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Esclarece mitos e dúvidas sobre a cashrut – as leis dietéticas judaicas –, e explica como essas regras podem ser compreendidas e aplicadas no cotidiano. Com uma abordagem prática, relaciona a tradição judaica à rotina na cozinha e às escolhas alimentares do dia a dia, ajudando o leitor a conhecer melhor os princípios da alimentação casher e seu significado dentro da vida judaica.
O autor desmonta as concepções erradas que circulam nos dois extremos da comunidade — a de que casher é folclore de um passado superado e a de que nada é casher sem selo — e mostra, com as fontes à vista, o que a halachá (lei judaica) exige e o que apenas o medo, o costume ou o interesse acrescentaram.
Um livro para quem abandonou a cashrut ao descobrir que as explicações recebidas eram falsas; para quem a cumpre há anos sem distinguir “obrigação” de “chumra”; para pais que precisam explicar aos filhos por que a casa funciona daquele modo; e para rabinos e educadores encarregados de ensinar o assunto.
Obras do autor publicadas em português:
Tradição Viva - A Torá do mundo sefaradi pelos olhos de um gadol
Caminhos para a Teshuvá - Manual prático para Rosh Hashaná e Yom Kipur
Saindo do Egito - Manual prático para Pêssach
10 Mitos e 5 Verdades sobre a Cashrut
*
Sobre o tema CASHRUT, veja também:
O que é Cashrut? - Antologia do Pensamento Judaico sobre as Leis Dietéticas Judaicas
O que é Cashrut? e O que é respeitar o Shabat?
Casher na Prática
DEDICATÓRIAS
PREFÁCIO
INTRODUÇÃO
Introdução e motivação para o livro
Como este livro nasceu
Como ler (e não ler) este livro
OS 10 MITOS
Mito #1 – Casher é algo do passado
Mito #2 – Casher significa "limpo"
Mito #3 - Casher significa saudável
Mito #4 – Casher significa menos sofrimento animal
Mito #5 – Casher significa que o rabino abençoou o alimento
Mito #6 – Casher sempre significa que há supervisão rabínica ou selinho" de casher
Mito #7 – Existem níveis de casher
Mito #8 – Quanto mais estrito, melhor
Mito #9 – Casher é caro e ruim
Quando o preço se transforma em virtude
E por que a comida seria ruim?
A saída não é abandonar a cashrut
Mito #10 – Casher é difícil
Saber halachá não significa saber tudo
Quando listas e selos mais atrapalham do que ajudam
Um Breve Guia para o Supermercado ou Uma demonstração prática de como é mito falar que cashrut é difícil.
Outro exemplo: Pessach
O chametz ninja
Se é possível em Pessach, quanto mais durante o ano
Seguir a halachá sem chumrot
A responsabilidade dos rabinos
Então, cashrut é fácil?
AS 5 VERDADES
Verdade #1: Cashrut é um sistema normativo, não um sistema de justificativasQuatro perguntas diferentes
A obrigação não depende de nossa justificativa
Um sistema normativo não é um sistema irracional
O Rambam e os alimentos proibidos
Higiene, saúde, ecologia e bem-estar
Gênese não é validade
Descrição não é obrigação
O lugar correto das explicações
A vontade de Deus como fundamento
Verdade #2 – Cashrut exige autonomia intelectual e responsabilidade prática
O modelo de autonomia ensinado pelos nossos sábios
O hechsher é uma ferramenta
Listas não substituem conhecimento
Quando a ferramenta se transforma em cartel
A responsabilidade de ser adulto
Verdade #3 – Cashrut é disciplina formadora
Educar o desejo não é declarar guerra ao corpo
O fetiche de pureza
Verdade #4 – Cashrut é um pacto coletivo que cria identidade e continuidade
A Torá como forma de vida
Transmissão entre gerações
O povo ao redor da mesa
Uma mesa comum, não uma fronteira interna
Verdade #5 – A cashrut é necessária
O motivo deste livro
A cashrut é necessária também para a continuidade do povo
EPÍLOGO
É a terceira vez que o Rabino Gancz me concede a honra de prefaciar uma de suas obras, e esta foi a que li com maior avidez. O título parece modesto — mitos e verdades sobre a cashrut —, mas quem avançar algumas páginas perceberá que há algo maior em jogo: o direito de todo judeu adulto conhecer a Torá que está obrigado a praticar, sem tutores que decidam em seu lugar aquilo que ele pode ou não saber. Poucos temas são tão urgentes para a nossa comunidade, e poucos autores teriam a coragem de tratá-lo com a franqueza das próximas páginas.
A obra nasceu como introdução ao futuro “Manual Prático da Cashrut” e cresceu até ganhar vida própria. O motivo do crescimento é o seu verdadeiro tema: antes de ensinar halachá, foi preciso remover as concepções erradas que impedem qualquer pessoa de entendê-la. São dez mitos desmontados um a um, em uma progressão deliberada, seguidos de cinco verdades que ocupam o terreno deixado pela demolição. O público já acostumado a ler livros que são listas de permissões e proibições encontrará algo mais raro e mais exigente: um curso sobre como pensar a cashrut.
Como advogado, li o livro com um interesse que ultrapassa o religioso. A tese da primeira verdade — a cashrut como sistema normativo, e não como sistema de justificativas — é elementar em teoria do direito e escandalosamente ignorada no âmbito da religião. Explicar a origem histórica de uma norma nada diz sobre sua vigência. No direito, uma lei só deixa de valer quando for revogada ou por outras situações que o próprio ordenamento prevê; a demonstração de que as circunstâncias de seu nascimento mudaram pode alimentar o debate e até orientar a interpretação, mas não revoga coisa alguma. E as normas têm hierarquia: o que a Constituição garante, a lei ordinária não pode proibir. Na cashrut vale a mesma lógica, nos dois sentidos: a explicação que se dê a um mandamento, simpática ou não, em nada altera sua vigência; e o rigor que alguém adota para si não se converte, por isso, em proibição para os demais. Este segundo ponto tem nome — inflação normativa — e efeito conhecido em qualquer sistema: quando tudo vira proibido, a norma verdadeira perde o crédito. Na halachá, cujos mandamentos o Rambam declara permanentes, a conclusão vale com força ainda maior. O que qualquer estudante de direito aprende no primeiro ano é apresentado, em certos meios, como descoberta devastadora contra a Torá. O Rabino Gancz desfaz essa confusão com paciência de professor e precisão de dayan, sempre citando as fontes clássicas — Talmud, Rambam, Shulchan Aruch — para que o leitor confira cada passo por conta própria. É exatamente isso que o autor espera que se faça.
Quem já leu outros livros do Rabino Gancz não ficará decepcionado. O autor se recusa a praticar a etiqueta segundo a qual se pode enganar uma comunidade durante décadas, desde que ninguém tenha a indelicadeza de dizê-lo em voz alta. Quem procurar no livro um pretexto para abandonar a cashrut sairá frustrado; quem o vasculhar à caça de heresias, também. As duas leituras erradas estão previstas e refutadas logo na introdução, o que ao menos economiza o trabalho dos apressados.
Há também continuidade. Este livro aprofunda o mesmo resgate que acompanho desde as obras anteriores do autor: o da tradição sefaradi autêntica, aprendida com seu mestre, o Rav Yaacov Peretz, e fiel à linha do Rambam, para quem a halachá deve ser conhecida e praticada por todo o povo — sem mistificação, sem inflação de proibições e sem a verticalização artificial que separa uma suposta elite detentora do conhecimento de uma massa condenada a obedecer listas.
No prefácio do livro anterior (Herdeiros da Tradição), pedi aos leitores que não terceirizassem a responsabilidade por suas vidas a especialista algum, rabinos incluídos. Este livro transforma aquele apelo em método. Foi escrito para adultos, e a melhor forma de honrá-lo é lê-lo como adulto: com lápis na mão, fontes abertas e disposição para discordar quando o argumento não convencer. Conheço o autor o suficiente para afirmar que nada o deixaria mais satisfeito.
Victor Sarfatis Metta
O Rabino Ricardo Gancz fez licenciatura e bacharelado em educação física pela UERJ, pós-graduação em psicopedagogia e foi professor da UERJ. Em Israel, estudou no Beit Midrash Sefaradi, recebendo, com louvor, sua semichá (diplomação rabínica) do Rabino Yakov Peretz. Fez o mestrado em Estudos Clássicos, doutorado em Filosofia e pós-doutorado em Filosofia e Estudos Clássicos na Universidade Bar Ilan, onde hoje é professor e pesquisador. É o idealizador da Editora Torat Moshe e se dedica ao estudo e ensino do pensamento sefaradi clássico.
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