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  • Sidur Completo

Sidur Completo

com Tradução e Transliteração
Autor: Jairo Fridlin
Editora: Sêfer
SKU: 862
Páginas: 1404
Avaliação geral:

Livro de orações para o Shabat e dias da semana, com textos em hebraico, português e transliterados, que possibilita a qualquer pessoa orar e participar dos serviços religiosos de forma ativa, e não como mero expectador.

R$ 100,00 no Cartão
Disponibilidade: Imediata

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Descrição

Livro de orações judaicas para todos os dias do ano (exceto Rosh Hashaná e Iom Kipúr), com o texto em hebraico, sua tradução para o português e a transliteração (pronúncia fonética em caracteres latinos), sincronizados e lado a lado, além de explicações e indicações claras e precisas.
Reúne os consagrados SIDUR DE SHABAT E IOM TOV e SIDUR DA SEMANA, possibilitando a qualquer pessoa orar e participar dos serviços religiosos de forma ativa, e não como mero expectador.
Nesta edição de luxo, foram acrescentadas as leituras da Torá para todos as festas judaicas.
Este SIDUR é, hoje, o mais utilizado no Brasil.


Trechos

O SENTIDO DA ORAÇÃO

POR QUE REZAR?

É certo que, às vezes, eu rezo somente para obedecer a lei judaica que exige de mim rezar. Entretanto, há vezes também que eu rezo porque, sinceramente, desejo rezar.

Isto acontece quando quero desafogar-me e falar com meu Pai dos céus, meu Criador, o Único – bendito seja Ele!

Isto acontece quando quero clamar ao Ser Supremo, comunicar-me com Ele de um modo pelo qual não posso comunicar-me com ninguém mais. Não posso vê-Lo, porém Ele é real. Ele está presente!

Tais momentos me acontecem somente às vezes, porém são produzíveis. Algumas vezes, quando estou aflito ou quando sinto-me só e abandonado por todo o mundo. Às vezes, quando me sinto angustiado pelo estado de um ser querido ou quando minha gente se sente em perigo. Em tais momentos, é possível que meu lamento vá acompanhado de uma lágrima, um coração aflito, uma sensação de desespero.

Outras vezes, isto acontece ao experimentar uma imensa sensação de alívio, ou quando recebo uma notícia realmente boa, que me causa alvoroço e me leva ao êxtase. Então, meu clamor pode ser acompanhado por uma sensação de expansão e por um profundo sentimento de gratidão Não posso saber se Deus aceitará minhas preces e responderá afirmativamente a elas, mas sei, e creio firmemente, que Ele escuta as minhas preces!

REGULARIDADE

Se eu não rezasse regularmente por um sentido de dever, não creio que me seria possível rezar naqueles momentos em que realmente quisesse fazê-lo.

Recordo-me que, quando era menino, contemplava o meu pai – de abençoada memória – quando recitava suas preces. Algumas vezes, particularmente nos Dias Solenes, lágrimas somavam-se a seus olhos. Recordo-me que me sentia perturbado. Não entendia o que o fazia chorar. Queria fazer algo para deter seu pranto, e apartava minha vista dele.

Não podia entender quais eram seus pensamentos em tais momentos, porém agora o entendo. Estava presenciando uma muito íntima comunicação entre o meu pai e seu Criador. Agora, eu também me comunico às vezes com o meu Criador.

Vivemos numa época na qual não se costuma rezar. Inclusive entre pessoas filiadas a uma sinagoga, são muito poucos os que rezam diariamente ou sequer uma vez por semana. Os que não rezam regularmente adotam um ar de que superaram esta etapa, e que eles não necessitam rezar. A razão pela qual se filiam a uma sinagoga é para se identificar com o povo judeu e com a comunidade judaica e, talvez, inclusive com a fé judaica. Porém, não com a finalidade de rezar.

HUMILDADE

Alguns consideram que a arrogância espiritual do homem contemporâneo constitui um obstáculo para que ele possa rezar. Visto que a ação de rezar requer capacidade de sentir reverência e gratidão, a pessoa pouco modesta e arrogante não pode rezar sinceramente, pois não sente reverência e gratidão. Tem demasiada fé em sua própria capacidade de realizar milagres e credita todas as suas vitórias às suas próprias forças. Carece da necessária medida de humildade.

Embora isto corresponda exatamente para certas pessoas, a dificuldade de outras em se entregar à comunicação com Deus pode provir de ascetismo e dúvida. Não é que sejam ateus ou sequer agnósticos; é que simplesmente vacilam entre a fé e a dúvida. Noé, por exemplo, descrito na Bíblia como um “homem justo” que “sempre andava com Deus”, disse que “cria e não cria”, porque lhe faltou a fé necessária para se mudar imediatamente para a arca que Deus lhe ordenara construir, entrando nela somente no último momento (ver o Rashi sobre Gênesis 7:7). A nossa geração também parece manter-se num precário equilíbrio entre crer e não crer, inclinando-se algumas vezes num sentido e outras vezes em outro.

SABER REZAR

Ou talvez a razão de as pessoas não costumarem rezar seja porque a maioria delas não sabem como fazê-lo. Nunca lhes ensinaram devidamente. Não obstante, o ato de rezar é mais frequente do que se supõe, se não pensarmos nele como algo que tem lugar somente dentro de um ritual religioso estruturado e unicamente mediante determinadas palavras prescritas e sancionadas. “Deus, por favor, cure-a!” – é uma das preces mais simples e clássicas. Moisés a pronunciou quando sua irmã Miriam foi atacada pela lepra (Números 12:13). De um modo ou de outro, esta mesma prece é pronunciada por um sem número de mães, filhos e amigos.

Ou vejamos o tão frequente suspiro de alívio “Graças a Deus”, que surge depois de haver passado um período de intensa ansiedade em razão de um grave acidente, ou de uma séria enfermidade, ou uma perigosa missão, ou quando um ser querido parece estar entre a vida e a morte, ou entre o êxito e o infortúnio. Isto também é uma oração e costuma ser pronunciada tanto por pessoas que pensam que nunca rezam quanto por aquelas que o fazem com consciente e deliberada regularidade.

Ou consideremos o sentimento de reverência e admiração que brota do coração à vista de grandes cenários da natureza – vastos oceanos, montanhas imponentes e desertos impressionantes. O Rei David resumiu dizendo: ”Ó Deus, quão imensa é a multiplicidade de Tuas obras!” Por acaso isto não  é uma prece, mesmo quando expressado com um simples “magnífico” por gente menos talentosa poeticamente do que o autor do Livro dos Salmos? Entretanto, quando se crê que estes fenômenos são obras do Eterno e se tem a intenção de louvá-Lo por elas, então estas palavras também constituem uma prece.

Ou consideremos a pessoa que tem remorsos de consciência por alguma iniquidade cometida e, no mais íntimo de seus pensamentos, diz: ”Como estou aflito por isso!” Isto também é uma prece, especialmente se acompanhada das palavras “Perdoa-me!”.

TIPOS DE PRECE

Estes exemplos são universais e se referem também aos quatro tipos de prece contidas no Sidur. A prece de pedido, considerada pela maioria das pessoas como a natureza e a finalidade de toda oração, não é mais do que um desses quatro tipos de prece. Os outros três são as de agradecimento, as de louvor ao Eterno e as que, basicamente, são formas de introspecção e de confissão.

A palavra hebraica para rezar (lehitpalel) não significa ”rogar” ou “suplicar” a Deus. Ela provém do radical hebraico “PLL”, cujo sentido se aproxima do último dos quatro tipos de prece aqui mencionados e significa ”julgar”. Portanto, lehitpalel (rezar) pode ser traduzido também por “julgar a si mesmo”, e esta é a chave do verdadeiro propósito de se entregar à oração. Ainda que solicitemos a Deus que nos proporcione o que nos falta, ou que Lhe agradeçamos por algum bem que nos fora brindado, ou Lhe exaltemos por Seus imponentes atributos, toda prece está destinada a nos ajudar a nos convertermos em seres humanos melhores.

Enquanto os judeus que optam por reger suas vidas segundo os preceitos e as tradições do judaísmo se entregam diariamente à oração como parte de seus deveres religiosos,  os judeus que se afastaram da observância tradicional e do hábito de rezar regularmente em momentos determinados encontram muitas ocasiões nas quais não só pronunciam sinceras e sentidas palavras de reza, como conscientemente querem participar dos serviços formais do ritual de orações.

PRECE ESPONTÂNEA

Ainda que a prece espontânea possa, às vezes, aflorar facilmente aos lábios, no geral isto representa um grande desafio. Para quem não está acostumado a rezar, não é fácil fazê-lo. Surgem as perguntas: “O que direi?” e “Como o direi?” É bastante aceitável no judaísmo solicitar a uma pessoa religiosa ou santa que reze por alguém, supondo-se que suas preces adicionais possam ter mais peso (Berachot 34b). Porém, geralmente o “Reze por mim, rabino!” significa mais uma solicitação para que o rabino substitua suas próprias preces (do que solicita) pelas de outra pessoa (do rabino) do que complementá-las. Numa análise final, nós cremos que toda pessoa tem os mesmos direitos e as mesmas obrigações de se dirigir a Deus. Fazê-lo diretamente pode acabar sendo mais significativo do que por meio de intermediários.

Os nossos sábios entenderam bem esse problema e chegaram à conclusão de que são poucos os que possuem a capacidade de expressar seus sentimentos e pensamentos mais profundos. Portanto, proveram-nos de orações compostas por mestres da liturgia e estabeleceram uma estrutura formal na qual pudéssemos dar expressão a toda vasta gama de estados de ânimo do ser humano, às nossas esperanças e temores pessoais, às nossas aspirações e experiências racionais, às nossas mais simples necessidades materiais e às nossas mais elevadas aspirações espirituais que transcendem a história e chegam até o infinito. Isto serve também para nos ensinar o que devemos pedir e nos educar sobre as aspirações que devemos sustentar.

ESTRUTURAÇÃO

As orações clássicas e os serviços rituais estruturados têm resistido à prova do tempo. Em todas as gerações, os judeus têm encontrado sentido e conteúdo em palavras compostas há três mil anos. E por que não? A tecnologia pode ter avançado, as culturas e civilizações podem ter mudado, porém a natureza humana e sua condição têm permanecido constantes. As preces judaicas têm demonstrado serem oportunas em cada momento, bem como permanentes e duradouras através dos tempos.

A capacidade de rezar não é patrimônio exclusivo dos fiéis de um determinado credo. Toda pessoa que crê em Deus sente-se impulsionada, num momento ou outro, a pronunciar uma sentida oração dirigida a Ele. E, às vezes, não crentes recalcitrantes também se sentem movidos a fazê-lo. Então, se o rezar é comum às pessoas de todos os credos, o que torna judaica a oração judaica?

REZANDO COMO JUDEU

A prece judaica é uma oração que utiliza o idioma hebraico da Bíblia e que reflete o espirito judaico. É uma reza que expressa os valores fundamentais do povo judeu e afirma os artigos básicos da fé judaica. É uma prece que reflete nossa experiência histórica e expressa nossas aspirações para o futuro. Quando a reza de um judeu não reflete um desses componentes, ele pode estar rezando, mas não poderá se afirmar que está rezando como judeu.

Um judeu pode escolher suas próprias palavras quando reza a Deus, mas quando utiliza as palavras do Sidur, torna-se parte do povo judeu. Deste modo, identifica-se com os judeus de todo o mundo que utilizam idênticas palavras e expressam os mesmos sentimentos. Assim, ele afirma um princípio de mútua responsabilidade e preocupação, e ocupa seu lugar desde o alvorecer da história ao se vincular a Abrahão, Isaac e Jacob. Ele reafirma seus direitos a um futuro judaico neste mundo e à redenção pessoal no mundo vindouro.

Tudo que a teologia judaica tem de peculiar; tudo que os valores judaicos têm de especial; tudo que a história judaica tem de singular – as preces judaicas têm também.

ASSISTIR × PARTICIPAR

Um pensamento para concluir. Considera-se normalmente que, assistir aos serviços religiosos na sinagoga e rezar são a mesma coisa. Supõe-se que quem faça um, faça também o outro. Esta suposição deveria ser válida, porém não é, especialmente em nossos dias. Há quem reza até mesmo diariamente, mas de forma privada e fora do marco da sinagoga. Por outro lado, há os que vêm à sinagoga para "assistir" aos serviços, mas que não se dedicam a rezar. Aparecem em resposta a um convite de familiares ou de amigos, para participar da celebração de um Bar Mitsvá ou algum outro acontecimento. Vêm para ver e ser vistos, e não para rezar.

Não há quase nenhum rabino que não tenha experimentado algumas vezes a vaga sensação de estar ante uma sinagoga lotada de fiéis, gente sentada cortês e tranquilamente a contemplar os serviços, porém, no geral, sem sequer molestar-se em abrir o livro de orações. Esta gente bem pode estar “assistindo aos serviços”, mas não está participando das rezas.

Ser mero expectador de um serviço religioso judaico não é o mesmo que ser um participante ativo do mesmo. Para ser um participante ativo requer-se certo envolvimento, mesmo que não seja mais do que responder “Amen” em determinados momentos, mesmo que não seja mais do que pelo ânimo de sentir que gostaria de ser parte do que se está recitando.

A situação acima descrita é patética porque não é produzida por falta de crença ou de vontade de rezar. É o desconhecimento da sinagoga e de seus rituais, do livro de orações e de seu conteúdo, que faz com que estes assistentes sintam-se perplexos até ante a mínima proporção de envolvimento, que os nossos sábios tomaram em consideração.

Espero que, ao manusear este livro, os simples expectadores aprendam a se converter em participantes ativos das rezas, e que os participantes ativos se sintam estimulados a se tornar participantes mais inspirados na experiência da prece judaica. E, se estiver certa a afirmação de lehudá Halevi, de que “a reza é para a alma o que o alimento é para o corpo” (Cuzarí 3:5), então, só resta esperar que com isso eles possam se enriquecer e fortalecer-se.

“O Eterno está próximo de todos os que O invocam, daqueles que O invocam com sinceridade.”

Salmo 145:18

 

Extraído com autorização da Introdução (págs. 14-20) de “Rezar como Judio – Guia para el libro de oraciones y el culto en la sinagoga”, do Rabi Hayim Halevy Donim, traducido del inglés por Oscar Sapolinsky, editado por Eliahu Birnbaum,  Editorial Eliner, Departamento de Educación y Cultura Religiosa para la Diáspora de la Organizacion Sionista Mundial, Jerusalém, 1986/5747. Ao autor, à Editora e ao Departamento de Educação e Cultura Religiosa – nosso sincero agradecimento.

Modo de Usar

DESPERTAR
Ao despertar do sono, cada pessoa deve refletir imediatamente, que o Rei dos reis, o Santíssimo –  bendito seja! –, cuja glória preenche
toda a terra, está sobre si e observa seus atos, como está escrito: “Esconder-se-ia alguém em esconderijos, e Eu não o veria? – diz o Eterno. – Acaso não preencho Eu o céu e a terra? – diz o Eterno.” Assim, deve cumprir o que foi dito pelo grande salmista de Israel, o Rei David:

"Shiviti Adonai lenegdi tamid."

E deve agradecer a Deus por haver-lhe devolvido sua alma, e dizer, mesmo antes da lavagem das mãos:
Modê /mulheres: MODÁ/ ani lefanêcha mélech chai vecaiam shehechezárta bi nishmatí bechemlá, rabá emunatêcha.

BÊNÇÃOS DA AURORA
Depois da “lavagem das mãos” (enche-se um utensílio com água e derrama-se esta água 3 vezes intercaladas em cada uma das mãos, primeiro a direita, depois a esquerda), da higiene pessoal e de vestir-se, recita-se:
Baruch atá Adonai, Elohênu mélech haolam, asher kideshánu bemitsvotáv, vetsivánu al netilat iadáyim.
Baruch atá Adonai, Elohênu mélech haolam, asher iatsár et haadam bechochmá, uvára vo necavim necavim, chalulim chalulim. Galui veiadúa lifnê chissê chevodêcha, sheím yipatêach echad mehem ô yissatêm echad mehem, i efshar lehitcaiêm velaamod lefanêcha afílu shaá echat. Baruch atá Adonai, rofê chol bassar umaflí laassót

 

SHIVÍTI - “Tenho posto sempre o Eterno diante de mim.”
MODÊ - Dou graças perante Ti, ó Rei vivo e existente, que devolveste a minha alma com piedade; grande é nossa fé em Ti.
BARUCH - Bendito sejas Tu, Eterno, nosso Deus, Rei do universo, que nos santificaste com os Teus mandamentos e nos ordenaste lavar as mãos.
BARUCH - Bendito sejas Tu, Eterno, nosso Deus, Rei do universo, que formaste o homem com sabedoria e criaste nele órgãos com orifícios. Revelado e sabido é perante o Teu glorioso trono que, se um órgão aberto se fechar ou um órgão fechado se abrir, o ser humano não sobreviverá nem uma hora. Bendito sejas Tu, Eterno, que saras toda a carne e fazes maravilhas.

Prefácio

Introdução do Autor

Quando estudava na Yeshivá de Petrópolis, ouvi uma historinha que, como toda boa estória chassídica, ilustrava uma ideia que, desde aquela época, ficou marcada dentro de mim. Tempos depois, encontrei, entre contos do filósofo Martin Buber, uma outra versão dela, que encerrava em si a mesma delicada e profunda lição.

A história era mais ou menos assim:

“Um humilde camponês tinha o costume de vir todo ano à cidade por ocasião das Grandes Festas, para ir à sinagoga e ficar próximo do seu Rebe. Ele tinha um filho, que não sabia (ou não conseguia) ler em hebraico, porém que aprendera as letras do alfabeto. Este, por conseguinte, não sabia orar, mas seu pai, assim mesmo, resolveu, em certa ocasião, trazê-lo à cidade.

Na oração final de lom Kipúr – a Neilá – aconteceu algo estranho: o Rebe demorava-se em concluir suas preces, fazendo a todos aguardá-lo. De repente, aquele menino que não sabia rezar, depois de passar todo o dia olhando e ouvindo, pega um livro de orações, abre-o na página do alfabeto e diz, com forte convicção: “Ribono shel olam (Senhor do Mundo), eu não sei rezar para Ti, embora muito o quisesse. Sei, entretanto, as letras! Façamos assim: eu recitarei as letras e Tu, com elas, articularás as orações para mim, e será como que se eu as tivesse rezado", e assim fez. (Na outra versão, o menino tira uma flautinha do bolso e a toca.)

Naquele momento, o Rebe prosseguiu sua prece exultante e feliz. Posteriormente, explicou: “Havia uma dura sentença contra nós, nos céus; eu suplicava e orava, mas não conseguia modificá-la, até que as orações daquele menino abriram as portas do céu e minhas preces foram  aceitas e a sentença anulada.”

Este conto, além de muito bonito, é muito rico em ensinamentos. Podemos dele aprender que o desconhecimento é um empecilho para a realização de boas coisas, atrapalha, custa-nos as vezes todo um dia (ou uma vida) de mutismo e passividade. Mas, quando há convicção e força de vontade, e coragem suficiente para dar-se o primeiro passo, os empecilhos e barreiras vão por terra, e até as portas do céu abrem-se ante a sede e a vontade de fazer e participar.

Este Sidur tem muito a ver com o nosso conto. Por razões diversas, a comunidade judaica brasileira, de forma geral, não só pouco conhece do seu judaísmo, como desconhece seu idioma mater, o idioma do povo de Israel, com o qual procuramos invocar e, de certa forma, “comunicarmo-nos” com o Criador.

Estas e outras barreiras afastam e mantêm distantes das sinagogas muitos de nós; outros, submetem-se à passividade mutista imposta pelas circunstâncias, tornando-se meros espectadores de uma cena familiar e, não obstante, distante e enigmática.

A proposta deste Sidur, é de abrir uma portinha – não no céu, e sim na terra! – nas nossas próprias sinagogas, para todos aqueles que, com convicção e força de vontade, querem enfrentar os empecilhos e sair dessa situação de afastamento e passividade, fatores estes que conduzem, direta e indiretamente, à assimilação consciente e, não menos perigosa, à inconsciente.

* * *

Este Sidur procurou apresentar as orações sob diversas formas, para os diferentes tipos de pessoas que venham a utilizá-Io, consciente das dificuldades e barreiras que atormenta-os, e oferecendo soluções e alternativas diversas.

Para os já letrados em hebraico, o Sidur oferece o texto editado por Shelomo Tal em seu Sidur Rinat Yisrael, na versão “Sefarad”, segundo a tradição do judaísmo da Europa Oriental. Em sua introdução, o autor diz, parafraseando um ditado, que cada geração e geração e suas necessidades; da mesma forma, cada geração e geração e seu Sidur. Através dos recursos gráficos modernos e de toda uma arrojada concepção gráfica, Shelomo Tal conseguiu dar ao seu Sidur a forma e o estilo de nossos dias, sempre preocupado com a clareza e a didática.

Para os que ainda não sabem ler em hebraico, mas que gostariam de poder rezar, ou pelo menos acompanhar as preces do Chazan, em hebraico, oferecemos, na parte superior das páginas esquerdas, o texto transliterado, ou seja, a pronuncia fonética hebraica (na forma sefaradita, semelhante ao  hebraico moderno). O intuito é incentivar as pessoas a irem à sinagoga – mesmo as que ainda não sabem “rezar” – pois, comparecendo e integrando-se à Congregação, acabarão tomando gosto pelas orações e aprendendo-as. Sem contar que seus filhos, que em muitos casos aprendem hebraico nas escolas, na companhia de seus pais, encontrarão na sinagoga uma extensão de seus lares, integrando-se e crescendo num ambiente autenticamente judaico. Mas para isso é preciso que os pais incentivem-nos, e nada melhor do que suas presenças!

Tanto para os que sabem como para os que ainda não sabem hebraico, o Sidur oferece também a tradução para o vernáculo das orações. A finalidade desta terceira parte da obra é facilitar a compreensão e o sentido das preces, dando-lhes mais conteúdo e significação, proporcionando ao leitor, assim, momentos de reflexão e meditação.

Na perseguição de tal intento, procurando ser claro ao extremo, porém mantendo certo estilismo literário, uma obra, dentre as várias pesquisadas, serviu de base e “mola mestra” para este fim, e a referência é para o notável Sidur Tefilat Matzliah, traduzido, explicado e comentado pelo Rabino Meir Matzliah Melamed z”L, a quem reverencio por seu vasto trabalho e dedicação, ao possibilitar-nos compreender melhor a oração e a Lei. Ousaria dizer que este nosso modesto Sidur almeja ser tão útil para os judeus oriundos da Europa (ashkenazitas) como comprovadamente o é o Sidur Tefilat Matzliah para os judeus médio-orientais (sefaraditas).

A quarta parte do livro são os textos em português que aludem à significação filosófica dos temas abordados na obra: a Oração, o Shabat, e as festas de Pêssach, Shavuót, Sucót, Purim, Chanucá e lom Haatsmaút. Foram redigidos por profundos conhecedores do judaísmo e grandes mestres da Torá – o Rabino Abraham Blau, o Rabino Hayim Halevy Donim Z"L e o Dr. Yaacov Vainstein, aos quais agradecemos. Além destes textos, incluímos a tradução do Pirkê Avót – A Ética dos Pais –, baseado na versão de Moses Bensabat Amzalak Z"L; sem dúvida, aqueles que, porventura, não tiveram o prazer de conhecer esta obra, regozijar-se-ão com seus profundos e ricos ensinamentos.

* * *

Proporcionou-me o Todo-Poderoso o mérito de editar o Sidur de Shabat e lom Tov e o Sidur da Semana (reunidos nesta edição), o Machzor de Rosh Hashaná e o Machzor de lom Kipúr (reunidos no Machzor Completo), a Hagadá de Pêssach e o Sidurzinho para Crianças.

Não bastasse isso, propiciou-me assistir a introdução desses livros em inúmeros lares, sinagogas e escolas, demostrando dia a dia a grandeza da lacuna que eles vieram preencher, ao possibilitar a muitos irmãos participar ativamente e a conhecer e “provar” da sublime experiência de orar a Deus, ligar-se a Ele e à Congregação de Israel.

Não obstante a tremenda responsabilidade, agradeço à Comunidade Judaica do Brasil e, principalmente, aos jovens como eu que, com suas preces, justificaram definitivamente todos os esforços empreendidos para a realização desses trabalhos.

Por fim, gostaria de agradecer à minha esposa Sheila e a meus filhos llana e Amir, que suportaram com paciência e carinho este novo período de “parto”, que é a edição de um Sidur; a meus pais, sogros e irmãos, pelo incentivo constante; aos amigos, colegas, funcionários e patrocinadores, pelas palavras encorajadoras e pelo apoio; e aos leitores, que justificaram todo o esforço empreendido e estimularam esta nova obra.

Peço, não obstante e humildemente, que não seja imputado a terceiros os eventuais erros e incorreções deste trabalho, pois estes são de nossa total responsabilidade, mesmo os inconscientes.

Que possam nossas orações vir ante a Sua Presença em hora favorável e serem atendidas com a multidão de Sua benevolência, e respondidas com a verdade de Sua salvação, para “que Ele abra os nossos corações para o Seu amor e o Seu temor, a fim de podermos fazer a Sua vontade e servi-Lo de coração perfeito” e, desta forma, “dar magnificência à Sua Torá e torná-la grandiosa”, Amen.

JAIRO FRIDLIN

Agosto de 1997 / Av de 5757

 

Avaliação dos Clientes

    • muito bom
    • 21 de dezembro de 2018
  • diego
  • recomendo este produto
  • excelente

    • Maravilhoso!
    • 10 de outubro de 2018
  • Audrey
  • recomendo este produto
  • Recomendo para todos, principalmente para aqueles que estão em teshuvá!

    • Muito bom
    • 12 de abril de 2017
  • Leonardo
  • recomendo este produto
  • Chegou na data e muito bem embalado

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