumas doenças que causam a perda da sensibilidade em partes do corpo, o que gera um enorme risco de vida.
No mundo espiritual, a dor também é um bom sinal; ela nos indica que devemos prestar atenção em algo que não está bem e que devemos verificar em nossas ações aonde devemos melhorar. O sofrimento também pode abater alguém que está aparentemente saudável. Por exemplo, quando alguém da nossa família está doente, mesmo que a dor não seja no nosso corpo, compartilhamos esse sofrimento juntos. Da mesma forma, uma pessoa justa sofre neste mundo mesmo que não tenha qualquer iniquidade em seus atos.
Devemos sempre ter a consciência Divina no momento de aperto, pois isso revela a ligação que temos com o Criador e nos faz lembra o quanto somos frágeis. Neste momento, suplicamos por cura e piedade, e pedimos perdão por nossos atos.
Nesta brilhante obra, o Ramchal revela, sem sombra de dúvida, sua profunda sabedoria. Conceitos básicos sobre o judaísmo são tratados de forma concisa e, ao mesmo tempo, profunda. O Ramchal conseguiu explicar em “Dáat Tevunot” porque um mais um é igual a dois. Após sua leitura, você, leitor, verá o mundo por um prisma completamente renovado. Imagine-se apreciando uma obra de arte, mas entendendo realmente o que é arte! Nesta grande obra, o autor trouxe à tona a verdadeira forma de apreciar a maior de todas as obras de arte - o nosso Universo.
"A Sabedoria da Alma" não é um livro somente de leitura, mas, sim, um livro de estudo no qual é importante reler os conceitos algumas vezes, até que você interiorize seus ensinamentos, pois há nele muitos conceitos da Cabalá e da filosofia judaica.
Sobre o Autor
Por ocasião da publicação do livro "O Caminho dos Justos", o Rabino Raphael Shammah escreveu um lindo texto sobre ele, e aqui o reproduzimos:
O Rabino Moshe Chaim Luzzatto, o "Ramchal", assim conhecido por suas iniciais em hebraico, foi uma das figuras mais extraordinárias da nossa história. Nascido em Pádua, na Itália, em 1707, revelou ainda criança sua verdadeira genialidade no estudo da Torá. Aos 11 anos de idade, já dominava totalmente o Talmud e, aos 14, escreveu o livro "Leshon Limudim". Também muito jovem, exatamente aos 13 anos, mergulhou no estudo da Cabalá a partir das obras do Ari za”l, e seu talento fez com que se tornasse um dos grandes cabalistas de todos os tempos.
Como havia ocorrido séculos antes com Maimônides, também o Ramchal foi um dos eruditos mais polêmicos e discutidos de sua geração. Sua extrema capacidade, especialmente no campo do misticismo judaico, chegou a levantar desconfiança entre os estudiosos, pois vivia-se a época posterior à dos falsos messias - Reuveni na Itália e Shabtai Tsvi na Europa Oriental - e as desastrosas deturpações espirituais que produziram ainda traziam à tona a profunda cautela da comunidade rabínica.
O Ramchal integrava o grupo erudito "Mevakshei Hashem", de Pádua, que se dedicava ao serviço Divino e ao estudo da Cabalá. Neste ambiente estimulante, escreveu livros não só defendendo o estudo do misticismo judaico, mas também obras como "Adir Bamarom" e "Dáat Tevunot", que abordam os mistérios da Providência Divina, da salvação e dos Meshichim.
[A primeira edição do "Dáat Tevunot" foi publicada em Varsóvia em 5649 (1888) pelo Rabino Shmuel Luria sob o título de "Maamar Havícuach" (Édito da Discussão). (RCVP)]
A natureza inovadora e rica de seu trabalho levou outro membro do grupo a mencioná-lo, talvez de modo algo descuidado, em uma carta enviada a um sábio de Vilna, o Rabino Mordechai Yafe. O Rabino Moshe Haguiz, de Altuna, outro famoso sábio da época escreveu aos sábios de Veneza, exigindo que acabassem com os "perigosos" Mevakshei Hashem e, também, aos rabinos de Ancona, para que investigassem o Ramchal "da cabeça aos pés", pois havia sido informado de que ele, o Ramchal, receberia mensagens de um Maguid (anjo) que, por sua vez, lhe revelaria segredos místicos.
As cartas fizeram com que os líderes religiosos italianos se dirigissem ao mestre do Ramchal, o Rabino Yaacob Bassan, pedindo-lhe que limitasse as atividades de seu jovem e brilhante discípulo. Em consequência, o Rabino Moshe Chaim Luzzatto foi obrigado a assinar um documento permitindo que seus trabalhos fossem escondidos e comprometendo-se a "parar de estudar com o Maguid".
Não foi o bastante. As sanções da comunidade rabínica local contra o Ramchal continuaram até tornarem-no objeto de um Cherem, ou carta de excomunhão. Nesta situação dolorosa e injusta, ele deixou Pádua e seguiu para Amsterdã, esperando encontrar um ambiente receptivo às suas ideias e ao seu trabalho. Apenas mais tarde se tornaria claro que o alto rabinato da Itália e de alguns outros países europeus havia se deixado tomar pelo medo frente à postura inovadora do Ramchal, e que, na verdade, era um ilustre estudioso que viria a iluminar o caminho de gerações futuras.
Dentro do contexto religioso da época, não é impossível compreender-se as razões que determinaram intolerância e medidas extremadas contra o Ramchal. O risco da difusão de um misticismo pernicioso supostamente “judaico” ainda tumultuava os meios rabínicos. Mas, com o tempo, a verdade emergiu mais forte do que nunca, e o Ramchal foi consagrado como um dos sábios mais importantes de todas as gerações. Seus livros são tratados até hoje como fontes de referência no estudo da nossa Torá.
Como muitos dos líderes da nossa história, o Ramchal acalentava o sonho de morar na Terra de Israel, para poder se aproximar ainda mais de Deus. E assim fez, indo morar na cidade de Aco. Porém, três anos depois de sua chegada, faleceu precocemente aos 39 anos de idade, sendo enterrado na cidade de Tiberíades, ao lado do túmulo de Rabi Akiva. (RRS)
Sobre o Título
O título desta obra em hebraico é praticamente intraduzível. Em português, optamos por "A Sabedoria da Alma" porque ele faz referência à sabedoria que a razão (identificada com o intelecto) elucida e evidencia para a alma (identificada com o sentimento), tornando esse conhecimento mais consciente e revelado a ela.
Notas (identificadas com a abreviação RCVP) e subtítulos foram acrescentados nesta edição, a fim de facilitar a leitura e o entendimento de certas passagens e, assim, possibilitar ao leitor que acompanhasse a linha de pensamento do autor, pois o livro foi estruturado em forma de diálogo entre a Alma (sentimento) e o Intelecto como expressão da idéia de união entre corpo e alma no serviço Divino.
A edição em hebraico utilizada foi a do Rabino Chaim Friedlander ZT"L, sem a qual jamais teríamos o completo entendimento desta obra. Em sua homenagem citamos um pequeno trecho de sua introdução:
O Rabino Eliyáhu Eliezer Dessler, autor do livro "Michtav Meeliyáhu" [um resumo do mesmo foi publicado em português sob o título "Em Busca da Verdade" pela Editora Sêfer - RCVP], tendo verificado constarem deste livro os fundamentos da forma de pensar caracteristicamente judaica, afirmou: "Considero seu conteúdo consistente e a apresentação, completa em todos os seus detalhes."
Quatro dentre os Treze Princípios da Fé Judaica são nele comentados e explicações de cristalina clareza são apresentadas:
1. A atuação Divina regendo os acontecimentos
2. A relação entre recompensa e castigo
3. A vinda do Mashíach
4. A ressurreição dos mortos
Agradecimentos
Gostaria de expressar meus sinceros agradecimentos àqueles que colaboraram neste trabalho. Primeiramente, ao colega Rabino Elimelech Katz, por suas felizes observações e importantes conselhos; ao Prof. Jairo Fridlin, por seu entusiasmo em publicar mais um livro de Torá para a comunidade de língua portuguesa; ao Rabino Raphael Shammah, Rosh Yeshiva e diretor do Or Israel College, por seus ensinamentos e por seu exemplo de vida e de dedicação ao povo judeu; e à minha querida esposa, Adriana, o pilar de nosso lar, pelo apoio em todos os sentidos.
Por fim, agradeço ao Criador por ter me proporcionado a oportunidade de estudar a Torá e trilhar este caminho. "Tov lehodot lashem" - "Como é bom louvar o Eterno!"
Rabino Chaim Vital Passy
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