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  • Livro Judaico dos Porquês

Livro Judaico dos Porquês

Autor: Alfred J. Kolatch
Editora: Sêfer
SKU: 126
Páginas: 344
Avaliação geral:

Com mais de 3 milhões de exemplares vendidos ao redor do mundo, este best-seller explora cerca de 500 questões básicas sobre o judaísmo, Em uma linguagem simples e direta, o rabino Alfred J. Kolatch explica em que os judeus acreditam, como eles observam as suas festividades, qual o significado dos seus costumes e cerimônias e quais as diferenças entre as correntes religiosas.

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Descrição

Com mais de 3 milhões de exemplares vendidos ao redor do mundo, este best-seller explora cerca de 500 questões básicas sobre o judaísmo, Em uma linguagem simples e direta, o rabino  Alfred J. Kolatch explica em que os judeus acreditam, como eles observam as suas festividades, qual o significado dos seus costumes e cerimônias e quais as diferenças entre as correntes religiosas.

Ao abordar temas corriqueiros e tratar de assuntos delicados com a mesma clareza e competência, em linguagem acessível a jovens e adultos, tornou-se um livro que vem conquistando de maneira exemplar o intelecto e o coração de leitores judeus e não judeus ao redor de todo o mundo.

Entre as perguntas respondidas encontram-se:

  • Por que um filho de pai judeu não é necessariamente judeu?
  • Por que meninos são circuncidados?
  • Por que se quebra um copo na cerimônia de casamento?
  • Por que porco e camarão não são casher?
  • Por que os judeus comem guefilte fish no Shabat?

O Livro Judaico dos Porquês traz uma importante contribuição para desmistificar muitos dos mal-entendidos e conceitos errôneos que envolvem a observância judaica. Tanto judeus como não judeus acharão este livro esclarecedor.

“Ao longo dos anos, têm surgido diversos livros descrevendo a vida judaica – suas leis, seus costumes e suas cerimônias. A maioria se dedica a uma exposição de regras de conduta, mas poucos, se é que algum deles, dedicam-se a explicar o porquê de certas leis, costumes e cerimônias.
O Livro Judaico dos Porquês não aconselha aos judeus como conduzir suas vidas. Ele não é um livro de Halachá – de lei judaica. Este livro tem como único intuito explicar o raciocínio existente por trás dos costumes seguidos.”

Alfred J. Kolatch

  • Veja algumas perguntas e respostas abaixo, na aba MODO DE USAR.

Índice e trechos

Índice

      Introdução Geral 
  1. Os Primeiros Anos 
  2. Casamento e Divórcio 
  3. Morte e Luto 
  4. As Leis Alimentares 
  5. Objetos e Vestimentas 
  6. A Sinagoga
  7. Postura e Oração
  8. O Shabat 
  9. Pêssach 
10. Shavuót 
11. As Grandes Festas 
12. Sucót, Sheminí Atséret e Simchat Torá 
13. Chanucá 
14. Purim 
15. Festividades Menores 
16. Perguntas Gerais 
      Bibliografia

Modo de Usar

Por que uma criança judia do sexo masculino é circuncidada?
A lei bíblica exige que todo filho de uma mulher judia seja circuncidado no oitavo dia após o seu nascimento.
A palavra hebraica para circuncisão é berit, que significa “aliança”. Isto se refere à garantia dada por Deus a Abraão (Gênesis 17:2), na qual Ele prometeu abençoar Abraão e fazê-lo prosperar se, em troca, Abraão fosse leal a Deus (“Anda diante de Mim e sê perfeito”). Esta garantia foi introduzida e selada pelo ato da circuncisão, denominada em hebraico de ot berit, “assinatura da aliança.” Gênesis 17:11 registra o acordo nestes termos: “E circundareis a carne de vosso prepúcio, e será por sinal de aliança entre Mim e vós”. Esta seção do Gênesis termina com as seguintes palavras: “E o varão incircunciso... essa alma será cortada do Meu povo; Minha aliança quebrou”.

Por que as letras bet, hê e também bet, áyin aparecem no alto de documentos hebreus e também em correspondências entre judeus?
Bet, hê é uma abreviatura de Baruch Hashem, “bendito seja Deus”. Bet, áyin é a abreviatura de beezrat Hashem, “com a ajuda de Deus”. Ambas as formas são empregadas por pessoas que estão constantemente conscientes da função de Deus no mundo.

Por que os judeus não praticam o proselitismo entre os não judeus?

Em princípio, os judeus não são avessos a receber convertidos espontâneos e desinteressados. De fato, o Talmud se refere a um convertido como “uma criança recém-nascida” (Ievamot 48b).
Houve períodos na história judaica em que os judeus tentaram ativamente atrair convertidos para o judaísmo. Na Bíblia, Rute, a moabita, é recebida de braços abertos na comunidade judaica. Ela é, na verdade, reverenciada na história judaica com ancestral do Rei David, de quem o Messias descenderá. O sábio talmúdico Shimon ben Gamliel (século II e.c.) disse: “Quando um prosélito em potencial demonstra interesse pelo judaísmo, estenda para ele uma mão de boas-vindas”. (Levítico Raba 2:9).
Não obstante, desde a época da rebelião de Bar Cochbá contra os romanos (135 e.c.) em diante, os judeus começaram a encarar os prosélitos com cautela, porque se deram conta de que grande parte do ódio e perseguição contra os judeus tinha sido iniciado por convertidos ao judaísmo, que espionavam e contavam para as autoridades.

Por que alguns judeus não usam a designação “Novo Testamento”?
Assim como ocorre com A.C. e D.C., descritos acima, alguns judeus acreditam que falar de um Novo Testamento seria dar crédito à ideia cristã de que o Novo Testamento é o cumprimento das promessas e ensinamentos da Bíblia Judaica. Na verdade, os judeus em geral se abstêm de usar o termo “Antigo Testamento”, porque ele implica na existência de um Novo Testamento.

Por que alguns meses do calendário judaico têm vinte e nove dias e outros têm trinta?
O calendário judaico é lunar, isto é, baseado na duração da revolução sinódica – que é o intervalo de tempo que separa duas faces idênticas e consecutivas da Lua, e corresponde a 29,53059 dias. Já que não é praticável um calendário com um dia começando na metade de outro dia, e como era necessário harmonizar os calendários lunar e solar, alguns meses do calendário judaico receberam vinte e nove dias e outros trinta. (Veja a Introdução Geral para uma discussão mais detalhada sobre o calendário.)

Por que algumas rezas no livro de orações aparecem em aramaico?
Ao longo de toda a história judaica, o hebraico foi considerado uma língua sagrada, o idioma das orações. Mas o aramaico foi, por vários séculos, a língua do dia a dia das massas. A maioria dos judeus dos primeiros séculos conhecia bem o aramaico mas pouco do hebraico. Por isto, algumas orações comuns, tais como o Cadish, eram recitadas em aramaico. O Cadish era recitado originalmente no término de um sermão e, mais tarde, ao encerrar-se uma sessão de estudo. Como o sermão era pronunciado em aramaico, o Cadish era recitado na mesma língua.

Por que o lar judaico deve ser completamente limpo antes da festa de Pêssach?
Encontrar chamêts numa casa depois de começada a festa de Pêssach é considerada uma séria violação da lei judaica. Desde os tempos bíblicos em diante, a lei tem exigido que cada pedaço de pão levedado e todos os materiais e produtos associados a ele (ou seja, chamêts), sejam retirados da casa antes de Pêssach, para que não sejam vistos durante a festividade.

Por que as mulheres ultraortodoxas usam vestidos com mangas compridas?

Tseniut, recato, é um princípio básico que rege a vida dos judeus observantes. Os ultraortodoxos acreditam que as mulheres devem estar cobertas com roupa o máximo possível; portanto, eles exigem o uso de mangas compridas e algo que cubra a cabeça. Cartazes no bairro de Mea Shearim advertem que, as mulheres que não estiverem vestidas de modo recatado, não poderão entrar. Mesmo o uso de calças compridas é mal visto, por entrar na categoria de vestimentas não recatadas.

Por que os judeus ortodoxos não comem queijos se eles não forem aprovados especificamente como casher?
No processo de fabricação do queijo, um extrato de enzima do estômago dos mamíferos, o coalho, é usado na coagulação do leite. Mesmo se este coalho for obtido do estômago de um animal casher, os queijos feitos com ele não são considerados casher pelos judeus ortodoxos. Eles acreditam que nestes queijos, o leite e a carne se misturaram. Os judeus conservadores, em sua maioria, comem queijo feito com coalho. Eles acham que a natureza do coalho mudou completamente desde a sua extração e não pode mais ser considerado um produto de carne.

Por que a sepultura não é visitada durante o primeiro ano após o enterro?
A visitação do local da sepultura durante o primeiro ano é considerada psicologicamente indesejável. Os enlutados frequentemente sofrem sentimentos injustificados de culpa após a morte de um ente querido e criar o hábito de visitar a sepultura muito cedo, e com muita frequência, poderia aprofundar este sentimento. Embora não haja proibição às visitações durante o primeiro ano, os enlutados geralmente esperam até que uma lápide tenha sido erguida antes de começar a fazer visitas regulares ao túmulo.

Por que se emite um guêt quando o casal se divorcia?
Guêt é a palavra hebraica para “documento de divórcio”. De acordo com certas autoridades, ele é derivado da palavra acadiana que significa “mandado do tribunal“. Como o casamento judaico é realizado por meio de um contrato legal entre marido e esposa, ele só pode ser encerrado mediante a emissão de um mandado do tribunal anulando o contrato original.
Deve-se observar que o guêt não é um substituto para o divórcio civil. Os judeus reformistas acreditam que um divórcio civil é suficiente para casar novamente e abandonaram, portanto, a prática de emitir o guêt.

Por que a cerimônia de casamento é feita sob uma chupá?
A chupá é o dossel de casamento – geralmente uma peça grande de material decorado (seda, cetim ou veludo) – apoiada sobre quatro mastros firmes.
A origem da chupá tem sido explicada de diversas maneiras. Alguns creem que ela é um vestígio do antigo modo de vida do povo de Israel, que habitava em tendas. Foi assinalado que, mesmo hoje em dia, as tribos beduínas constróem uma tenda especial para o noivo e a noiva.
Alguns estudiosos consideram a chupá um símbolo da coroa de louros usada pelo noivo e pela noiva durante a cerimônia do casamento nos tempos talmúdicos. O significado original da palavra chupá é “cobrir com coroas”.
Outras autoridades acreditam que a chupá é um lembrete do quarto que existia antigamente na casa do noivo, para onde a noiva era trazida ao final do período de noivado e onde o casal coabitava, consumando assim o casamento. Este aspecto da cerimônia, denominado yichud, era considerado essencial.
Durante a Idade Média, quando os casamentos eram efetuados na sinagoga, era costume erigir um tipo de chupá, que ainda se usa hoje em dia.

Por que os Dez Mandamentos não estão incluídos no livro de orações?
Na época do Segundo Templo, depois que os sacerdotes ofereciam o sacrifício matutino (inclusive no Shabat), eles se dirigiam para a área do Templo conhecida como a Sala das Pedras Talhadas. Lá, eles participavam de um serviço de orações, do qual fazia parte a leitura dos Dez Mandamentos.
Quando as orações do Templo foram incorporadas ao serviço da sinagoga (que acabou substituindo o Templo como instituição central da vida judaica), a recitação dos Dez Mandamentos foi omitida porque determinadas seitas (os samaritanos, em particular) enfatizavam em demasia a sua importância, reclamando que os Dez Mandamentos tinham sido dados a Moisés no Monte Sinai mas o resto da Torá não. Para não dar crédito a esta crença, nos tempos talmúdicos (Berachot 12a), os Dez Mandamentos passaram a não mais serem incluídos no livro de orações. Apesar disto, algumas congregações continuaram recitando-os.

Por que se fazem furos nas matsót?
São feitas perfurações imediatamente antes que a massa esticada seja posta dentro do forno. Elas permitem que o ar escape, retardando assim a fermentação. As perfurações também evitam que a massa suba ou fique inchada enquanto é cozinhada.
Nos tempos antigos, costumava-se fazer perfurações com desenhos artísticos, o que foi mais tarde proibido, porque isto demorava muito tempo, o que aumentava as chances de fermentação. Conforme a lei, o processo inteiro, desde o amassar até o cozinhar, deve ser feito em no máximo dezoito minutos, período durante o qual não chega a acontecer a fermentação. Atualmente, as matsót feitas à mão são perfuradas rapidamente com uma rodinha (denominado reidel). A máquina de fabricar matsót tem um perfurador automático que traça linhas separadas a cada meio centímetro.

Prefácio

Introdução Geral

I

Ao longo dos anos, têm surgido diversos livros descrevendo a vida judaica – suas leis, seus costumes e suas cerimônias. A maioria se dedica a uma exposição de regras de conduta, mas poucos, se é que algum deles, dedicam-se a explicar o porquê de certas leis, costumes e cerimônias.
O Livro Judaico dos Porquês não aconselha aos judeus como devem conduzir suas vidas. Ele não é um livro de Halachá – de lei judaica. Os estudiosos, rabinos e associações religiosas ortodoxas, conservadoras e reformistas já esclareceram seus pontos de vista. Este livro tem como único intuito explicar o raciocínio existente por trás dos costumes seguidos.
Se os judeus vão até um córrego, rio ou à beira-mar na tarde do primeiro dia de Rosh Hashaná para atirar migalhas de pão na água – uma cerimônia denominada Tashlích – este livro não se preocupa em saber se este costume deve ser mantido ou não, mas simplesmente explica por que este costume é observado.
Se os judeus colocam pedrinhas sobre a lápide ao visitar um cemitério ou viram um espelho contra a parede nos lares enlutados – este livro não faz um juízo do valor do costume. Ele só explica por que este costume é seguido.
Se o noivo quebra um copo no casamento e a noiva, sob o dossel, dá três ou sete voltas em torno do noivo, este livro não avalia o mérito deste costume. Ele apenas explica por que o costume evoluiu e discute qual o seu possível significado.
É desnecessário dizer que o número de perguntas que poderia ter sido incluído neste livro é ilimitado e só foram abordadas aquelas consideradas importantes para o leigo. Para o leitor interessado em se aprofundar no tema, uma bibliografia foi incluída.

*   *   *

Para se entender por que, é importante primeiro entender como, quando e onde. Como, quando e onde todas essas leis e costumes judaicos se desenvolveram?
Se um judeu da geração de Moisés, Salomão ou Judá, o Macabeu estivesse vivo hoje, ele ficaria bastante confuso ao observar nossa conduta religiosa. Ele olharia para o talit (xale de orações) ou a kipá (solidéu) que usamos e perguntaria: “Por que judeus usam isto? Para que serve?” Ele notaria o gartl (cinto) e o shtreiml (chapéu de pêlo) usado pelo chassid e ficaria intrigado com estes ítens de vestuário.
Se um de nossos ancestrais bíblicos se juntasse a nós em um Sêder, ele ficaria “pensando com seus botões” sobre os tipos de comida servidos. Ele conhece a Bíblia e ela só fala do cordeiro de Pêssach e da Matsá, que os judeus do Egito comeram durante aqueles últimos dias agitados da escravidão. Ele também se perguntaria de onde surgiram as narrativas e canções da Hagadá.
Um judeu daqueles dias antigos também ficaria pasmo com a nossa observância do Shabat e certamente indagaria porque há tantos “faça” e “não faça”. Ele ficaria surpreso vendo alguns judeus observarem os feriados por períodos mais longos do que outros e por o Shofar não ser tocado no Shabat, como se costumava fazer nos tempos bíblicos.
E se ele pensasse em Israel Isserlein (1390-1460), o talmudista alemão do século XV que, segundo seus estudantes, vestia um geriffete, uma capa forrada de pele com uma gola franzida, semelhante às vestimentas das mulheres daquela época, ele ficaria ainda mais confuso. E se visse os judeus modernos nas ruas de Jerusalém ou Tel aviv usando iarmulkes (solidéus), presos nas suas cabeças por grampos de mulher, ele levaria um susto. Por que, ele perguntaria, não estão observando o mandamento explícito do Deuteronômio 22:5: “Não haverá traje de homem na mulher, e não usará o homem vestido de mulher, porque abominável é ao Eterno, teu Deus, todo aquele que faz isso.”
Para entender a observância judaica contemporânea, nosso visitante do passado teria de aprender que as leis da Bíblia, embora sejam as principais e fundamentais, não são a única fonte dos costumes judaicos. A lei judaica nunca foi estática; ela continuou mudando e crescendo em cada geração. Enquanto, por um lado, sempre tenha sido considerada obrigatória a fidelidade estrita às prescrições bíblicas e talmúdicas, as autoridades rabínicas também têm demonstrado estar cientes da influência dos costumes locais na formação da conduta judaica.
O Talmud (Baba Metsia 86b) enfatiza este ponto: “Quando você chegar a uma cidade, siga seus costumes pois, quando Moisés foi ao céu, se absteve de comer por quarenta dias e quarenta noites. E quando os anjos desceram para visitar Abraão, eles participaram de sua refeição, cada um se submetendo ao costume local.”
Se um costume (min’hag) se choca com alguma lei estabelecida (Halachá), o costume frequentemente recebe prioridade (Soferim 14:18).

Sobre o autor

Alfred J. Kolatch, formado pelo Seminário para Professores e pela Faculdade de Ciências Humanas da Yeshiva University, foi ordenado rabino pelo Jewish Theological Seminary of America, recebendo em seguida o título de Doutor Honoris Causa em Teologia. De 1941 a 1948 exerceu a função de rabino nas congregações de Columbia, Carolina do Sul, Kew Gardens e Nova York e como rabino do exército dos Estados Unidos. Em 1948, fundou a Jonathan David Publishers, onde ocupa o cargo de diretor-presidente.

O Rabino Kolatch é autor de mais de doze livros.

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