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2º Livro Judaico dos Porquês

Autor: Alfred J. Kolatch
Editora: Sêfer
SKU: 3130
Páginas: 424
Avaliação geral:

Explora alguns dos temas do "Livro Judaico dos Porquês" com maior profundidade, oferecendo informações totalmente novas, e discute outros assuntos mais complexos, controvertidos e de maior alcance, como aborto, conversão, controle de natalidade, inseminação artificial, transplantes de órgãos, tabagismo, proselitismo, casamentos mistos, detalhes referentes à observância do Shabat e as relações entre judeus e cristãos.

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Disponibilidade: Imediata

Descrição

O 2º Livro Judaico dos Porquês não é uma mera continuação, mas sim uma consequência. No Livro Judaico dos Porquês, o Rabino Kolatch havia abordado centenas de questões fundamentais sobre vários aspectos do judaísmo. Alguns destes temas são aqui retomados, ora explorados em maior profundidade, ora comentados de forma mais extensa ou, ainda, enriquecidos por informações totalmente novas. De um modo geral, porém, este volume trata de assuntos mais complexos, mais polêmicos e mais abrangentes.

Entre as perguntas aqui respondidas encontram-se:

Por que a lei judaica permite o aborto em determinadas circunstâncias?

Por que a lei judaica reconhece a sinceridade como única base aceitável para a conversão?

Por que algumas autoridades rabínicas não aprovam o uso pela mulher de dispositivos para controle de natalidade?

Por que a inseminação artificial é objeto de controvérsia entre as autoridades rabínicas?

Por que os especialistas em lei judaica condenam os transplantes de coração?

Por que a acusação de que os judeus mataram Jesus não tem fundamento histórico?

“A resposta entusiástica que a publicação do Livro Judaico dos Porquês recebeu foi algo inesperado e bastante encorajador. A obra respondia a cerca de 500 perguntas, mas também provocava novas dúvidas... O 2º Livro Judaico dos Porquês explora alguns daqueles temas com maior profundidade, oferecendo informações totalmente novas, e discute outros assuntos mais complexos, controvertidos e de maior alcance, inclusive os pontos de vista dos eruditos em lei judaica perante questões como aborto, conversão, controle de natalidade, inseminação artificial, transplantes de órgãos, tabagismo, proselitismo, casamentos mistos, detalhes referentes à observância do Shabat e as relações entre judeus e cristãos, indicando inclusive como a lei se desenvolveu e como a mente rabínica funciona.”

Alfred J. Kolatch

Índice e trechos

ÍNDICE

Introdução Geral 
1. Quem é judeu? Quem é um bom judeu
2. Judaísmo e Cristianismo
3. Judeus em um mundo gentio 
4. Casamento, Casamentos Mistos e Conversão
5. Aspectos Pessoais
6. Morte e Agonia
7. Teologia e Oração 
8. Leis e Costumes
9. A Mulher Judia
10. Alimentos e Rituais
Notas
Bibliografia 

Prefácio

A resposta entusiástica que a publicação do Livro Judaico dos Porquês recebeu foi algo inesperado e bastante encorajador. A obra respondia a cerca de 500 perguntas, mas também provocava novas dúvidas, que são abordadas aqui.

O Livro Judaico dos Porquês trata de questões fundamentais sobre o Shabat e as festas judaicas; as leis alimentares, os costumes na sinagoga, e os diversos marcos na vida do indivíduo, como o nascimento, a circuncisão, o Bar e a Bat-Mitsvá, casamento e divórcio, morte e luto. Embora o 2º Livro Judaico dos Porquês aborde ocasionalmente os mesmos temas ou temas semelhantes, ele o faz para ampliar ou comentar as respostas, além de oferecer informações totalmente novas. De modo geral, ele lida com assuntos mais complexos, controvertidos e de maior alcance, inclusive os pontos de vista dos eruditos em lei judaica perante questões como aborto, conversão, controle de natalidade, inseminação artificial, transplantes de órgãos, tabagismo, proselitismo, casamentos mistos, viagens durante o Shabat e relações entre judeus e cristãos.

Uma vez que muitos dos assuntos em discussão neste volume envolvem os fundamentos da lei judaica, é importante indicar como a lei se desenvolveu e como a mente rabínica funciona.

LEIS PRIMÁRIAS E SECUNDÁRIAS

A Bíblia é a fonte básica de todas as leis, tradições e costumes judaicos. Embora em sua maior parte esteja voltada para a história dos primórdios do judaísmo e às proezas de seus heróis e heroínas, ela está preocupada em primeiro lugar com a relação entre o ser humano e Deus e também entre o ser humano e seu semelhante. A finalidade da Torá é ensinar ao ser humano como levar uma vida piedosa. Os preceitos (mitsvót) estabelecidos pela Torá são diretrizes que devem ser seguidos para que não nos afastemos do caminho que conduz até Deus.

O motivo para a existência de Israel, de acordo com a Bíblia, é demonstrar e provar a santidade de Deus. “Sereis santos, pois Eu, o Eterno teu Deus sou santo”(Levítico 19:2). Este é o leitmotif da Bíblia. A exortação a ser piedoso e imitar a Deus é um tema bíblico recorrente.

A santidade – ser um povo santo – é a essência da aliança estabelecida entre Deus e Abrahão (Gênesis 12:1-3), confirmada mais tarde no Monte Sinai (Êxodo 19:6 e seguintes) e reconfirmada no discurso final de Moisés aos filhos de Israel (Deuteronômio 29:9 e seguintes). Israel tornou-se, assim, o Povo Eleito por Deus.
Para que Israel cumprisse sua meta de ser o povo de Deus, era necessário que permanecesse fiel aos ensinamentos da Torá. Já que as determinações ou proibições da Bíblia nem sempre são suficientemente claras, específicas ou aplicáveis, os rabinos optaram por interpretá-las apresentando o que consideravam ser o verdadeiro significado do texto. Das obras que escreveram para explicar a Bíblia, o Talmud é, sem dúvida, a mais importante.

A primeira parte do Talmud, conhecida como Mishná, é composta pelos ensinamentos dos tanaím, ou seja, os mestres. Estes tanaím eram eruditos e sábios que viveram antes do ano 220 a.e.c. Na compilação da Mishná, Judá, o Príncipe (135-220), seu co-editor Natan e os demais redatores, selecionaram, avaliaram e editaram um grande número de opiniões sobre as leis que foram expressas através dos séculos nas academias de estudo, especialmente na Terra de Israel.

A segunda parte do Talmud, conhecida como Guemará, é um comentário da Mishná. Os sábios cujos pontos de vista foram expressos na Guemará são chamados amoraím, ou seja, “intérpretes” ou “porta-vozes”. Em sua maioria, viveram na Babilônia, onde foram fundadas as academias mais importantes depois da destruição do Segundo Templo e a contínua ocupação romana da Terra de Israel. A Guemará destes estudiosos da Babilônia foi editada e concluída por Ravina e Ashi e seus discípulos, por volta do ano 500 e.c. Junto com a Mishná, ela forma o Talmud da Babilônia.

Também surgiu um segundo Talmud, o israelense (ou de Jerusalém). A Mishná do Rabi Judá, o Príncipe, também forma o texto central desta obra. Contudo, a Guemará do Talmud da Terra de Israel consiste dos debates ocorridos entre os amoraím das academias israelenses. O nível destas academias que continuaram funcionando na Terra de Israel durante a ocupação romana dos primeiros séculos da era comum, porém, não era o mesmo daquelas na Babilônia, e o Talmud israelense goza, assim, de um prestígio menor do que o babilônico.

O Talmud da Terra de Israel, frequentemente chamado Ierushálmi, que significa “de Jerusalém”, tem somente um terço do tamanho do Talmud Babilônico, o qual é mais conhecido por Bavlí, isto é, “da Babilônia.” Note-se que somente nos séculos mais recentes é que os eruditos começaram a estudar o Ierushálmi.
O Talmud é enciclopédico. Em suas páginas encontram-se informações que abrangem quase todas as áreas de interesse humano, apresentadas para ajudar o judeu a entender suas responsabilidades legais e morais, tal como são proclamadas na Bíblia. Elas foram debatidas, comentadas e interpretadas pelos rabis e sábios durante cerca de mil anos – desde os tempos de Esdras, que viveu por volta de 450 a.e.c até o fim do século VI da era comum. A principal meta dos intérpretes da Bíblia é preservar a unidade do povo judeu e assegurar que este se manteria fiel ao Pacto, observando todas as leis (mitsvót) da Torá. Para os rabis do Talmud, isto significava que um sistema legal precisava ser estabelecido para permitir a Israel realizar sua missão de ser um povo santo, à semelhança Divina. Os judeus deveriam ser protegidos, portanto, das influências alheias que pudessem afastá-los de Deus.

As discussões e regulamentos dos rabinos nem sempre foram feitos por escrito, tal como os conhecemos hoje em dia. Uma vez que, segundo a tradição estabelecida, era proibido colocar formalmente por escrito qualquer coisa exceto a própria Torá, os argumentos e opiniões de nossos sábios passavam oralmente de pai para filho, de mestre para discípulo. Estes ensinamentos verbais ficaram conhecidos como a Lei Oral – para diferenciá-la da Bíblia, a Lei Escrita.

Na segunda metade do século IV e.c., ante o temor de que o vasto acúmulo de conhecimento que compunha a Lei Oral pudesse ser esquecido, a proibição foi suspensa e a Lei Oral foi finalmente colocada na forma escrita.

Sobre o autor

Alfred J. Kolatch, formado pelo Seminário para Professores e pela Faculdade de Ciências Humanas da Yeshiva University, foi ordenado rabino pelo Jewish Theological Seminary of America, recebendo em seguida o título de Doutor Honoris Causa em Teologia. De 1941 a 1948 exerceu a função de rabino nas congregações de Columbia, Carolina do Sul, Kew Gardens e Nova York e como rabino do exército dos Estados Unidos. Em 1948, fundou a Jonathan David Publishers, onde ocupa o cargo de diretor-presidente.

O Rabino Kolatch é autor de mais de doze livros.

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Por que os judeus são chamados de “Povo da Aliança"?

Um dos principais ensinamentos do judaísmo é o de que Deus selou um Pacto com o povo judeu. Em um acordo celebrado entre Deus e Abrahão, descrito em Gênesis 12:1-3, Deus disse: “E farei de ti uma grande nação, e te abençoarei, e engrandecerei teu nome... e serão benditas em ti todas as famílias da terra.”

Em Deuteronômio 29:9-15, Moisés ratifica a Aliança ao dirigir-se aos Filhos de Israel:

“Vós todos estais hoje presentes diante do Eterno, vosso Deus... para que entreis na Aliança... que o Eterno, teu Deus, faz hoje contigo, para que hoje te confirme para si por povo, e seja a ti por Deus, como te falou e como jurou a teus pais, a Abrahão, a Isaac e a Jacob. E não somente convosco eu faço esta Aliança... mas com aquele que, hoje, não está aqui conosco.”

Na tradição judaica, a Aliança é considerada como um laço permanente e indestrutível entre o passado e o presente. Todos os judeus estão incluídos porque todos procedem da “semente de Abrahão.” Desta forma, o povo judeu se transformou em semente sagrada (em hebraico, zéra códesh), o que o levou a ser chamado de “o Povo da Aliança.” Portanto, não importa se um indivíduo judeu é fiel observante da lei judaica; ao descender da semente de Abrahão, sua filiação ao povo judeu não pode ser negada.1

 

1.  Ver capítulo 3 para uma elaboração mais ampla do conceito de Povo Eleito.

 

Por que, de acordo com a lei judaica, só a mãe determina se os descendentes são judeus?

O Talmud4 declara que o filho nascido de pai gentio e mãe judia é judeu. O Rashi respalda este critério.

Em apoio a esta norma, de que a descendência materna - e não a paterna - é a que conta para determinar se o filho é judeu ou não, os rabinos citam Deuteronômio 7:4: “Porque (o idólatra) desviará teu filho da minha posse, e servirão a deuses estranhos...” Neste versículo, segundo os rabinos, as palavras “teu filho” se referem claramente ao filho de uma mãe judia e, portanto, deve-se presumir que, em todas as épocas e em todos os casos, uma criança será judia se for o fruto do ventre de uma mãe judia.5

Uma segunda razão é que a mãe pode ser facilmente identificada no momento do parto, enquanto a identidade do pai não é totalmente segura. Portanto, a lei judaica estabelece que, se a mãe é judia, então a criança é judia, condição esta que passará de geração em geração até o fim dos tempos.6

No século XV, o talmudista Rabi Salomão ben Simon Duran, da Argélia, afirmou categoricamente que o filho de uma mãe judia e um pai gentio é judeu para sempre. Um século mais tarde, esta opinião foi codificada como lei.7

 

5. Kidushin 68b.

6. O rabino Shaye J.D. Cohen, em Conservative Judaism, verão de 1983, Vol. 36, nº 4, sustenta que o princípio da descendência materna foi estabelecido nos tempos de Esdras, século V a.e.c.

7. Shulchan Arúch, Even Haezer 4:5, 19.

 

Por que o episódio de Judas tem tons marcadamente antissemitas?

Conforme o Evangelho segundo Mateus, Judas Iscariote, um dos discípulos de Jesus, apontou para os representantes da comunidade judaica que o procuravam “para prendê-lo com malícia... e matá-lo” (Mateus 26:4). Por esta traição, Judas foi recompensado com trinta peças de prata, as quais, mais tarde, ao arrepender-se de seu ato, entregou ao tesouro do Templo. Os sacerdotes do Templo utilizaram este dinheiro para comprar um lugar para enterrar Jesus. Alguns especialistas em Bíblia afirmam que o excessivo destaque que a teologia cristã concedeu ao incidente de Judas através dos séculos faria parte de um esforço consciente para atribuir aos judeus a responsabilidade pela morte de Jesus. O nome Judas soa tão parecido com judeus, que quando os cristãos condenaram a Judas como o traidor de Jesus, conseguiram o efeito de condenar os judeus por igual.

Na linguagem comum, Judas se integrou como sinônimo de traidor, avarento, e de alguém disposto a vender sua alma por dinheiro. Intencional ou não, quando alguém escuta o nome Judas, costuma associá-lo aos judeus.

 

Por que a lei judaica não considera que o dogma cristão da Trindade seja idólatra?

A crença cristã na Santíssima Trindade - o Pai, o Filho e o Espírito Santo - tem sido considerada pelos judeus de duas maneiras. Para alguns, como Maimônides (1135-1204), a adoração da Trindade é politeísmo. Ele qualificou os cristãos de pagãos e idólatras, de transgressores do preceito bíblico: “Não terás outros deuses diante de mim” (Êxodo 20:3). Maimônides, que nasceu na Espanha mas viveu a maior parte de sua vida em países dominados pelo Islã, considerou que só os judeus e os muçulmanos eram autênticos monoteístas.10

Outros eruditos, como o francês Rabênu Tam (1110-1171), o neto do Rashi, que viveu toda sua vida na Europa cristã, aceitaram o conceito dos teólogos cristãos que afirmavam que a Trindade era consistente com a ideia de um só Deus.

Para estes teólogos, os três integrantes da Trindade formavam parte de um só Deus; não eram deuses individuais. Assim como os raios de uma roda não são rodas individuais, e sim, integram a roda, os três personagens da Trindade não são deuses, mas integram um só Deus.11

 

10. Ovadia Iossef, o ex-Grão-Rabino sefaradita de Israel, em seu livro de responsa Iechavê Daat IV:45, continua seguindo a opinião de Maimônides, apesar de quase todas as autoridades judaicas serem muito mais liberais em sua concepção sobre a trindade cristã. Ver Shulchan Arúch, Orach Chayim 156 e Iorê Deá 148:12. Ver também Jewish Mystical Testimonies, do Rabino Louis Jacobs, págs. 58 e 72, onde aparece uma atitude liberal semelhante, expressa por Abraham Abulafia, um místico do século XIII, que faz referência ao que está escrito no Talmud em Chulín 13b, que afirma que “não existem minim (min é um judeu ou não judeu que adora ídolos) entre os gentios.. Os gentios da Terra de Israel não são idólatras. Só prosseguem com os costumes de seus ancestrais (e sua maneira de render culto não deve ser considerada prova de que, na realidade, eles acreditem no que praticam)”. O contemporâneo de Abulafia, Meir de Rothenburg, tinha um ponto de vista semelhante. Ver Rabbi Meir of Rothenburg, de Irving Agus, pág. 245.

11. Em seus comentários talmúdicos (San’hedrin 63b e Berachót 2b), o Rabênu Tam defende a tese de que, quando os cristãos fazem o juramento em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, sua intenção é jurar somente por Deus. (A associação de Filho e Espírito Santo a Deus (o Pai) é chamada shituf, (“associação”, em hebraico). Os cristãos – afirma o Rabênu Tam – não estão obrigados a seguir o pacto que proíbe aos judeus acrescentar personagens à natureza Divina. Eles só estão obrigados a seguir as sete leis de Noé, nenhuma das quais proíbe o shituf.

 

Por que o apoio judaico à caridade e beneficência não judaicas é consistente com a tradição judaica?

No Talmud, atribui-se grande importância ao fato de, na Bíblia, aparecer 36 vezes o preceito de amar e ser amável com o estrangeiro. Com frequência, este preceito é complementado pela frase “porque estrangeiro foste na terra do Egito”(Deuteronômio 10:19). Estas palavras, segundo os rabinos, ressaltam a importância de ter em conta o que significa não ser amado ou ser desprezado. Os rabinos enfatizaram cuidadosamente a consideração extra que se deve conceder ao órfão e à viúva.

A atenção a todos os necessitados tornou-se parte integrante da vida judaica. Os judeus devem ser caridosos e gentis, decentes e justos. Os conceitos de caridade e justiça estavam tão entrelaçados, que a palavra hebraica para justiça - tsedacá - tornou-se sinônimo de caridade.

A exigência de que os judeus atendam aos necessitados, sejam eles judeus ou não judeus, foi assim expressa pelo Talmud: “Nossos Rabinos ensinaram: Devemos sustentar aos pobres entre os gentios, assim como sustentamos os pobres de Israel; visitar os doentes entre os gentios, assim como visitamos os doentes de Israel; proporcionar um enterro digno aos gentios, assim como enterramos os mortos de Israel - tudo em nome da paz.’’ 7

 

7. Guitín 61a. Alguns comentaristas notam que isto não implica em que seja permitido que os gentios sejam enterrados no mesmo cemitério que os judeus. Ver observação na tradução da Soncino Press sobre o texto em questão.

 

Por que a lei judaica proíbe os casamentos mistos?

A lei que proíbe aos judeus casar-se com um não judeu é de origem bíblica. Em Deuteronômio 7:3 ela é exposta com clareza: “E não te aparentarás com elas: tua filha não darás a seu filho, e sua filha não tomarás para teu filho.” O motivo que a Bíblia dá é que os israelitas não fossem influenciados a cultuar os ídolos das sete nações pagãs cujas terras estavam a ponto de invadir e conquistar (Deuteronômio 7:1). A lei pretendia evitar o enfraquecimento do recém-desenvolvido conceito de monoteísmo introduzido por Moisés e a unidade do povo judeu recentemente recuperada.

No Talmud foi reforçada a proibição contra casamentos mistos ao evitar-se atividades sociais entre judeus e não judeus para que tais atividades não levassem aos casamentos mistos.7 E apesar de, na era pós talmúdica (do começo da Idade Média em diante), os cristãos e os muçulmanos não serem mais considerados idólatras,8 as leis proibindo casamentos mistos continuaram em vigor de modo a preservar a integridade e unidade da comunidade judaica.

 

7. San’hedrin 82.

 

Por que, ao contrário do que ocorre com o cristianismo clássico, o judaísmo nunca definiu a atividade sexual como pecaminosa?

Até há não muito tempo, o mundo ocidental, por influência do cristianismo, considerava o sexo e o pecado como palavras praticamente sinônimas. Ao longo dos séculos, os eruditos cristãos, baseando-se nos ensinamentos do Novo Testamento (I Coríntios 7:19), têm considerado o sexo como uma concessão à fraqueza humana, e o casamento como um “mal” necessário para a propagação da espécie humana. Pensavam que o celibato era o estado ideal. Gálatas (5:24) considera que o corpo é um recipiente depositário de “paixões e desejos”, e Paulo é da mesma opinião, quando escreve na Epístola aos Romanos (7:24-25): “Pobre de mim! Quem me livrará deste corpo de morte?... Com a mente sirvo a Deus, mas com a carne, à lei do pecado.”

Na tradição judaica, o sexo não é considerado pecaminoso. Gênesis (1:28) enfatiza o dever de “crescer e multiplicar-se” como um mandamento positivo. O ser humano é obrigado a propagar a espécie. Isaías (45:18) ensinou, mais tarde, que “Deus formou a terra para que seja povoada.”

Os rabinos do Talmud foram ainda mais longe. Eles declaram que, além da propagação da espécie, o sexo deve ser prazeroso.2 Um ser humano é obrigado a satisfazer as necessidades sexuais da esposa (denominadas ona, na Bíblia, em Êxodo 21:10), e isto deve ser feito com respeito e consideração.3 Negar o prazer do sexo à esposa é motivo para obrigar o homem a conceder o divórcio. Maimônides entra em detalhes, enfatizando que, assim como o homem não deve negar a satisfação sexual à mulher, a mulher não deve se negar a ter relações sexuais com seu marido.4

 

2. Ketubot 14a.

3. Ibid. 62b e Pessachim 49b.

4. Mishnê Torá, Ishut 15:1.

 

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