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  • Judaísmo para o século 21

Judaísmo para o século 21

Autor: Aryeh Carmell
Editora: Sêfer
SKU: 3663
Páginas: 366
Avaliação geral:

Apresenta os mandamentos da Torá como um sistema dinâmico e abrangente destinado a aprimorar o homem, estabelecer uma sociedade justa e fraterna, onde o altruísmo prevaleça sobre o egoísmo, e que seja um modelo para toda a humanidade. É a resposta do judaísmo aos grandes desafios da vida moderna, tais como crescimento intelectual, moral e espiritual, relacionamento familiar, preservação do meio ambiente e a revolução tecnológica.

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Descrição

Mostra que os mandamentos da Torá formam um sistema dinâmico e abrangente destinado a aprimorar o homem, estabelecer uma sociedade justa e fraterna, onde o altruísmo prevaleça sobre o egoísmo, e que seja um modelo para toda a humanidade.
Nós, que vivemos numa era conturbada, onde milhões de pessoas anseiam por uma direção a seguir, vamos descobrir neste livro como o judaísmo responde aos grandes desafios da vida moderna, tais como crescimento intelectual, moral e espiritual, relacionamento familiar, preservação do meio ambiente e a revolução tecnológica.

PROMOÇÃO ESPECIAL:
Mais Completo Guia sobre o Judaísmo e Judaísmo para o século 21

Índice e trechos

ÍNDICE

 

Prefácio à Edição Brasileira

Introdução

Primeiro Grupo - SER JUSTO COM O PRÓXIMO

1  A Sociedade Justa

2  Respeito pela Vida Humana

3  Respeito pelas Pessoas 

4  Protegendo os Direitos Humanos

5  Justiça nas Relações entre Patrão e Empregado

6  Respeito pela Propriedade Alheia

7  A Justiça na Transferência da Propriedade

8  Segurança no Ambiente em que Vivemos

9 Falar com Honestidade

10  Justiça para com os Fracos e Vulneráveis

11  Respeito pela Reputação Alheia

 

Segundo Grupo - SER JUSTO COM NOSSO AMBIENTE

12  Construindo Érets Israel

13  Respeito pelo Meio Ambiente

14  A Restrição de Usufruir dos Frutos de Uma Árvore

      Durante seus três Primeiros Anos de Vida

15   Respeito pela Ordem Divina do Planeta

16   Respeito pela Maternidade no Reino Animal

17   Respeito pelos Sentimentos e Instintos dos Animais

18   Respeito pelos Direitos do Homem após sua Morte

19   Respeito pela Própria Vida

20  Respeito pelo Próprio Corpo

21  Respeito pelas Próprias Palavras

22  Respeito pela Sexualidade Humana

23  Normas para a Conduta Sexual

24  A Função das Leis Dietéticas Judaicas

25  Seres Vivos que nos Servem de Alimento

26  A condição dos Animais

27  Shechitá

28  O que não é Permitido Ingerir

29  Lidando com a Poluição Moral

 

Terceiro Grupo - AMOR E CONSIDERAÇÃO PELO PRÓXIMO

30  Amor ao Próximo

31  Nossos Pais

32  Respeito à Idade e ao Saber

33  O Casamento Judaico

34  Paternidade e Educação

35  Evitando Perdas e Danos ao Nosso Semelhante

36  Apoiando as Necessidades do Próximo

37  Caridade e Boas Ações

38  Perdoando Faltas Cometidas contra Nós

39  Ensinar e Orientar

40  Obrigações para com a Comunidade

 

Quarto Grupo - ENRIQUECENDO NOSSO AMBIENTE

41  A Observância do Shabat

42  Iom Kipur e Rosh Hashaná

43  O Caráter das Festas Judaicas

44  Celebrando o Shabat e o Iom Tov

45  Chamêts em Pêssach

46  Matsá, Maror e a Hagadá

47  A Contagem do Ômer

48  O Toque do Shofar

49  Habitando a Sucá

50  As Quatro Espécies

51  Purim e Chanucá

52  Dias de Jejum

53  O Calendário Judaico

54  Circuncisão (Berit Milá)

55  Tefilín

56  A Lavagem Ritual das Mãos

57  Tsitsít

58  Cobrir a Cabeça

59  Mezuzá

60  Imersão de Utensílios no Micvê

61  Redenção dos Primogênitos

62  O Ano Sabático

63  Terumá, Maassêr e Chalá (Separações e Oferendas)

 

Quinto Grupo - NOSSA VIDA INTERIOR

64  O estudo da Torá

65  O Serviço Divino na Sinagoga

66  O Shemá

67  A Bênção dos Cohanim

68  Vínculo Primeiro

69  A Fonte das Nossas Obrigações

70  A Unicidade de Deus

71  Idolatria ? Ontem e Hoje

72  Reverência a Deus

73  Amor a Deus

74  Inspiração Eterna

75  Confiança Plena

76  Providência Divina e Atos dos Homens

77  Humildade

78  Ele os Chamou de ?Adão?

79  Santificando o Nome de Deus

80  O Objetivo do Nosso Empenho

Epílogo

Apêndice: A TORÁ ATRAVÉS DOS TEMPOS

Trechos

--> Que tal escutar um podcast sobre os 10 Mandamentos extraído do livro? Clique aqui. 

 

INTRODUÇÃO DO AUTOR

 O que o judaísmo significa para a maioria das pessoas? Noventa por cento delas acreditam resumir-se ao Shabat, às festas religiosas, aos serviços na sinagoga, às leis dietéticas (Cashrut), à circuncisão e aos rituais de luto.

Mas tudo isso não passa apenas de uma pequena parte de seu significado. O judaísmo é um sistema complexo que abrange todos os aspectos da vida: o indivíduo e a sociedade, modelos de comportamento, relacionamentos pessoais, casamento, vínculos entre patrão e empregado, regulamentações sobre impostos, integridade profissional, ética financeira, administração de um lar, de uma comunidade, de uma sociedade e de um Estado. Em outras palavras, o judaísmo engloba a arte de viver em todas as suas manifestações.

Cada aspecto é regido por um determinado grupo de leis. Mas o conteúdo da Torá como um todo busca claramente alcançar um objetivo maior. Neste momento, sintetizaremos provisoriamente tal objetivo como a construção de uma sociedade justa, inspirada pela visão do homem criado à semelhança de Deus.

 

Os Seus caminhos são agradáveis e todas as Suas veredas são de paz - isto é toda a Torá. (Talmud)

As leis dietéticas judaicas foram criadas para refinar o homem. (Midrash)

Os mandamentos da Torá são... meios de assegurar compaixão, bondade e paz no mundo. (Maimônides)

 

Mas a Torá não para por aí. A ideia é estabelecer uma sociedade-modelo que o mundo queira imitar, fazendo chegar, assim, os benefícios de uma vida segundo seus ensinamentos à maior porcentagem possível da humanidade. Sempre que menciona as obrigações especiais dos judeus, a Torá não deixa de enfatizar sua mensagem universal:

 

 ... porque toda a terra é Minha... E vós sereis para Mim um reino de sacerdotes e um povo santo. (Êxodo 19:5-6)

Eu fiz de ti o povo do pacto, uma luz para as nações. (Isaias 42:6)

 ...e serão benditas em ti (= através de ti) todas as famílias da terra. (Gênesis 12:3)

 

É fato que, como escreveu um historiador não judeu, "[os judeus] sempre souberam que a sociedade judaica foi designada para servir de projeto-piloto para toda a humanidade." E é dentro deste contexto que podemos começar a entender o significado dos mandamentos da Torá e o abrangente programa de vida que eles incorporam.

 

O Conceito de Mitsvá

Mitsvá (Mitsvót, no plural) significa "mandamento". No mundo ocidental, não estamos familiarizados com a ideia de fazer algo por ser um mandamento. Nos comportamos segundo valores morais - isto é, quando o fazemos - porque estamos habituados a um sistema de normas que a sociedade nos condicionou a ver como o modo correto de agir. Se confrontados, não nos será nada fácil defendermos este sistema. Não é um sistema sólido, confiável, porque fundamenta-se em conceitos vagos, sem uma base formal ou racional. Não há melhor exemplo para ilustrar sua fragilidade do que a experiência nazista. Durante um certo número de anos, vimos uma nação que se orgulhava de seu elevado nível cultural perverter sua moralidade a ponto de causar os mais desastrosos resultados. 

Ao longo da história, grandes pensadores como Platão, Spinoza, Kant e Marx produziram esplêndidos modelos éticos, sugerindo que deveríamos refrear nosso egoísmo das mais diversas maneiras em prol do bem geral. Quando testados pela realidade, estes modelos fracassaram de modo abismal. Primeiro, porque não tinham uma base confiável. Segundo, porque simplesmente ignoraram a realidade nua e crua da natureza humana. Não continham um programa de vida detalhado, voltado para o crescimento de indivíduos motivados a atuar em prol de ideais maiores, ideais que suplantavam seus interesses pessoais.

Estas falhas fundamentais não existem no sistema judaico de Mitsvót.

O conceito de "Mitsvá" introduz uma força motriz única em nossas vidas: agimos de determinada maneira não por imaginarmos que seja a maneira certa, mas porque aceitamos e reconhecemos que é o que Deus espera de nós. Isto, por si só, redimensiona nossas vidas. Revoluciona as atitudes que tomamos em relação a nós mesmos, ao mundo e aos que nos rodeiam.1  

As Mitsvót exercem sua influência em vários níveis e atuam como guia geral de princípios. Provêm instruções detalhadas e específicas para o relacionamento entre o homem e seu semelhante e entre o homem e seu Criador - a realidade espiritual que está além de nós. Ela inclui uma série de diferentes atos simbólicos destinados a reestruturar nossa personalidade, tanto em nível consciente quanto inconsciente.

 

À Imagem de Deus

É possível sentirmos uma dimensão maior em nossas vidas porque fomos criados "à imagem de Deus". O que isto significa? Que o livre-arbítrio que Deus nos outorgou permite transformarmos nosso egoísmo em altruísmo; permite revertermos nosso desejo de receber em anseio por doar. Assim, seremos como uma bênção para as pessoas que fazem parte de nossas vidas cotidianas. É justamente na capacidade de dar que reside nossa semelhança com o Criador, pois Ele é o Doador por excelência.

Chega a ser patético vermos "liberais" e humanistas tentando resolver os problemas da humanidade em bases ateístas. A grande ilusão do século 20 foi a ideia generalizada de que todos os problemas do homem podiam ser solucionados engendrando-se algum tipo de sistema político ou social que, grandioso, supostamente contivesse todas as respostas. O que não se levou em conta, porém, foram os profundos mistérios da personalidade humana.

O mais longo experimento desse tipo, a doutrina marxista-leninista, revelou-se um fracasso de proporções colossais. A ideologia ateísta tiranizou mentes e aniquilou vidas, submetendo populações à mais rude opressão e terror durante a maior parte do século 20, deixando patente o fato de ter sido um erro desde o início. Roubou dos homens sua liberdade, seus valores e dignidade e, ironicamente, falhou em provê-los até mesmo do mínimo necessário para sua subsistência. Seres humanos não são engrenagens de uma máquina.

 

Momento Decisivo  

O mundo ocidental, sob a liderança dos Estados Unidos, tomou o caminho oposto. O individualismo desmedido que resulta num alto padrão de vida para a maioria da população faz, ao mesmo tempo, com que seja cada vez mais difícil desfrutar da afluência com razoável segurança. Quando o liberalismo é levado ao extremo e "cada um faz o que é certo aos seus olhos", a dignidade e os valores humanos são inevitavelmente sacrificados e a liberdade individual fica, na verdade, diminuída. O que este modelo de sociedade tem em comum com os citados acima é a fanfarronice, também aqui alicerçada em ideais supostamente elevados, mas totalmente impossíveis de serem realizados - pelo simples fato de ignorarem as reais necessidades do ser humano. Quando o pluralismo atinge um ponto no qual já não existem parâmetros definindo o "certo" e o "errado|", uma sociedade estável torna-se inviável. Ou, como salientou Lord Justice Devlin, "Se homens e mulheres tentarem criar uma sociedade onde não exista um entendimento fundamental sobre o bem e o mal, eles falharão." Onde não há consenso sobre valores elevados, fatores como drogas, crime e poluição se proliferam em proporções intoleráveis.

Este quadro nos leva a crer que as filosofias ateístas liberais que dominam o pensamento ocidental também pedem revisões drásticas. Elas provaram ser tão destrutivas quanto o marxismo-leninismo.

Por outro lado, podemos notar uma certa abertura; um certo desejo de reavaliar alternativas que, em outro tempo, foram sumariamente rejeitadas.

Estamos num ponto decisivo da história humana. Talvez seja este o momento oportuno para considerarmos o que o conceito de Mitsvá tem a oferecer ao espírito indagador do homem - principalmente ao espírito do homem judeu.

 

A Mesma Ressonância, Milênio Após Milênio

Este livro baseia-se na premissa de que a Torá, apesar de ter sido outorgada há milhares de anos, guarda intacta sua relevância até os dias de hoje.

É verdade que ela chega a nós trajando as vestes do segundo milênio antes da Era Comum. Algumas de suas passagens envolvem gado e asnos, arados e mós. A Torá relata costumes e convenções pertencentes a um mundo remoto. Mas quem se dispuser a observar seu conteúdo além do aspecto mais aparente verá que ela é tão relevante hoje quanto há mais de três mil anos. Seus princípios e prescrições, quando traduzidos na linguagem conceptual de nossos dias, podem ser aplicados com sucesso a todas as questões humanas e sociedades contemporâneas. A razão disto é que a Torá está menos preocupada com os aspectos superficiais da vida do que com o relacionamento entre os homens e entre os homens e Deus. Acima de tudo, ela se preocupa com a tênue conexão entre as esferas do humano e do Divino, do consciente e do inconsciente. E, por ser a cultura que, de forma direta ou não, deu origem às ideias liberais que modelam a sociedade moderna, o judaísmo foi capaz de transcender a esta sociedade e alcançar uma perspectiva mais elevada e sublime.

É a isto que nos referimos quando afirmamos que a Torá é eterna. É o que queremos dizer quando falamos de sua origem Divina. A Torá nos foi outorgada por uma fonte espiritual totalmente impossível de ser comparada à mais elevada das mentes humanas. Ela veio do Criador desta mente.

Quando pensamos no mundo de três milênios atrás e naquele que habitamos hoje, não há dúvida de que é como se estivéssemos vivendo em outro planeta. Imaginar que pessoas daquele mundo pudessem juntar algumas histórias e arquitetar algumas leis e princípios que manteriam sua relevância ao longo dos milênios, falando tão clara e diretamente a nós, hoje, é simplesmente inconcebível. Estamos certos, portanto, em não acreditar nesta possibilidade e em termos assegurada nossa crença na verdade de que a Torá deriva sua força e seu poder de uma fonte infinitamente superior - Deus.

 

O Sistema das Mitsvót

Tradicionalmente, a Torá compreende 613 Mitsvót (mandamentos), somando-se os preceitos positivos e negativos. Em diversas ocasiões, afirma que compõem um conjunto coerente, mas isto não transparece de imediato na Torá Escrita.

No decorrer da História, foram feitas tentativas variadas para classificar as Mitsvót de um modo ou de outro. Na Mishná - a compilação da Torá Oral liderada por rabi Iehudá Hanassí no segundo século da Era Comum - o conjunto das Mitsvót foi agrupado em seis categorias ou Ordens (Sedarím), com sessenta subdivisões, ou Tratados. Estes Tratados foram arranjados segundo os assuntos sobre os quais versam. Temos então uma Ordem que especifica as leis pertinentes à agricultura na Terra de Israel, uma que trata das leis do Shabat e festas judaicas, outra que detalha a legislação civil e assim por diante. O Talmud obedece a esta classificação.

Cerca de mil anos depois, Maimônides elaborou uma divisão da Torá Oral em catorze grupos principais. Alguns séculos mais tarde, o rabino Jacob ben Asher (conhecido como o autor do Tur) restringiu a apresentação das Mitsvót ao que conhecemos hoje - excluindo as leis relativas ao serviço no Templo e tópicos afins. Reduziu os principais grupos a quatro, dos quais o primeiro (Modo de Vida, ou Ôrach Chayim), orienta o judeu do momento em que desperta pela manhã até a hora em que se deita para dormir, trata do ano judaico do primeiro ao último mês, do Shabat e das festas, celebrações e momentos de luto. Os outros três grupos compreendem as leis dietéticas judaicas e outras regulamentações, a lei civil judaica e as leis de matrimônio.

Hoje em dia, seguimos os princípios da classificação inovadora do rabino Samson Raphael Hirsch em seu livro Horeb, onde os Mandamentos são agrupados de acordo com sua função:

 

Primeiro Grupo -  Ser justo com o próximo

Mandamentos que formam a base da legislação social.

Segundo Grupo - Ser justo com o nosso ambiente

Mandamentos que regulamentam o uso e desfrute do meio ambiente.

Terceiro Grupo - Amor e consideração pelos outros

Mandamentos que promovem nossa conscientização sobre as  necessidades das outras pessoas.

Quarto Grupo - Enriquecendo o meio ambiente

Mandamentos que têm por objetivo preencher o mundo que nos rodeia com atividades Divinamente orientadas.

Quinto Grupo - Nossa vida interior

Mandamentos direcionadas ao coração e à mente, expressando nosso relacionamento com Deus.

       

Neste estágio preliminar, já se nota um modelo que emerge da própria classificação. Os primeiros dois grupos tratam dos relacionamentos, primeiro com outros seres humanos e depois com o meio ambiente. O terceiro grupo objetiva elevar as relações entre os seres humanos alicerçadas exclusivamente na justiça a um outro nível, permeado pelo amor e pela consideração. O quarto grupo busca assegurar que estas relações afetarão o ambiente ao redor de modo a elevar seu teor espiritual. Finalmente, o quinto grupo compreende as qualidades espirituais que sublinham todas as Mitsvót e que, de certo modo, deixam ver sua totalidade, delineando suas metas.2

Um dos objetivos deste livro é mostrar de que modo os diferentes tipos de Mitsvót (Mandamentos) são interdependentes e de como, em conjunto, elas implicam um plano cuja meta final emergirá das explicações sugeridas ao longo do texto. O epílogo tentará sintetizar todo o conjunto de ideias exposto no livro e, se possível, prover, assim, uma certa compreensão sobre tão profundo tema.

 

Sobre o Rabino Samson Raphael Hirsch

Mencionamos que, a princípio, estaremos seguindo a classificação das Mitsvót elaborada pelo rabino Samson Raphael Hirsch. Na maioria dos casos, seguiremos o modo como o rabino as apresenta e interpreta. Fazemos isto por acreditar que sua voz, acima de todas as outras, é a que mais se identifica com a época em que vivemos.

Quem foi o rabino Samson Raphael Hirsch? Quando a Emancipação na Europa começou a oferecer aos judeus uma porta de entrada para a vida social, intelectual e econômica local nos primórdios do século 19, judeus e judias até então limitados pelas fronteiras do gueto viram-se frente a uma experiência inebriante. O judaísmo tradicional, com suas restrições, passou a ser encarado por muitos como um impedimento ao progresso. Parecia-lhes sombrio e inerte, algo que pertencia ao gueto que haviam deixado para trás.

O jovem Samson Raphael Hirsch, nascido em Hamburgo em 1808, sabia que eles estavam cometendo um terrível engano. Ele percebeu que a Torá era um programa de vida que continha ideais mais elevados e profundos que os do mundo ocidental. Longe de impedir o progresso, ela seria a vanguarda do progresso para toda a humanidade. Longe de ser ultrapassada, compreenderia em seus mandamentos símbolos que reafirmariam as mais potentes ideias jamais apresentadas ao homem. O povo de Israel constituiria o instrumento selecionado por meio do qual estes ideais poderiam ser materializados.

Ainda jovem, Hirsch começou a compartilhar esta visão da Torá com seus colegas. Foi bem-sucedido em inspirar um significativo número de jovens a cumprirem todas as Mitsvót, ao mesmo tempo em que participavam integralmente da emancipada sociedade alemã do século 19. Hirsch fundou ainda um movimento que floresce até hoje em várias partes do mundo, principalmente nos EUA.

Sua primeira obra de peso foi o Horeb, endereçada "aos jovens pensadores judeus e judias" de seu tempo. Este nosso livro baseia-se amplamente na apresentação que o rabino Hirsch fez em Horeb sobre os diversos significados e objetivos da vida judaica.

 

O Simbolismo da Torá

O leitor constatará aqui que o simbolismo tem um papel preponderante na compreensão das Mitsvót. No segundo grupo - ser justo com o nosso meio ambiente - muitas Mitsvót foram brilhantemente iluminadas por tal enfoque, pelo qual somos eternamente gratos ao gênio do rabino Hirsch. O quarto grupo - Enriquecendo do meio ambiente - compreende Mitsvót expressamente descritas na Torá de maneira simbólica, estando estes símbolos presentes em outras passagens do Pentateuco.

Não nos deve surpreender o fato da Torá fazer uso extensivo da simbologia. O homem é chamado de "animal que usa símbolos". Nossas vidas são governadas por símbolos, de apertos de mão às luzes dos semáforos. Psicólogos modernos descobriram que os símbolos retêm seu significado na mente humana por longos períodos de tempo. Visto que a mensagem da Torá foi concebida para projetar-se ao longo dos milênios, este uso extenso de símbolos é totalmente coerente.

A presença marcante de símbolos na Torá deve-se também ao fato deles nos influenciarem nos mais profundos níveis. Símbolos não são limitados pelo tempo; eles reverberam pelos corredores da mente com infinitas gradações de significado. Mesmo quando não estamos conscientes de seus significados, eles tem um impacto sobre nosso inconsciente, incorporando-se à fonte das nossas ações.

 

Cabalá

Seguimos a orientação do rabino Hirsch e omitimos as referências às interpretações cabalísticas (místicas). Na verdade, algumas explicações da simbologia das Mitsvót têm seu paralelo no Zôhar e em outras obras místicas. Isto também não surpreende quando lembramos que a Cabalá é, essencialmente, uma explicação do inconsciente, em especial das camadas não egoístas da psique humana.3

 

O Aspecto Racional das Mitsvót

Em Horeb, Hirsch geralmente apresenta suas interpretações das Mitsvót como se elas estabelecessem fatos, embora sejam, na verdade, originais e inovadoras. Isto se deve à sua metodologia única, privilegiada.

Alguns comentaristas da Torá tentam fazer suposições sobre o quê cada Mitsvá realmente representa, apoiando-se quase sempre em alguma ideia própria, procedendo então a "anexar" esta ideia à Mitsvá em questão. Se determinados detalhes haláchicos (legais) da Mitsvá não condizem com sua explicação, eles tendem a ignorar este aspecto ou tentam dar-lhe algum tipo de justificativa. Hirsch se opunha veementemente a este método. Ele acreditava que cada Mitsvá deveria ser primordialmente analisada sob todos os seus aspectos haláchicos e que seus respectivos significados viriam da análise dos dados obtidos. Este é o método adotado pela ciência, onde a teoria deve ser consistente aos fatos. Aqui, substituímos os aspectos legais da Halachá pelos fatos físicos da ciência. Hirsch chamou a isto "compreender a Torá a partir de suas próprias origens". Fontes do Midrash e Agadá são importantes elementos de pesquisa, pois eles fornecem indicações sobre como o propósito ou função de uma Mitsvá era entendido pelos Sábios da Torá.

Um caso a analisar é a proibição da Torá de trabalhar no Shabat. Tomado superficialmente, o motivo parece ser um mero desejo de estabelecer o Shabat (sábado) como um dia semanal de descanso. Mas nem todos os detalhes haláchicos do Shabat concordam com esta suposição. Sabemos que um enorme esforço físico em certas situações não é necessariamente uma violação do Shabat. Os princípios que definem os tipos de atividades que violam a santidade do Shabat parecem não estar de modo algum relacionados a esforços físicos. Que critérios foram utilizados? Não é tão óbvio como pode parecer.

Pensadores pouco profundos não se detiveram nesta questão. Hirsch, por sua vez, recusou-se a ignorá-la. Por meio de sua análise brilhante, ele deduziu princípios a partir de dados haláchicos e elaborou uma original interpretação que torna compreensível os intrincados detalhes das leis do Shabat. (Veja capítulo 41)

Não obstante, precisamos estar atentos para o fato de algumas explicações serem meras teorias em algumas instâncias e devem ser tomadas como tais. Além disso, a algumas Mitsvót foram dadas várias explicações, mas neste livro seguimos o modelo do rabino Hirsch, que oferece não mais de uma única explicação para cada Mitsvá.

Vale ressaltar ainda que os judeus leais à Torá jamais vincularam o cumprimento das Mitsvót à compreensão do racional por trás delas. A Torá espera do judeu que aceite as Mitsvót como mandamentos Divinos. As explicações têm como função aprofundar nossa compreensão das Mitsvót, mas não o propósito de justificá-las. Ainda que não encontremos alguma explicação, temos fé em Deus e na sabedoria dos nossos Sábios de que uma explicação e esperamos um dia ter o privilégio de conhecê-la.

 

Por Que as Mitsvót são Complexas?

A pergunta que não quer calar. 

Ela nos faz lembrar a questão do famoso físico, Professor Freeman Dyson, em relação à molécula de DNA e outros mecanismos vivos de igual complexidade: "Por que a vida é tão complicada?". Tendo em vista a variedade e complexidade das várias partículas e forças, ele poderia ter perguntado: ?Porque a matéria é tão complicada??.

O fato é que nós vivemos num mundo extremamente complexo e que nós próprios - mesmo que num nível estritamente material - somos seres extremamente complexos. O cérebro humano contém mais que dez bilhões de neurônios (10.000.000.000!) em constante interação. Nosso cérebro é a estrutura mais complexa de que se tem conhecimento em todo o universo. Fomos privilegiados com este instrumento porque nós, seres pensantes, temos de nos confrontar com missões complexas em nossa interação com o ambiente, o que inclui interagir com outras pessoas e com o próprio Deus, a Fonte de todo ser. No capítulo 64/5, onde é discutida a Mitsvá do estudo da Torá, sugerimos uma razão adicional para esta complexidade.

 

A Natureza deste Livro

Temos sido indagados: "Este livro é uma nova tradução do livro Horeb do rabino Samson Raphael Hirsch, ou é uma obra original?".  

Nossa resposta é que ele não é nem uma coisa e nem outra. Certamente, não se trata de uma nova tradução de Horeb, como qualquer pessoa familiarizada com aquele trabalho notará de imediato. Tampouco é uma obra original, pois se baseia extensivamente, tanto em estrutura quando em conteúdo, na obra pioneira do rabino Hirsch. Entretanto, contém uma boa dose de material original, como certamente mostrará um exame das fontes que mencionamos. Mas, como dissemos acima, a divisão das Mitsvót em grupos e sua alocação dentro destes grupos, assim como as tentativas de compreender seus significados, são baseadas em muito no Horeb, e suplementadas pelos escritos posteriores do rabino Hirsch.

A grandiosa obra de Hirsch, que causou tamanho impacto em sua geração, foi escrita há 150 anos. Ela falava ao espírito de seu tempo. Mas o que realmente precisamos é de um Hirsch que fale ao espírito do nosso século. Tentamos então imaginar o que ele teria dito, se tivesse escrito sua obra agora e não em 1837. Além de alterar a ordem das sessões, fizemos algumas mudanças que certamente enfureceriam leais hirschinianos. Nosso propósito não seria apresentar Hirsch, mas apresentar a Torá à geração presente ? uma meta que, estamos certos, teria sido ratificada pelo próprio rabino Hirsch.

Na maior parte dos casos, mantivemos suas ideias originais. Mas, onde apropriado, adaptamos e rescrevemos o texto original, adaptando-o a ideias transportadas de outras fontes. Acima de tudo, usamos uma linguagem abreviada. Este livro tem aproximadamente metade do número de páginas do Horeb.

A maioria dos capítulos contém uma sessão dedicada à Halachá. A Halachá compreende os detalhes práticos de uma Mitsvá, como registrado na Mishná e no Talmud (a Lei Oral) e estabelecido pelas autoridades rabínicas desde seus primórdios até nossos dias. (Veja "A Torá através dos Tempos", no Apêndice).

Em Horeb, Hirsch incluiu um considerável volume de material Haláchico. No presente volume, este material foi drasticamente condensado. Os jovens leitores de Hirsch sabiam pouco ou nenhum hebraico e, naquele tempo, não havia praticamente material Haláchico algum em alemão. À parte suas outras funções relevantes, o Horeb foi de fato usado por um longo período como um livro básico de Halachá. Hoje, no entanto, temos à nossa disposição vasto material Haláchico em inúmeros idiomas.

Concentramo-nos portanto em nosso principal objetivo - a apresentação da Torá como um sistema coerente e significativo. Todas as fontes foram citadas de maneira a não interromperem a continuidade do texto.

Utilizamos a excelente tradução do Horeb para o inglês feita por nosso saudoso Daián (juiz), o Dr. Isidore Grunfeld (publicada pela Soncino Press) e agradecemos sua inestimável ajuda. Não obstante, o original alemão foi também consultado. Na maior parte das vezes, as ideias de Hirsch foram apresentadas com as palavras deste autor. Em alguns casos, vimos por bem empregar as palavras do próprio Dr. I. Grunfeld. Pequenas modificações estão registradas em como ntas de rodapé.

Fizemos ainda algo que Hirsch não fez. Onde julgamos apropriado, adicionamos histórias, episódios e parábolas para ilustrar alguns aspectos da Mitsvá em questão. Esperamos que isto seja uma luz adicional sobre as aplicações práticas dos princípios por trás das Mitsvót.

 

Desafios Contemporâneos

Levamos em conta também mudanças produzidas pela existência de um Estado judeu, onde reside hoje aproximadamente um terço do nosso povo. Isto representa um desafio em diversos níveis, inclusive em relação à própria legislação da Torá. A visão abrangente da Torá, de uma sociedade justa e caritativa como modelo para as nações, tornou-se extremamente relevante, um fato ao qual conferimos a devida proeminência. Na verdade, é exatamente esta consideração que nos levou a colocar a legislação social da Torá e a preocupação com o meio ambiente no início do livro.

Outro desafio contemporâneo que este livro tem como meta enfrentar é o fluxo crescente de milhares de judeus da extinta União Soviética para Israel ? judeus que por gerações a fio foram completamente alienados de qualquer forma de conhecimento judaico. Talvez seja um desafio ainda maior apresentar esta obra ao público israelense que, por diferentes motivos, infelizmente tem se distanciado das ideias da Torá, alimentando distorções a respeito do que, precisamente, é a Torá e quais são seus objetivos. Espero sinceramente que possamos iluminar o caminho dos que queiram conhecer um pouco mais sobre a verdadeira natureza e os objetivos da Torá e das Mitsvót. Por este motivo, as edições em hebraico e russo foram publicadas logo após a edição em inglês.

Rogamos a Deus, o Todo-Poderoso, que sejamos bem-sucedidos.

 

Jerusalém, 5751.

Rabino Aryeh Carmell    

 

NOTAS

1  Para Kant, a moral é gerada dentro da consciência humana e não pode ser imposta por um ser externo. Religião e moral, portanto, não andam juntas. A Torá, pelo contrário, foi adotada pela geração de judeus que, aos pés do Monte Sinai, se comprometeu a "fazer e ouvir" o que Deus lhe ordenasse - N. do T. (Condensada do original em inglês.)


2
 Na verdade, o rabino Hirsch dividiu as Mitsvót em seis categorias, na seguinte ordem:

1. TORÓT - Princípios fundamentais relacionados à preparação mental e espiritual para a vida.

2. EDÓT - Práticas simbólicas representando verdades básicas da vida judaica.

3. MISHPATIM - Declarações de justiça com relação aos seres humanos.

4. CHUKIM - Leis justas com relação a seres subordinados ao homem: a terra, plantas, animais, nosso próprio corpo, mente, espírito e o mundo.

5. MITSVÓT - Mandamentos para amar.

6. AVODÁ - Serviço Divino

As considerações feitas no início deste capítulo nos levam a colocar a legislação da Torá de como "Ser justo com o próximo" encabeçando este livro, seguida por como «Ser justo com nosso meio ambiente», outra preocupação importante dos nossos tempos. (Os ambientalistas poderão constatar facilmente que o conceito de cuidados com o meio ambiente da Torá é mais compreensivo que o deles!) Como explicamos no próprio texto, os Grupos 3 e 4 são elementos enriquecedores dos Grupos 1 e 2, respectivamente. Portanto, os primeiros quatro grupos formam um programa interligado e auto complementador. O Grupo 5, "Nossa vida interior", que compreende a fé, atitudes e traços de caráter preconizados pela Torá, foi deixado para o final porque suas metas espirituais são, na verdade, os objetivos e o produto final de uma vida de Torá. Mas, como indicamos na introdução do Grupo 5, eles não são estáticos. Eles formam o ímpeto por um compromisso com os padrões elevados representados pelos grupos 1 a 4.

 

3  Segundo o rabino Hirsch, os "mundos" da Cabalá são mundos interiores. Ele define a Cabalá como "visão e conceito interior" e não como mundos exteriores de sonhos. (N. do A.)

 

 

 

 

 

 

 

 

Prefácio

PREFÁCIO À EDIÇÃO BRASILEIRA

 

Em hebraico, a palavra “Mitsvá” pode ser traduzida como ordem Divina (da raiz “Tsav”). Contudo pode-se notar sua similaridade com a palavra “Tsavta”, que significa “juntos”, pois o cumprimento de uma Mitsvá, a prática dos mandamentos de Deus, nos une à vontade do Criador. É o canal que une o homem ao infinito.

Mitsvá é o caminho ensinado por Deus. Não uma especulação humana de como se aproximar Dele, mas uma revelação Divina da “escada” que nos leva em Sua direção.

Sendo assim, será que existe algum valor em pesquisar ou tentar entender o porquê das mitsvót? Poderá nosso intelecto limitado entender os motivos que estão por trás da vontade do Criador? Como entender o infinito? (Veja Maharal, Tiféret Israel, cap. 6 e 7).

Muitos afirmaram que o caminho ideal é cumprir as mitsvót como decretos do Rei Divino, subjugados à Sua palavra, sem questionar seus motivos, assim como nossos antepassados disseram no Sinai: “Faremos e ouviremos”. Depois de praticá-las incondicionalmente é possível, talvez, tentar entender alguns de seus segredos (Veja Ktav Sofer Al Hatora, Deuteronômio 7:12).

Aliás, a própria Torá não revelou os motivos das Mitsvót, com algumas exceções. O Rambam (Maimônides) cita a explicação do Talmud de que a Torá não revelou os motivos das Mitsvót para evitar o que ocorreu com o Rei Salomão, o mais sábio dos homens, que, ao analisar os motivos específicos de certas Mitsvót, julgou poder transgredi-las sem ser prejudicado por seu efeito negativo, mas acabou se corrompendo. (Veja Guia dos Perplexos 3,26; Sefer Mitsvót, Shoresh 5).

Por outro lado, o próprio Rambam sustenta ser necessário procurar explicações lógicas para as Mitsvót, dando sequência à ideia do Rabino Saadia Gaón, que defendia este caminho não somente em relação às leis de cunho social, que têm metas bastante óbvias, mas mesmo sobre aquelas mitsvót que, a princípio, têm seus motivos ocultos de nosso entendimento. Além destes, muitos outros, como Ramban (Nachmânides), Sefer Hachinuch, Rabino Iossef Albo e outros empenharam-se em procurar estas explicações de forma sistemática.

Contudo, devemos concluir – e estes grandes pensadores do nosso povo nos advertiram a respeito – que a finalidade de nossa procura (pelos motivos das mitsvót) é aproximá-las de nossos sentimentos. O Rabino Iehudá Halevi escreve no “O Cuzarí” (Diálogo 2:26; veja também Diálogo 3:7) que, por sua fraqueza espiritual, o homem que alcança algum entendimento do ato da mitsvá poderá cumpri-la com mais amor e afinco.

As Mitsvót têm também seu lado educativo. Nossos Sábios reafirmaram a importância de estudarmos as leis dos preceitos Divinos, mesmo daqueles que não podem ser aplicados (cumpridos) no presente: “Aquele que estuda as leis dos sacrifícios é como se os tivesse oferecido.” (Veja Tratado de Menachot 110a) Mas, além desta consideração, cada Mitsvá exerce influências psicológicas sobre o homem que a pratica, isto sem mencionar sua influência mística.

De modo geral, as Mitsvót freiam as tendências negativas do homem e educam-no para o amor e temor a Deus, mas cada uma delas possui símbolos e ênfases específicos que acabam moldando o caráter humano e colocando-o em sintonia com o Criador.

As Mitsvót são a janela por onde entram os raios de luz que iluminam uma forma de viver ideal, que incentivam o homem a galgar os degraus da perfeição espiritual. O Rabino Shimshon Raphael Hirsch dedica um livro inteiro à explicação do conceito de símbolos educativos contidos nas Mitsvót e seus detalhes.

Muitas vezes ouvimos explicações científicas para as Mitsvót, como razões médicas etc. Embora estes não sejam os motivos principais dos mandamentos – como afirmou o sábio, “A Torá não é um livro de remédios” – sem dúvida, seu cumprimento também garante uma vida mais sadia.

Sendo a Torá o “projeto” pelo qual Deus criou o mundo, uma vida baseada verdadeiramente nela e em suas Mitsvót é uma receita segura para uma vida melhor e mais feliz. Afinal este é o “manual de instrução do fabricante” para nossa vida. Por isso, muitas explicações e evidências das vantagens que podemos alcançar estão contidas na própria Mitsvá, como disseram nossos sábios: “Setenta faces tem a Torá” (Otiót deRabi Akiva).

Mas estaremos cometendo um erro grave ao afirmar que entendemos a maior parte ou o verdadeiro motivo de certa Mitsvá. As explicações são para nós, os que foram ordenados, não para Aquele que ordenou. Se não conseguirmos entender o mandamento ou explicar qualquer detalhe, de forma alguma ele perderá sua verdade Divina, e é nossa obrigação cumpri-lo. As explicações e “motivos” são formas de trazer a Mitsvá mais perto de nós, e não para desvendar a vontade do Criador, que está muito acima de nossa compreensão. Afinal, as Mitsvót são nossa conexão com o infinito. (Segundo a mística, a vontade profunda está acima da razão e a essência das Mitsvót não caberia em conteúdos lógicos.)

Além de todos os motivos que levaram os Rishonim e Acharonim a desvendar e explicar os segredos e mensagens contidos nos mandamentos, nossa geração traz em si um fator especial. Em nossos dias, temos o mérito de contar com cientistas e intelectuais que estão retornando para a Torá. De forma geral, a civilização ocidental foi educada de modo a valorizar mais o intelecto do que outras faculdades da alma. Para estes Baalê Teshuvá, a procura em nossas fontes de explicações racionais do comportamento religioso é a porta pela qual podem entrar num judaísmo que revela mundos muito mais profundos. (Veja Introdução ao livro Hamitsvót Vetaamehem, do Rabino A. Chil, Editora Keter, Jerusalém, 1991).

O Rabino Hirsch, que foi um líder trazido pela Divina Providência ao seio da cultura iluminista de sua época, traduziu e revelou a mensagem do judaísmo frente aos desafios da vida moderna. Ele extraiu das leis da Torá ideias de cunho sócio-econômico, educativo, comportamental etc., abrindo novos horizontes para sua própria geração e as que a seguiram.

O Rabino Aryeh Carmell – conhecido e consagrado mundialmente por seu trabalho na compilação dos escritos do Rabino Eliyáhu Dessler – sintetiza e simplifica neste livro a mensagem do Rabino Hirsch, tornando-a acessível a todos nós.

Aproveito este momento para expressar aqui a alegria de muitos em constatar que, pouco a pouco, um consistente conjunto literário de títulos judaicos religiosos em português está tomando corpo. Este caminho tem beneficiado muitos que buscam saciar sua sede – “não fome de pão nem sede de água, mas de ouvir a palavra de Hashem” (Amós 8:11).

 

Tishrê, 5764.

Rabino Raphael Shammah

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