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O Cuzarí

Capa dura, formato de bolso
Autor: Iehuda Halevi
Editora: Sêfer
SKU: 2883
Páginas: 440
Avaliação geral:

Na busca pelo caminho certo a seguir, o rei dos cazares convida representantes de várias religiões a fim de escolher a mais adequada de todas. Como todos mencionam negativamente o judaísmo, ele acaba convocando também um sábio judeu com quem passa a dialogar e a descobrir os mistérios da fé judaica. Este é o tema desta obra-prima da literatura clássica judaica, O Cuzarí, do Rabino Iehuda Halevi, erudito que viveu na conturbada Espanha do séc. XI.

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Descrição

Na busca pelo caminho certo a seguir, o rei dos cazares convida representantes de várias religiões a fim de escolher a mais adequada de todas. Como todos mencionam negativamente o judaísmo, ele acaba convocando também um sábio judeu com quem passa a dialogar e a descobrir os mistérios da fé judaica. Este é o tema desta obra-prima da literatura clássica judaica, O Cuzarí, fruto do coração sensível e da mente privilegiada do Rabino Iehuda Halevi, erudito da Torá que viveu na conturbada Espanha do século XI

Veja um trecho desse diálogo:

Sobre a Revelação Divina

80. O Cuzarí: Vamos retomar nosso assunto. Diga-me, como surgiu a fé judaica? Como se estabeleceu, foi aceita e formou-se o consenso em torno de suas normas? Em quanto tempo ela se solidificou e se difundiu? Faço estas perguntas pois é evidente que religiões passam por um processo de desenvolvimento. Primeiramente, um punhado de indivíduos, familiarizados com esta fé, se esforçam em estabelecer suas bases e compactuam com seus rituais; acreditam ser da vontade de Deus divulgá-los; são então seguidos por outras pessoas e utilizam os novos crentes para atrair mais pessoas e, desta forma, engrossar suas fileiras. Oportunamente, pode surgir um rei que os auxilie nesta tarefa, forçando sua população a aderir ao novo credo. 

81. O Sábio: Somente as religiões fundamentadas na lógica humana se desenvolvem desta maneira. Quando ela se difunde, ganhando adeptos e suporte, dela se dirá que é ajudada pelo Criador. Porém, a religião outorgada pelo Criador não passa por processo algum de desenvolvimento: surge de maneira repentina, similar ao abrupto processo da Criação do Universo, que apareceu e veio à existência num certo momento!

82. O Cuzarí: Tuas palavras me causam espanto!

83. O Sábio: Na verdade, os eventos a que me refiro são ainda mais espantosos: os israelitas, descendentes dos doze filhos de Jacob, contavam seiscentos mil homens adultos, acima dos vinte anos de idade, e viveram como escravos no Egito sem que houvesse um simples caso de casamento misto com os egípcios. Nenhum deles fugiu para qualquer outro pais. Todos aguardavam a época prometida pelo Eterno, Deus de seus Patriarcas Abrahão, Isaac e Jacob, na qual Ele legaria a terra de Canaã a seus descendentes. Naquele período, a terra de Canaã era habitada por sete nações muito populosas, que haviam alcançado o topo do sucesso e poder. Contrariamente, os israelitas se achavam no mais baixo nível de pobreza e miséria, oprimidos pelo Faraó, que matara seus filhos para evitar seu crescimento demográfico. Eis que Deus enviou Moisés e Aarão ao Faraó. Apesar de seu estado frágil e miserável, os dois líderes se postaram diante deste poderoso monarca, operando milagres sobrenaturais e outros prodígios, sem que ninguém os impedisse de adentrar ao palácio real, os prendesse ou os matasse. Em seguida, o Egito foi punido com dez pragas, que afetaram todos os sistemas naturais: água, solo, ar, fauna, flora, a vida humana, corpo e alma. A última praga atingiu os entes mais queridos dos egípcios – seus primogênitos –, que morreram todos no mesmo instante, à meia-noite. Não havia uma casa onde não houvesse um morto, exceto nas casas israelitas. O próprio Faraó se viu impotente para escapar de qualquer uma destas pragas. Cada uma delas foi precedida por advertência, tendo-se iniciado e cessado no tempo exato pré-determinado por Moisés. Tudo isto para demonstrar claramente que estas pragas foram intencionais, e não acidentais, advindas de Deus, que faz prevalecer Sua Vontade, quando e como Ele desejar. Elas não se originaram nas forças da natureza ou por influência das estrelas!

Depois da praga dos primogênitos, naquela noite, os israelitas deixaram o Egito, por ordem de Deus, rumo ao deserto, em direção ao mar dos Juncos (mar Vermelho), guiados por uma Coluna de Nuvens e Fogo, enquanto o Faraó e seu exército os perseguiam. Os israelitas não estavam treinados para a guerra, mas foram milagrosamente salvos sem ter de recorrer a armas. O mar se dividiu à frente deles, que o atravessaram, enquanto o Faraó e seus exércitos afundavam em suas águas; o mar lançou à praia os cadáveres dos egípcios aos olhos dos israelitas. É uma história longa e bem conhecida. 

Naquele momento, dois anciãos eram os líderes e sacerdotes da nação: os profetas Moisés e Aarão. Ambos tinham mais de oitenta anos de idade quando profetizaram. Até aquele momento, os israelitas eram ordenados a observar um número reduzido de preceitos herdados de Adão e Noé, os virtuosos das primeiras gerações. Moisés não os aboliu e lhes acrescentou outros mandamentos, conforme os recebia de Deus.

84. O Cuzarí: Tudo isto é revelação da glória Divina. Os mandamentos associados a estes eventos devem realmente ser aceitos, pois não há qualquer dúvida de que não se originaram em bruxaria, artifícios ou imaginação. Ainda que os israelitas pudessem fantasiar o mar se dividindo diante de si, jamais se afirmaria que sua salvação da escravidão, a morte dos seus feitores e a arrecadação dos seus despojos foram puro devaneio! Somente uma obstinação herética poderia classificar como ilusórios estes fatos que mudaram as vidas dos israelitas.

85. O Sábio: Após estes eventos, um milagre ainda mais maravilhoso lhes ocorreu. No meio do deserto, onde não há vegetação, Deus criou uma nova criatura, o Maná, o pão com que Israel se alimentou durante quarenta anos e que descia dos céus diariamente, exceto no Shabat (sábado).

86. O Cuzarí: Alimento descendo constantemente do céu, seis dias por semana, cessando no sétimo, durante quarenta anos, e sustentando seiscentos mil homens e seus familiares, constitui um milagre e prova irrefutável da Providência Divina. Disto resultou, obviamente, a obrigatoriedade de guardar o Shabat devido à Revelação Divina que nele aconteceu. 

87. O Sábio: Certamente, a obrigatoriedade de guardar o Shabat provém da não descida do Maná neste dia, e do fato que o mundo foi criado em seis dias e que Deus nada criou no Shabat. E também devido a um terceiro motivo que será esclarecido adiante.
Quando todos de Israel viram os milagres de Moisés, passaram a acreditar em seu status Divino, apesar de ainda terem incertezas quanto à essência da profecia em geral. Era-lhes difícil conceber como Deus mantinha diálogo com o homem. Poder-se-ia supor que a iniciativa de elaborar as leis da Torá partira do homem, e só posteriormente recebeu assistência ou aquiescência Divina. Esta hesitação surgiu da dificuldade de atribuir a fala – uma atividade genuinamente física – ao Criador, que é desprovido de qualquer matéria. Deus decidiu dirimir esta dúvida, ordenando aos israelitas que se preparassem para presenciar a Revelação Divina. Tal preparação exigia santificação interior e exterior. Para fortalecer a santificação interior, foram ordenados a se afastar das esposas e a se preparar psicologicamente para ouvir a palavra de Deus. A santificação exterior consistiu na lavagem das vestes.

Após três dias de preparação e depois dos milagres e prodígios que antecederam a Revelação no monte Sinai, como os fortes sons, relâmpagos e fogo que circundava o monte, toda a nação atingiu o status de santidade profética e estava preparada para ouvir a palavra de Deus, frente a frente. Com voz clara, Deus anunciou os Dez Mandamentos, que englobam os fundamentos e raízes da nossa fé e da Torá. Um desses mandamentos é guardar o Shabat, o que já se fazia desde o advento do Maná. O fogo que circundava o monte Sinai permaneceu visível durante quarenta dias e todos viram Moisés ascender a este monte e, posteriormente, dele descer, atravessando as labaredas.

Os Dez Mandamentos não foram recebidos pela nação como se fossem uma tradição, transmitida por um profeta ou por alguns indivíduos, mas, sim, pelo Próprio Deus. Contudo, os israelitas não tiveram a capacidade de continuar presenciando esta visão grandiosa e, por isto, deste dia em diante, acreditaram que as falas de Deus a Moisés não provinham de sua iniciativa ou premeditação, mas se originavam no Criador Abençoado. A profecia não é, como descrevem os filósofos, consequência de um refinamento da alma e de sua comunhão com o “intelecto ativo”, chamado de espírito santo (Rúach Hacódesh), ou da comunhão com o anjo Gabriel. É até possível que um sujeito num estado de sonolência, meio-adormecido ou sonhando, imagine que alguém venha a lhe falar, ou que ouça coisas unicamente perceptíveis por sua alma e não por seus ouvidos, que o veja na imaginação, mas não com seus olhos reais – e, baseado nestas visões, afirme que o Criador falou com ele! Conjeturas como esta foram todas desmistificadas com o fantástico evento da Revelação no monte Sinai!
À fala Divina se ajuntou uma escrita Divina: as duas Tábuas da Aliança nas quais Deus gravou os Dez Mandamentos transmitidos a Moisés. As Tábuas eram feitas de pedra preciosa (safira), na qual estava gravada uma escrita maravilhosa. Israel viu que a escrita era Divina, assim como a mensagem ouvida no monte Sinai. Conforme as instruções de Deus, Moisés fez depois uma Arca e ergueu o conhecido Mishcán (Tabernáculo), que permaneceu junto dos filhos de Israel durante a era dos profetas por quase novecentos anos; até que a nação se revoltou contra seu Pai Celestial. Aí, então, a Arca se ocultou, apareceu Nabucodonosor e conquistou a Judeia, exilando o povo para a Babilônia.


Índice e trechos

ÍNDICE

Prefácio à Edição Brasileira ........................... 9
Prefácio à Edição em Hebraico.......................25
Prólogo: O Sábio-Amigo...............................29
Sobre a Nova Edição Comentada....................33

Diálogo Um ............................................. 41
Diálogo Dois........................................... 117
Diálogo Três........................................... 197
Diálogo Quatro ....................................... 301
Diálogo Cinco ......................................... 363

Prefácio

Prefácio à Edição Brasileira

“Eu sou o Eterno, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa dos escravos.”
Êxodo 20:2 

Os Dez Mandamentos foram uma revelação única na história da humanidade. Ouvida por todo o povo judeu aos pés do monte Sinai, a voz de Deus continua a ecoar mais forte do que nunca em nossos almas, geração após geração, alimentando a fé inabalável que arde em nossos corações desde aquele momento. Ao longo de todas as jornadas que empreendemos, levamos conosco a mensagem eterna da crença no Deus único, expressa no versículo acima. Por ela, estivemos prontos a morrer; por ela, atravessamos incólumes água e fogo e, graças a ela, sobrevivemos e viveremos para sempre – em nossos filhos e nos filhos de nossos filhos, até o final dos tempos. É o nosso legado maior: a fé no Criador.

Não foram poucos e nem amenos os obstáculos que o judaísmo enfrentou ao longo dos séculos e milênios. 

A todos eles, nós, judeus, respondemos de cabeça erguida. “O Cuzarí”, esta grandiosa obra clássica do século XI, ocupa lugar de honra na galeria de respostas que, com orgulho e humildade, levamos aos demais povos da terra. Mas, acima de tudo, ela adquiriu valor inestimável como instrumento de autoconhecimento, tarefa que a riqueza de nossa trajetória torna obrigatória, essencial. As ideias e ensinamentos contidos em suas páginas falam em profundidade sobre quem somos e o papel que nos cabe desempenhar em nome do pacto que fizemos com o Eterno.

A importância de uma obra como esta toma proporções ainda maiores em um momento como o que tentamos transpor atualmente. A nova geração encontra-se, como nunca, exposta a apelos e influências destinadas a distanciá-la de sua preciosa herança, e é dever sagrado de cada um de nós impedir que isto aconteça. E “O Cuzarí”, tão poderoso e verdadeiro hoje quanto na época em que foi escrito, é um dos clássicos judaicos que contém todos os elementos capazes de reafirmar a beleza dos valores e a grandeza de nossa tradição. 

Sobre o Autor

O Rabino Iehuda ben Shemuel Halevi (conhecido sob o acrônimo de Rihal), precursor da historiologia (filosofia da história), consagrou-se como o poeta da nação judaica. 

O Rihal nasceu em 1075 em Toledo, norte da Espanha, numa época em que a política local passava por drásticas mudanças em função da consolidação do reinado cristão de Castilha, que chegou ao ápice em 1085 com a conquista da cidade natal do nosso poeta. Uma das consequências deste fato foi a transferência de grande parcela da comunidade para o norte. Toledo transformou-se em centro da cultura judaica, onde floresceram luminares da erudição, como os Rabinos Abraham ibn Ezra e Iehudá Al-Harizi, entre outros, até Maimônides, o Rambam, devolver o brilho ao sul da Espanha, a partir da cidade de Córdova. 

Pouco sabemos sobre a infância e os estudos do Rihal, mas é evidente o fantástico domínio que tinha sobre o Talmud e o Tanach, flagrante nas associações e citações presentes em seus livros e poemas – ele compôs mais de mil poemas e cânticos ao longo de sua vida. Torna-se claro, também, o sólido conhecimento que tinha da poesia e filosofia árabes, uma vez que delas lançou mão com raro talento nas respostas que compõem sua obra-prima, “O Cuzarí”. 

Durante os anos de sua juventude, o Rihal peregrinou pelos grandes centros de estudo da Torá situados no sul da Espanha. Foi aluno na Ieshivá do Rabino Isaac Alfassi, conhecido pelo acrônimo de Rif, e amigo do grande sábio Rabino Iossef ibn Migash. Por ocasião do falecimento deste, escreveu um comovente discurso fúnebre.

O Rihal continuou a viajar em busca do saber, e suas jornadas pela Península Ibérica e norte da África permitiram-lhe conhecer de perto a situação trágica do povo de Israel, pressionado entre os cristãos de Edom e os muçulmanos de Ismael – “entre o martelo e a bigorna”. O sofrimento que testemunhou marcou indelevelmente sua alma para sempre. 

O dom poético do Rihal era único, especial, e viria a influenciar de maneira decisiva os rumos de sua vida. Conviveu com grupos que uniam a Torá à cultura geral e à nobreza, e desenvolveu sua poesia a ponto de vencer um concurso que tinha a obra do famoso autor Moisés ibn Ezra como tema – o desafio era “imitar” uma das poesias do mestre.

Foi assim que o jovem Iehuda Halevi, o nosso Rihal, conheceu a família Ibn Ezra, uma das mais ricas e influentes da Espanha na época. Acabou por mudar-se para Granada, sede da casa da importante família e, entre outros benefícios, passou a experimentar uma situação financeira mais confortável do que aquela que conhecera até então. De Granada, seguiu para Córdova, onde estudou medicina. Mais tarde, regressou a Toledo, casou-se e teve uma única filha. Conta uma tradição que o Rihal foi genro do Rabino Abraham ibn Ezra. 

Em uma etapa posterior, estabeleceu-se com a família na cidade de Córdova. Pode-se constatar, a partir da alegria e da paz interior presentes nas frases, versos e entrelinhas de seus escritos da época, que o Rihal levava então uma vida tranquila. Nem por um momento, porém, esqueceu-se da situação de seu povo. A ele, às suas provações e à sua força sem igual, dedicou as mais belas poesias que compôs.

A situação dos judeus na Península Ibérica e norte da África torna-se cada vez mais insustentável. O Rihal conhece e sente no âmago do seu ser as graves ameaças à nação judaica: de um lado, as Cruzadas; de outro, as perseguições nos paises islâmicos. Chora a destruição das comunidades disputadas por cristãos e muçulmanos, e percebe, com rara clareza, a fragilidade e falta de segurança dos judeus na Espanha. Mais do que isto: vê de perto a gradual deterioração dos preciosos valores espirituais do nosso povo, apesar do luxo e da beleza superficiais.

O estado de coisas vigente afeta o espírito do grande poeta. Edon e Ismael guerreiam para dividir o mundo entre si, e o judaísmo é aniquilado batalha após batalha. Nelas, o Rihal identifica os sinais para que o povo judeu desperte e deixe a Diáspora. Ele sente especialmente o sofrimento da Shechiná – a revelação da Divindade – e começa a dar asas ao seu próprio sonho de retornar a Tsión. 

Nenhum outro poeta judeu jamais expressaria com maior exatidão o sofrimento de um povo que acreditava ter sido temporariamente abandonado por Deus e que, ao mesmo tempo, lutava para manter vivas sua fé e esperança. 

Faz parte de um dos belíssimos poemas do Rihal um verso onde diz que seu corpo estava no Ocidente, mas seu coração, no Oriente. 

Ao aproximar-se da velhice, é profundamente abalado pelo falecimento de sua esposa. Nos últimos versos que escreve, fala da consciência do pecado, referindo-se a uma possível dedicação excessiva à poesia e às reuniões culturais que manteve durante a juventude – atitude e eventos que dificilmente podem ser definidos como pecados – e declara que, a partir daquele momento, se dedicará somente à purificação da alma e do pensamento (O Cuzarí 2:80). 

Seu desejo de ir a Tsión, beijar suas pedras e contemplar o sítio do Templo destruído aumenta sensivelmente. Sonha em caminhar pelos lugares onde Deus Se revelou aos profetas. Ele então toma a decisão de partir, deixando para trás a confortável vida na Espanha, a filha, o neto, os alunos, e dirige-se à Terra de Israel. De nada adiantam os alertas da família e dos parentes sobre os perigos da viagem em idade tão avançada. Os olhos do Rihal estão voltados unicamente para Tsión.

Ele sai da Espanha aproximadamente no ano 1140. Sua jornada rumo à Terra de Israel rendeu ao nosso povo as mais belas poesias sobre o anseio histórico por Tsión e Jerusalém, entre elas “Tsión Halo Tishali”, recitada em algumas comunidades em Tishá Beav, o dia que assinala a destruição dos dois Templos sagrados. No caminho, passa por Alexandria e pelo Cairo, no Egito, onde é aclamado pelas comunidades locais. Encontra seguidores fiéis que, por sua vez, também tentam impedi-lo de prosseguir, em virtude dos riscos que terá de enfrentar. Mas o sonho e a saudade falam mais alto, e o nosso poeta segue viagem.

Uma história tão fantástica quanto terrível (citada no livro Shalshelet Hacabalá, de Guedalia ibn Hia) conta que, logo ao chegar aos portões de Jerusalém e vislumbrar a Cidade Santa em sua destruição, o Rihal rasga suas vestes, curva-se até o chão e recita a famosa poesia acima mencionada. Então, um cavaleiro árabe que assistia à cena, invejando a profunda devoção que presencia, faz seu cavalo pisotear o poeta – até a morte.

Sua Visão sobre o Povo de Israel

O Rabino Iehuda ben Shemuel Halevi desenvolve sua vivência religiosa sobre fundamentos que mesclam história e nacionalismo. O caráter especial do Povo de Israel e de sua história como revelações da Divindade, e o significado amplo de Tsión enquanto único local onde o povo judeu pode cumprir sua tarefa, são os principais temas de toda a sua obra.

Da mesma forma que o Maharal de Praga, o Rihal vê como centro, como ponto primeiro da escolha Divina, a nação e o espírito do povo, e não o indivíduo em particular. Conhecer a grandeza de Am Israel e seu papel na história da humanidade é, segundo sua perspectiva, tão ou mais importante do que compreender as regras morais que regem a sociedade dos homens.

“O povo de Israel entre as nações é como o coração entre os órgãos do corpo; é ele que mais sente as dores, mas também é ele o órgão mais importante e vital entre todos.” Esta frase de sua autoria não enfatiza somente a importância do coração: assim como os demais componentes do corpo humano não sobrevivem sem o coração, também o coração não sobrevive sozinho. Israel é o povo que revela a vontade de Deus. Tem por tarefa e objetivo ser o coração da humanidade, uma fonte de vida espiritual para os outros povos.

O Relacionamento com a Filosofia

Para o Rihal, a fé – Emuná – é a ligação existencial entre o homem e Deus, e encontra-se acima de qualquer limite conhecido. Embora não negue a necessidade do uso do intelecto em determinadas instâncias, ele decididamente desconsidera a filosofia enquanto caminho que leva ao conhecimento de Deus.

O mestre e poeta mostra que a Revelação Divina começa exatamente no ponto onde termina o alcance do pensamento humano. “O Cuzarí” nos ensina que a Revelação Divina provém do infinito, de um lugar situado muito além daquele que a nossa pequena massa cinzenta pode atingir, e é justamente por isto que sua grandeza não encontra paralelo no universo das proporções humanas. 

Por outro lado, ele não rejeita a capacidade de raciocínio do homem, como explicamos acima, e afirma que não existe nada na Torá que contradiga a lógica. Mas diz, também, que não é dentro dos limites da lógica que se pode encontrar o infinito. Ensina que a lógica pode apenas nos ajudar a construir a moldura intelectual para a verdadeira compreensão da Revelação Divina. “O deus de Aristóteles não é o Deus de Abrahão” – esta é a verdade que pulsa no coração do Rihal. 

É sabido que a filosofia judaica talvez tenha sido influenciada pela filosofia geral dos povos. Mas somente no que tange à forma, e não quanto ao seu conteúdo. Se um deus criado pela especulação filosófica está centrado em si mesmo, limitado pelas leis impostas pela natureza, o Deus de Israel, que Se revelou para o povo em momentos únicos de sua história – na saída do Egito e aos pés do monte Sinai – é um Deus vivo, sempre presente, que tem todas as leis em Suas mãos. É um Deus que possibilita ao homem se elevar e entrar em contato diretamente com Ele por meio da profecia, o caminho que leva aos Céus. Mas, diz o Rihal, não é o homem que constrói a escada até os céus – é Deus que faz descer dos céus uma escada para que o homem possa galgá-la.

Menções à medicina, profissão de Halevi, também podem ser encontradas em sua obra, e percebe-se que a ciência influenciou sua rejeição à filosofia especulativa. Esta postura intelectual levou-o a criticar as construções abstratas típicas de sua época, e ele não teve constrangimento algum em apontar seu relativismo em diversas ocasiões. 

Sobre Estilo e Enredo

A moldura, ou o estilo no qual “O Cuzarí” foi escrito, distingue-se também pela originalidade. Pode-se afirmar, com toda convicção, que se trata de uma obra de arte literária. 

O Rihal baseou-se num fato histórico ocorrido aproxi-madamente 400 anos antes de sua época (O Cuzarí 1:1), quando o rei de um povo que habitava as margens do mar Cáspio converteu-se ao judaísmo, juntamente com seu povo. Este fato é mencionado no Sêfer Hacabalá, escrito pelo primeiro Raavad, e nos capítulos 3 e 4 do Sêfer Iuchassin. Deste, consta uma carta enviada por Iossef, rei dos cazáres, ao sábio Chasdai ibn Shaprut, que fala sobre descendentes daquele povo que estariam entre os sábios da Torá de Tortela. 
A fórmula empregada pelo Rihal beneficia o leitor, facilitando tanto quanto possível a compreensão de tão rico e profundo texto: o rei dos cazáres formula perguntas ao sábios da época em sua busca por uma religião e deles recebe respostas, estabelecendo-se assim terreno propício à discussão. Na breve introdução que faz, o autor usa a expressão “Vehamaskilim iavínu”, que significa “e os sábios entenderão”. Por meio destas palavras, indica-nos que não se trata de um testemunho histórico do antigo diálogo, mas, sim, que o diálogo foi somente a forma literária escolhida para conter “O Cuzarí”.

Uma após outra, perguntas e respostas encerram verdadeiros oceanos de símbolos e ideias, e é imprescindível que o leitor mergulhe por inteiro em cada detalhe, por mínimo que lhe pareça, para poder extrair do livro toda sua grandeza. Trama e diálogos são extremamente envolventes, mas é essencial estar atento às inúmeras mensagens do autor transmitidas não apenas por meio do conteúdo. A ordem de abordagem dos diversos assuntos, a maneira como o rei elabora as perguntas, os exemplos que servem de ilustração – tudo neste livro tem um porquê, um significado, e convida à reflexão. Uma característica curiosa de “O Cuzarí”: nele, os conhecedores de dilemas filosóficos encontrarão respostas e direção para muitas de suas dúvidas, enquanto o leigo terá a sensação de estar lendo uma densa e interessante peça teatral.

Vale notar que, na Introdução, o autor narra o sonho do rei com um anjo que lhe diz: “Tuas intenções são bem-aceitas pelo Criador, mas não tuas ações.” Surgem as inevitáveis perguntas: por que esta afirmação aparece em um sonho? E por que o rei não tem noção do que ela implica quando acordado? A valiosa mensagem do anjo – de que não basta ser um bom homem e ter boas intenções, pois os atos são igualmente importantes – pode soar um tanto sobrenatural para alguns. Para os judeus, no entato, ela é totalmente familiar. Disseminada e defendida pela Halachá, o código das leis judaicas, é uma das verdades que nos foi ensinada no monte Sinai. Pouco encontrada em outras crenças e culturas, o insight que a narração do sonho provoca se assemelharia à sensação produzida pelo “sopro” de um anjo – daí o uso da figura pelo Rihal. 

Ainda sobre a mesma narrativa: também poderíamos questionar por que o anjo não teria apontado ao rei o caminho correto. Da omissão, infere-se que a fé deve ser buscada e estudada com afinco. Aqueles que a procuram com empenho e determinação obterão a bênção Divina e a encontrão. Talvez os que tenham vindo ao mundo em meio a um ambiente mais religioso não precisem procurá-la tão longe, mas isto não significa que a Emuná não deva ser estudada por todos, sem exceção. Mensagens inestimáveis como estas podem ser extraídas de cada página. Mas, antes, devem ser identificadas pelo leitor, e isto pede dedicação absoluta ao texto. 

O questionamento do rei sempre encaminha o diálogo em direção ao tema particular que o Rihal deseja desenvolver naquele momento. Assim se dá com as perguntas sobre o pecado do bezerro de ouro e sobre a idade do mundo. Elas levam de forma indireta à explicação mais profunda sobre Segulá, a essência do povo de Israel, e acabam por mostrar que os pecados atingem somente a superfície, sem jamais mudar o caráter sagrado da essência do povo judeu. Outro item de orientação para a leitura: sempre que dois assuntos aparecerem em ordem sequencial, deve-se buscar a ligação entre eles – como na pergunta sobre os convertidos, que tem por finalidade ampliar a exploração do tema da Segulá.

No início de sua pesquisa, o rei convoca um representante dos filósofos – que influenciaram muitos pensadores da época [em algumas edições não censuradas do livro, ele convoca mais tarde um sábio persa] –, um muçulmano e um cristão. As respostas são feitas de forma sintética, mas comprovam o conhecimento do autor sobre os princípios abordados. Passagens como estas e as ideias que contém fazem parte da obra justamente porque “O Cuzarí” é muito mais do que uma “apologia”, uma explicação como que “devida” às outras religiões. Como dissemos no início da presente Introdução, o livro é uma preciosa ferramenta de autoconhecimento para os próprios judeus, mais do que um mero livro apologético que discute as diferenças entre as religiões. Uma curiosidade adicional: já houve sugestões para que o leitor ignorasse a Introdução do Autor e fosse diretamente ao parágrafo 10, onde o rei fala sobre o judaísmo.

A forma como o Rihal apresenta o que equivale a um “cartão de visita” do judaísmo é primorosa. Atônito, o rei discute a apresentação inicial do Sábio, que limita o conhecimento de Deus à Sua Revelação aos nossos antepassados, sem falar da Sua magnitude, da Criação do mundo etc. O rei chega a se arrepender por consultar os judeus, um povo perseguido e sofrido. Este era, por sinal, um ideal cristão: humilhar o povo judeu como forma de justificar seus “caminhos errados”. É justamente aí que o Rihal revela ao rei que aquilo que parece, à primeira vista, uma limitação é, na verdade, a maior virtude do judaísmo – que a Torá não nasceu de uma especulação, nem tampouco do testemunho de um ou de alguns homens. Nosso Deus é o Deus da Revelação, e todo o povo presenciou esta experiência e ouviu Sua voz num evento inédito na história da humanidade que, inclusive, chegou a servir de base para outras religiões. Segundo o Rihal, “não foi o homem que trilhou o caminho até Deus; foi Deus que veio até nós e ensinou-nos Sua vontade”.

É necessário frisar que, no início do Segundo Diálogo, o rei se converte ao judaísmo e, com ele, todo seu povo. A partir deste momento, assuntos que haviam sido tratados no Primeiro Diálogo de forma mais superficial são então aprofundados. A mensagem que podemos extrair desta constatação é que a forma teórica de apresentar o judaísmo para quem está distante dele é muito limitada, se comparada ao que se pode receber quando se é parte da nação escolhida. 

Sob outro ângulo, sabemos que o aperfeiçoamento pessoal no judaísmo é alcançado sobretudo por meio do cumprimento dos mandamentos, e que aqueles que o vivenciam de forma plena podem criar um vínculo verdadeiro com o Eterno. Pode-se tentar “explicar” as cores a um deficiente visual, mas de nada adiantará, pois é impossível compreender o amarelo ou o vermelho sem possuir o sentido da visão. 

O Rihal foi também, sem dúvida, um gênio da Halachá, o código das leis judaicas. Esta genialidade transparece quando, nas entrelinhas, ele aborda assuntos polêmicos e controvertidos, como a linha do tempo (o fuso horário), os limites da Terra de Israel etc. Grande parte do Terceiro Diálogo é dedicada às respostas aos caraítas. Já no Quarto e Quinto Diálogos, ele entra no campo da filosofia e aborda temas cabalísticos, como o Sêfer Ietsirá, o Livro da Criação etc.

Ideias mais elevadas, como profecia e ligação com a Divindade, são desenvolvidas pelo Rihal a partir de uma abordagem positiva. Ele fala do “estar de bem” com a vida e da alegria contida do judaísmo. Ensina que, embora a Torá prometa a recompensa principal no Olam Habá (Mundo Vindouro), aos justos e devotos é concedida parte desta recompensa ainda neste mundo, ao longo da vida. Fala do mundo físico, limitado, e da janela que o Eterno abre para os justos, permitindo que sintam a Luz Divina através dela – um prazer inigualável. Este bem-estar espiritual faz com que o judaísmo delicie aos que o experimentam por inteiro.

A alegria e o sentimento de paz em relação à vida são uma constante em todo o livro, em especial no início do Terceiro Diálogo, quando o Rihal define o Chassid, que seria o israelita ideal. Instala-se então um ar de otimismo, apesar das dores e opressões, o que justifica o subtítulo original da obra: “Livro de Argumentação e Prova em Defesa de uma Religião Desprezada”. Ao responder à pergunta do rei sobre o Chassid, o Rihal nos arrebata com uma resposta fantástica: ele descreve um homem equilibrado, em harmonia e de bom senso. O rei, então, expressa sua censura, dizendo não estar à procura de um bom administrador, mas, sim, de um homem que tenha as características de um justo. A mensagem é cristalina: o ideal não estaria nos extremos, nem na tentativa de fugir à natureza humana. O ideal é viver a vida que Deus nos deu da forma mais plena possível, buscando e cuidando de manter o equilíbrio entre físico e espírito para, assim, alcançar a paz interior.

Para finalizar, diria que “O Cuzarí” é um livro que reúne intelecto e emoção, moral e história. Mas, acima de tudo, é um livro sobre a essência da Emuná. O Rabino Iehudá Halevi nos ensina que não basta “entender” ou “sentir” o judaísmo; o fundamental é viver a fé judaica em sua plenitude.

Nissan 5763.
Rabino Raphael Shammah
Diretor da Yeshiva Or Israel College


Comentários

Sobre a Nova Edição Comentada

“O Cuzarí” é uma obra extraordinária e emocionante, e sua origem está relacionada a uma grande tempestade.

A Espanha do século XII é palco de inúmeras disputas entre distintas religiões e visões de mundo. O território espanhol, que há pouco tempo havia sido conquistado pelos muçulmanos, aos poucos vai sendo libertado pelo contra-ataque cristão numa guerra que ainda duraria dezenas de anos – a Reconquista. 

O sul da Espanha, ainda sob domínio muçulmano, é governado por um grupo de radicais chamados almóadas.

Nesse meio tempo, é organizada a Primeira Cruzada, que parte da Europa rumo à Terra de Israel, e esta sai do domínio muçulmano e cai nas mãos sanguinárias dos cruzados.
No meio dessas tempestades geopolíticas, ocorre uma luta paralela entre várias correntes espirituais: o islã, o cristianismo e a filosofia neoplatônica. O contato entre essas correntes, mesmo que proveniente de guerras e conquistas, desperta uma efervescência intelectual e a busca de um renascimento espiritual.

Muitos judeus são despojados de suas casas, trabalhos e posições sociais, e obrigados a vagar como nômades entre as Espanhas cristã e muçulmana. Enquanto isso, as comunidades judaicas do resto da Europa são massacradas pelas Cruzadas. Paralelamente a essas desgraças, o islã e a filosofia se apresentam aos judeus como pretensos substitutos espirituais do judaísmo, ambos modernos e coroados de êxito político e militar.

Essa é uma época de renascimento espiritual e, portanto, propícia para uma obra que apresentará clara e convincentemente as bases da fé judaica; uma obra que destacará os aspectos exclusivos do judaísmo comparado aos seus concorrentes; uma obra que esclarecerá os objetivos judaicos nas suas diversas dimensões: do indivíduo, da nação e do mundo.

Nesse ponto, essa geração é agraciada por Deus com o aparecimento do Rabino Iehudá Halevi, que assume a responsabilidade de escrever o “Livro em Defesa da Fé Humilhada” (escrito originalmente em árabe), para que presenteasse o povo judeu com uma obra imortal e dinâmica, que se auto-renovasse o tempo todo e que descrevesse, de uma forma ao mesmo tempo sistemática, emocionante e profunda, os objetivos da existência do judaísmo e dos judeus de todas as épocas.

O Rabino Iehudá Halevi

Iehudá Halevi foi um dos maiores rabinos da Espanha do século XI. Grande poeta, filósofo e médico, foi um dos principais pensadores judeus da Idade Média. Foi aluno do grande Rabino Isaac Alfassi (também conhecido pelo acrônimo de Rif) e amigo íntimo do rabino Avraham ibn Ezra – um exímio poeta cujas obras, tanto religiosas como laicas, preenchem dez grossos volumes.

É possível dividir a vida do Rabino Iehudá Halevi em três fases. Na primeira, ele viajava entre cortes de nobres que o contratavam como poeta. Depois, foi nomeado médico da corte do Alfonso VI, rei de Castela, cujo palácio ficava na cidade de Toledo.

Porém, quando o seu protetor na corte, o ministro Shelomo ibn Ferutsiel, foi assassinado, o Rihal – acrônimo de Rabino Iehudá Halevi – teve de preparar a sua trouxa mais uma vez e cair na estrada, mas desta vez acompanhado pelo rabino Ibn Ezra. Porém, ele não era mais um poeta andarilho anônimo, que podia ser contratado por alguns trocados, e sim, uma figura respeitada em toda a Espanha muçulmana: um rico médico e comerciante.
No ano 1140 da era comum, o Rihal concretizou o seu sonho e realizou o principal ideal de sua visão do judaísmo: ele partiu em direção a Terra de Israel. 

Sua jornada tem início em um navio que partiu rumo ao Egito. Lá, o Rihal teve dificuldades para abandonar o círculo de seus admiradores locais. Alguns documentos encontrados na guenizá do Cairo e publicados nos últimos anos descrevem que o Rabino Iehudá abandonou o Egito no mês de Sivan e morreu, aparentemente em Israel, naquele mesmo ano no mês de Av, poucos meses depois.

Uma lenda do século XVI conta que, quando o Rihal chegou a Jerusalém, ele beijou as suas pedras, recitou a sua poesia Tsión haló tishali e, então, pisoteado por um cavaleiro árabe, morreu.

Não há provas documentais sobre a veracidade dessa lenda, porém os manuscritos encontrados na guenizá dão a entender que o Rabino Iehudá Halevi não morreu de morte natural depois de chegar à Terra de Israel. Contra a versão do cavaleiro árabe está a evidência de que, naqueles dias, Israel estava sob o domínio dos cruzados.
Após a conquista da Cidade Velha de Jerusalém, na Guerra dos Seis Dias (em 1967), a prefeitura da cidade decidiu fazer uma homenagem ao Rabino Iehudá Halevi. Até então, havia uma rua no bairro de Rechavia (cujas ruas tem o nome de rabinos da Espanha medieval) com o seu nome; porém, devido à tradição de que o pisoteamento do Rihal ocorreu aos pés do Cotel, achou-se mais apropriado que o seu nome fôsse dado às escadas que descem à esplanada do Cotel. 

Os Cazares

No livro, para apresentar as suas ideias, o Rabino Iehudá Halevi recorreu às disputas religiosas entre judeus e cristãos na Idade Média, na quais representantes das diferentes religiões eram convocados a se apresentar perante a corte real, onde debatiam publicamente sobre a veracidade de suas respectivas religiões.

A discussão seguia o formato de um debate com perguntas, respostas, réplicas, e tréplicas.
Porém, no “O Cuzar´”, a tensão do debate é dissolvida logo no começo, antes mesmo de os representantes das distintas visões abrirem as suas bocas. O simples fato do Rihal ter escolhido o reino dos Cazares como palco da disputa, e o rei deles como juiz, já prenuncia a vitória da visão judaica no debate.

A história do reino dos Cazares, que se converteu ao judaísmo, era bem conhecida na época em que o Rihal escreveu o seu livro. 

O reino dos cazares, cuja capital era a cidade de Itil, às margens do Volga, estendia desde esse rio e as montanhas do Cáucaso até o Mar Negro e o Mar Cáspio, e controlava a “rota da seda” e outras rotas comerciais que conectavam a Europa à Índia e ao extremo oriente. Aparentemente, foi a partir de caravanas que percorriam essas rotas que o judaísmo chegou à Cazária e conquistou o coração de seus soberanos. Posteriormente, eles converteram todos os seus súditos ao judaísmo e o adotaram como religião oficial.

Portanto, quando o Rihal apresenta o seu livro como uma discussão inter-religiosa que ocorreu na corte cazária, ele preenche um “buraco negro histórico” e propõe uma “resposta” ao mistério da conversão dos cazares ao judaísmo e, ao mesmo tempo, garante aos leitores o inevitável desfecho positivo da história.

A história garantiu ao “O Cuzarí” o título de uma obra brilhante e fundamental entre os clássicos da filosofia judaica, ao ponto de o Gaon de Vilna dizer que “o O Cuzarí é um livro santo e puro. Os princípios da fé de Israel e da Torá dependem de seu estudo”.
Dentro desta visão e a pedido do editor por ocasião de minha visita ao Brasil, escrevi alguns breves comentários, espalhados pelo livro e na forma de “pergunta e resposta”, que sintetizam algumas das principais ideias do livro, a fim de que você, leitor, possa ter uma noção bastante geral do que trata esta linda obra.

Av 5769.
Rabino Nôam Perl
Diretor da Yeshiva Colegial de Sussya
www.sussya.org.il

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O Cuzarí - Iehudá Halevi 
      
             


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